29 jul 2019

Guia de Profissões: análise de dados: quem tem medo de números?

por Camila Luz

4 min. de leitura
Guia de Profissões: análise de dados: quem tem medo de números?

(Ilustração: Glauco Lima)

Dar significado à informação: este é o propósito do analista de dados, profissional indispensável para qualquer empresa que trabalhe com grandes volumes de informação, como e-commerces, bancos ou agências de telefonia.

“Analisando os dados, temos condições de analisar historicamente o que aconteceu para apoiar decisões futuras da empresa”, diz Andréa Longarini, que trabalha na área de dados da Lambda3, empresa de tecnologia e inovação focada em software e desenvolvimento. “Por meio deles, sabemos o que aconteceu e qual direção tomar”, completa.

Pela análise de dados, é possível identificar tendências e, assim, obter vantagens competitivas no mercado. Uma empresa que vende produtos de beleza, por exemplo, pode fazer um estudo de mercado baseado em dados extraídos de redes sociais, como o número de menções a cabelos coloridos, para entender em quais cosméticos investir ou em qual estratégia se basear. 

A análise também pode ser utilizada para entender quanto o faturamento da empresa aumentou em resposta a uma nova propaganda, quais são as chances de perder clientes, quão satisfeitos os consumidores estão e assim por diante. Além disso, é fundamental para detectar fraudes ou anomalias nos dados e, por fim, para automatizar tarefas e atendimentos. “A análise de dados reduz a carga de pessoas que trabalham em funções operacionais e de suporte, por exemplo, dando mais autonomia ao trabalho”, conta Andréa. 

Cursos em análise de dados

Como a analista de dados é um profissional bastante procurada pelo mercado, há novos cursos surgindo para preparar os interessados — principalmente cursos técnicos. Andréa Longarini fez graduação em computação, mas também fez o curso técnico em Processamento de Dados. Trabalhou como analista de sistemas durante 10 anos, até que um problema de saúde a afastou do mercado de trabalho por quatro anos. 

“Quando voltei foi difícil. Entrei como analista júnior no Hospital das Clínicas, mas logo percebi que precisava mudar de carreira. Estava cansada da área e percebi que haviam muitas vagas para cientista de dados”, relembra. Decidiu, então, fazer a pós-graduação em Ciência de Dados – Big Data Analytics. 

“Logo em seguida já consegui entrar na área. Aqui na Lambda3, temos projetos de inteligência artificial e análise exploratória de dados. A minha visão é a de trazer soluções para as empresas baseadas em dados. Olhando essa perspectiva nova de mercado, mudei minha carreira”, declara.

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Além dos cursos técnicos, também há graduações na área de dados. Fernanda Lins, analista de banco de dados na Avec, uma plataforma de beleza e bem-estar que conecta salões de beleza, clínicas de estética e outras empresas do ramo aos clientes finais, graduou-se como tecnóloga em bancos de dados, um curso que engloba análise e interpretação de grandes volumes de dados e business intelligence, uma estratégia baseada na análise de dados que busca a tomada de soluções rápidas dentro de empresas.

A graduação dura dois anos e meio e contém disciplinas como modelagem de dados, arquitetura de banco de dados, desenvolvimento de projetos e cursos básicos de algoritmos. “Também aprendemos a trabalhar com memória, storage, solicitações do cliente e com linguagens de programação como SQL”, conta Fernanda.

Banco de dados: mais simples do que parece

Estudar análise de dados ainda parece muito complexo? Bom, se você se interessa por computadores, já é meio caminho andado. Fernanda conta que, na adolescência, tinha o hábito de jogar jogos online e desenvolver templates de blog. Tais interesses foram os primeiros sinais para decidir a profissão a seguir.

Primeiro decidiu cursar Sistemas de Informação. Mas logo no primeiro estágio, entrou em contato com bancos de dados e decidiu trocar de curso.

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Fernanda trabalhou em empresas como a Linx, onde cuidava do banco de dados de lojas como a Ellus, assim no na startup Kiwi e em um projeto para o banco Santander. Na Avec, uma plataforma de beleza e bem-estar que conecta empresas do ramo, como salões de beleza, clínicas de estética e distribuidores, aos clientes, recebeu a oportunidade de desenvolver toda a infraestrutura do zero. 

“O objetivo é migrar todos os clientes que estão usando sistemas antigos para essa única plataforma, que será unificada. Atualmente o banco de dados não está suportando e sua performance tem algumas falhas. Então queremos fazer algo bem feito para suportar a carga de todos os outros clientes que ainda estão separados no sistema”, explica. 

O trabalho de Fernanda é importante para garantir que as informações de todas as empresas estarão seguras em uma infraestrutura que as suporte. Assim, quando o usuário utilizar a plataforma para agendar serviços ou fazer um pagamento, por exemplo, não terá problemas como uma queda no sistema.

Fernanda acrescenta que  empresas grandes acabam contratando mais, pois lidam com altos volumes de dados. Em startups menores, os próprios desenvolvedores acabam cuidando do banco de dados — até que a companhia cresça e necessite de um especialista. 

Para quem deseja entrar na área, a profissional recomenda fazer cursos de infraestrutura de banco de dados e ir além da faculdade, mais focada nos fundamentos. “Não adianta ser apenas técnico. Você precisa saber por que está tomando cada decisão. Então os cursos são muito importantes para se aprofundar em cada tecnologia e sua particularidade, pois a graduação é mais genérica”, finaliza. 

A média salarial de um Analista de Redes e de Comunicação de Dados é de R$ 3.600.