28 set 2018

O que pode estar por trás da saída dos fundadores do Instagram?

Dimítria Coutinho

por Dimítria Coutinho

5 min. de leitura
O que pode estar por trás da saída dos fundadores do Instagram?

Os fundadores do Instagram Kevin Systrom e Mike Krieger anunciaram recentemente que estão deixando seus cargos. Depois que a empresa foi comprada pelo Facebook, em 2012, eles continuaram no comando da rede social, mas dentro da nova empresa. Systrom era diretor executivo da rede social, enquanto Krieger era o diretor técnico.

No anúncio que fizeram em suas contas no Instagram, os cofundadores disseram que estão prontos para novos desafios e que aprenderam muito no tempo em que estiveram ao lado da equipe do Facebook. Apesar do discurso, parece que a saída de Systrom e Krieger não foi tão amigável assim.

 

 

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@kevin and I are grateful for the last eight years at Instagram and six years with the Facebook team. We’ve grown from 13 people on the team to over a thousand with offices around the world, all while building products used and loved by a community of over one billion. We’ve loved learning to scale a company and nurture an enormous global community. And we couldn’t have done it without our amazing Instagram team, and the support of @zuck, @sherylsandberg, @schrep, and @chriscox at Facebook—we’ve learned so much from all of you. Now, we’re ready for our next chapter. We’re planning on taking some time off to explore our curiosity and creativity again. Building new things requires that we step back, understand what inspires us and match that with what the world needs; that’s what we plan to do. We remain excited for the future of Instagram and Facebook in the coming years as we transition from leaders to just two users in a billion. Thank you for being part of Instagram’s community—it’s been, and will continue to be, an honor.

Uma publicação compartilhada por Mike Krieger (@mikeyk) em

De acordo com fontes ouvidas pela Recode e pela Bloomberg, a relação entre eles e Mark Zuckerberg já não andava bem há algum tempo. O dono do Facebook estaria interferindo demais na forma com que o Instagram vinha se desenvolvendo.

Instagram: o começo de tudo

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O Instagram foi criado em 2010 como um pequeno negócio, e logo foi ganhando força e popularidade. Em 2012, quando a empresa foi vendida para o Facebook, ela já tinha 30 milhões de usuários, e apenas 13 funcionários. O valor de venda, na época, foi de US$715 milhões.

Durante os últimos seis anos, Systrom e Krieger continuaram no comando do Instagram, que desde então cresce de forma independente do Facebook. Hoje, mais de 1 bilhão de pessoas usam o aplicativo por mês, e estima-se que a empresa já valha mais de US$100 bilhões.

O que dizem as pessoas que estavam por perto

Embora as empresas tenham administrações separadas, o clima teria esquentado, sobretudo no último ano. Fontes disseram à Recode que Systrom e Krieger ficaram muito frustrados com a influência do Facebook sobre o Instagram.

Algumas atitudes tomadas pela administração de Zuckerberg – como deixar de promover o Instagram no aplicativo do Facebook quando fotos eram importadas de lá – deixaram Systrom e Krieger frustrados.

Outra questão que gerou mais confusão entre as duas administrações foi o lançamento do IGTV, a ferramenta de vídeos longos do Instagram. Na ocasião, os executivos do Facebook teriam achado que o IGTV poderia canibalizar os usuários do Facebook Watch, recurso ainda pouo conhecido.

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Fontes disseram à Bloomberg, ainda, que o aumento do envolvimento de Zuckerberg na administração tem relação com o futuro da companhia como um todo. Com o crescimento do Instagram e as crises no Facebook, a rede social mãe se tornou cada vez mais dependente do aplicativo de fotos para dar seus próximos passos.

Essa história toda se assemelha bastante à saída dos fundadores do WhatsApp do Facebook. O primeiro a sair, em 2017, foi Brian Acton que, neste ano, ainda publicou no Twitter pedindo que as pessoas deletassem suas contas no Facebook, depois dos escândalos de privacidade da companhia.

O WhatsApp foi vendido ao Facebook em 2014 e, desde então, a opinião dos fundadores vinha conflitando com a da administração do Facebook. Em entrevista à Forbes, Acton conta que o Facebook testou maneiras de monetizar o WhatsApp, mesmo depois de acordarem que o mensageiro continuaria sendo mantido sem publicidade. O receio de Acton era de que a privacidade dos usuários não fosse mantida e, por isso, preferiu deixar a companhia do que lutar contra a administração de Zuckerberg.

Quais medidas realmente foram tomadas

Além das informações dadas por essas fontes, algumas mudanças nas redes sociais puderam ser notadas também pelos usuários. A primeira delas diz respeito às fotos que eram publicadas no Facebook automaticamente via Instagram. Antes, elas traziam uma indicação de que tinham vindo da outra rede social, talvez incentivando o uso do Instagram. Recentemente, essa marcação foi retirada.

A segunda mudança diz respeito ao Facebook Stories. O recurso de histórias não ficou tão popular por lá quanto no Instagram e, por isso, foi lançada uma ferramenta que permite compartilhar Stories do Instagram automaticamente com o Facebook. A medida teria sido tomada para aumentar a popularidade das histórias na rede social de Zuckerberg.

Outra mudança foi um recente teste mostrado para alguns usuários do Instagram. Nele, as pessoas recebiam notificações de postagens do Facebook dentro do próprio Instagram, como forma de incentivo a trocar de aplicativo.

O que será do futuro do Instagram?

O Facebook ainda não anunciou quem ficará no comando do Instagram a partir de agora, mas já há algumas especulações. O nome mais falado é Adam Mosseri, chefe de produtos do Instagram. Ele é um executivo que está há mais de 10 anos no Facebook, e que foi transferido para o Instagram em maio deste ano.

A proximidade de Mosseri com o Facebook e com Zuckerberg preocupa a equipe do Instagram, ainda de acordo com fontes ouvidas pela Bloomberg. O receio dos funcionários seria de que o Facebook tire ainda mais a autonomia que o Instagram vinha tentando manter.