22 mar 2018

Margaret Hamilton: sem essa mulher, o homem não teria pisado na Lua

Dimítria Coutinho

por Dimítria Coutinho

4 min. de leitura
Margaret Hamilton: sem essa mulher, o homem não teria pisado na Lua

Quando Apollo 11 estava quase pousando na Lua, um problema aconteceu. Vários alarmes começaram a tocar. O computador estava sobrecarregado devido as atividades do radar de aproximação. Essa ação, somada às atividades de pouso, ultrapassavam o limite do que a máquina era capaz de fazer. E a missão seria abortada se alguém não tivesse previsto uma situação como essa. E esse alguém foi Margaret Hamilton.

Foi ela, junto de sua equipe, quem escreveu o código do sistema em questão. Prevendo uma situação desse tipo, Margaret programou o computador para que ele fosse capaz de priorizar algumas tarefas em detrimento de outras. Pousar na Lua era mais importante do que a ação do radar de aproximação. E foi isso que Apollo 11 fez: permitiu que Neil Armstrong e Buzz Aldrin colocassem seus pés em solo lunar. 

Inventando a profissão

Margaret Heafield Hamilton nasceu em agosto de 1936, em Paoli, Indiana. Se graduou duas vezes em Matemática, e fez uma pós-graduação em Meteorologia no MIT, o Instituto de Tecnologia de Massachusetts.

Depois de se formar, Margaret começou a lecionar matemática e francês no Ensino Médio, enquanto seu marido terminava a graduação. Juntos, se mudaram para Massachusetts novamente e, com 23 anos, Hamilton teve seu primeiro contato com projetos de software, no laboratório do professor Edward Lorenz, no MIT.

Nesse período, Margaret teve que aprender quase tudo na prática. Ciência da computação e engenharia de software ainda não existiam enquanto disciplinas, então se aprendia fazendo. Pioneira na área, ela quem é creditada por ter inventado o termo Engenharia de Software, inclusive.

Margaret e sua pilha de códigos. Crédito: Cortesia MIT Museum

Margaret também trabalhou em outro projeto no MIT, escrevendo o software para um computador cuja função era procurar por aeronaves “não-amigáveis”.

Apollo 11

Em meados de 1963, Hamilton estava planejando retomar os estudos na pós-graduação da Universidade de Brandeis, quando soube que o MIT tinha recebido um contrato da NASA para desenvolver um software para uma missão lunar. E estavam procurando pessoas para trabalhar nesse projeto.

“Acho que eu devo atrasar essa graduação porque eu quero de trabalhar nesse programa que vai levar todos esses homens para a Lua”, foi o que pensou Margaret na época segundo esse vídeo no YouTube.

Crédito: Usado com permissão de The Charles Stark Draper Laboratory Inc., Cortesia MIT Museum.

E foi o que ela fez. Realizou entrevista com os dois gerentes do projeto, e ambos ofereceram uma posição para ela. “Eu não queria ferir os sentimentos de ninguém, então eu disse para eles jogarem uma moeda para decidir qual grupo iria me contratar”, contou ao Futurism. O gerente vencedor era o que Margaret estava torcendo e, assim, uma moeda permitiu que sua marca na história da humanidade começasse a ser desenhada.

Rotina de trabalho

Durante seu trabalho nesse projeto, Margaret e os colegas continuavam a inventar a profissão. Como ela costuma dizer, não havia outra saída que não ser pioneiros. Grande parte da equipe era tão jovem quando Hamilton, com seus vinte e poucos anos, então todos estavam aprendendo enquanto faziam.

A mais jovem a frequentar o laboratório era a pequena Lauren. Mãe trabalhadora na década de 1960, Margaret levava a filha consigo quando tinha que trabalhar de noite ou aos finais de semana. Era sua forma de conciliar a vida pessoal com a vida profissional.

O ambiente de trabalho de Hamilton sempre foi mais masculino do que feminino. Mas, ao contrário do que se pode pensar, isso não a incomodava tanto. Segundo ela, todo o time se concentrava muito mais no trabalho do que nessas questões de gênero. “Estávamos mais propícios a notar se alguém era do primeiro ou do segundo andar, se era uma pessoa de software ou de hardware”, contou em entrevista.

E foi nesse contexto que Margaret entrou para a história. Ela e o time que liderava escreveram o código que levou o homem até a Lua. Mais do que isso: escreveram da maneira correta, prevendo falhas e priorizando tarefas, questões que foram cruciais para o pouso de Apollo 11.

O legado de Margaret Hamilton

Numa época em que ciência da computação e engenharia de software nem existiam, Margaret se dedicou a essas áreas. E, muito além de levar o homem até a Lua, a arquitetura de software criada por ela e seus companheiros foram cruciais para a existência de incontáveis tecnologias atualmente.

Em 2016, Hamilton recebeu de Barack Obama a Medalha Presidencial da Liberdade, maior condecoração civil dos Estados Unidos. Além disso, Margaret publicou mais de 130 artigos em sua área, que com certeza contribuíram para o avanço de diversas tecnologias.

Aos 81 anos, Margaret Hamilton é CEO da empresa que fundou em 1986, a Hamilton Technologies. Parece que essa mulher não se cansa de trazer avanços para a história da humanidade.