#testamos: o foursquare da maconha

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Clássico na internet é aquele post engraçadinho do seu amigo hippie/descolado às 4:20 da tarde. Para quem não sabe, o número 420 faz referência à maconha e a cultura do seu consumo. Uma espécie de código secreto (#sqn) que identifica fumantes ou entusiastas da cannabis.

O brasileiro João Paulo Costa também acha que maconheiros gostam de deixar rastros de seus hábitos internet afora, por isso criou o Who is Happy, uma espécie de FourSquare para maconha. Nele o usuário faz check in no lugar onde está fumando o seu baseado e compartilha anonimamente com a sua rede (ou posta nos seus perfis públicos autorizados). Obviamente o app não marca a sua posição exata, mas a cada check-in uma nuvem de fumaça verde se espalha pelo Google Maps. Muito amor.

Além do mapa permitir ver os bairros mais “felizes” da sua cidade, ele te mostra um ranking dos países que mais participam da brincadeira.

 

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Testamos por aqui e ele ainda está um pouco atrapalhado: a tela inicial travou três vezes seguidas, o mapa não se mexia e a lista dos países não carregou de primeira, mas nada que uma atualização para limpar os bugs não resolva.

Em entrevista à Folha de São Paulo, João contou que usa a cannabis e os seus derivados para combater os sintomas da sua epilepsia. Por enquanto o modelo de negócio ainda não está definido, mas ele já sabe que pretende focar a sua busca por investimento fora do Brasil. Ainda segundo a Folha, fundos de investimento nos Estados Unidos injetaram mais de US$90 mi em 29 empresas de ferramentas tecnológicas ligadas ao assunto em 2014, por conta da gradual legalização da droga no país. João quer pegar esse vento a favor, o foco agora é conseguir usuários. #táfácil

(para iPhone e Android, gratuito)

 

(imagens: reprodução do aplicativo Who is Happy)

O que é esse tal de Ello?

Brasileiro ama uma rede social. É tão lugar-comum para a gente que nem pensamos muito nisso, mas os brasileiros passam mais tempo em redes sociais que qualquer outra nacionalidade (13,8 horas por mês) e são os que mais compartilham conteúdos (71% dos usuários), segundo dados do SurveyMonkey divulgados pelo TechTudo. Basta dizer que Orkut virou verbo aqui, e em boa parte do resto do planeta as pessoas não fazem ideia do que significa. E nos dias finais do bom e velho Orkut, surge o Ello, uma nova rede social surgiu para fazer a gente se coçar de vontade de ir para lá.

(Aliás, como pronuncia? Nos Estados Unidos estão chamando de “élou”, mas paulistana italianada que sou, sempre leio como “éllo”. Ah, e se você já estiver por lá, siga a gente.)

O Ello chama a atenção por ter um design limpo e prometer não ter anúncios. Ganhou notoriedade como o anti-Facebook, especialmente desde uma polêmica com a comunidade LGBT, já que o Facebook permite apenas o uso de nomes reais em perfis pessoais, nada de apelidos ou nomes artísticos.

A pendenga foi resolvida, mas com isso, o Ello ganhou impulso e está recebendo cerca de 40.000 pedidos de convite por hora*. A gente adora um clube que não nos aceita como sócios.

A tela de entrada do Ello: só com convite.
A tela de entrada do Ello: só com convite.

Como o Facebook e o finado Orkut no seu início, só dá para entrar no Ello com convite, seja por alguém que já está lá ou pedindo no site. Daí, você pode seguir outros perfis, separando por duas categorias particulares: Amigos (“Friends”) ou Barulho (“Noise”). Quem você segue não fica sabendo em que categoria você o colocou. Basicamente você pode postar texto ou fotos, responder a outros perfis como no Twitter, e só.

O Ello ainda não tem aplicativo para smartphone, e como ainda está em fase de testes, a navegação pelo iPhone é bem chatinha e cheia de pequenos erros. No computador, é mais tranquila, mas navegar pelo Ello, configurar seu perfil e postar conteúdo não são processos muito intuitivos. Passei uns dez minutos tentando descobrir como postar um gif, caixas extras de texto abriam que eu não entendia como fechar. Um especialista em usabilidade postou uma crítica extensa ao design do Ello no Medium*.

A promessa de não ter anúncios também é atraente à primeira vista, mas a verdade é que se uma rede social vai ser gratuita, ela precisa ter um modelo de negócios. Não sai de graça manter um site: há custo envolvido em manutenção de servidores, salários dos programadores, gerenciamento do site etc. Se um site ou rede social não custa nada a seus usuários, isso normalmente significa que o produto são eles mesmos.

O manifesto do Ello: "você não é um produto". Certo, então qual é o produto?
O manifesto do Ello: “você não é um produto”. Certo, então qual é o produto?

O Ello diz que a ideia é manter os dados de seus usuários privados e cobrar por funcionalidades extras da rede. Mas você pagaria para manter um álbum de fotos no Ello, quando há tantas opções gratuitas disponíveis? Ou dar likes nos posts de seus amigos quando isso é tão fácil no Facebook?

Não vou dizer aqui que eles estão mentindo na cara dura e que mais para a frente vão colocar anúncios. Mas a possibilidade de cobrar por funcionalidades extras em uma rede social ainda nascente não me parece plausível e muito menos que convenceria um fundo, que espera retornos altíssimos de seu capital, a investir 435 mil dólares no Ello*. Este texto do YouPix investiga esta questão mais a fundo.

O Ello vai ser o novo Facebook? Ainda é muito cedo para dizer. Ele certamente provou que existe apetite e mercado para redes sociais além do gigante azul do tio Mark. Se o Ello vai conseguir destroná-lo, é outra história.

*links em inglês

Créditos das imagens: Reprodução

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