As Minas da Web: Marina Bortoluzzi, Instagrafite

Com este post (e um certo orgulho) inauguramos uma nova seção no Ada, As Minas da Web. Vamos mostrar quem são as mulheres que desenvolvem os projetos mais legais, bem sucedidos e inovadores da internet brasileira. Queremos ouvir o porque e o como elas fazem o que fazem, quais as motivações, as encrencas. Não é fácil ser mulher empreendedora na internet (a gente sabe), por isso quanto mais exemplos tivermos, menos mulheres vão desistir de tentar.

Começamos com força: um café de uma hora e meia com a Marina Bortoluzzi, a publicitária catarinense que é curadora e co-fundadora do Instagrafite.

 

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A Marina é o tipo de mulher que faz as pessoas acreditarem nas suas paixões como modelo de negócio. Quem a acompanha internet afora enxerga isso todo dia. Marina foi parar no SXSW, agora está no Havaí, apareceu pintando uma parede em Miami e está pedindo dicas de alguma cidade cool na costa oeste americana. O “como” é a pergunta fácil. Marina e Marcelo Pimentel, parceiro de vida e crime, criaram o Instagrafite: um perfil de Instagram que se transformou no canal digital mais respeitado na cena de arte urbana no mundo. O “porque” é a pergunta legal: dividir para multiplicar. “Tudo funciona de forma colaborativa, esse é o nosso lema“, ela diz.

Com 3 anos de vida, a marca tem mais de 1 milhão de seguidores, 5 sociedades embaixo do braço e é convidada a participar como mídia essencial de todos os festivais de arte de rua do mundo. Vale lembrar: apenas 0,0001% das contas no Instagram têm mais de 1 milhão de seguidores*. Marina e Marcelo ralaram por cada um deles.

 

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O arrôba

Marcelo criou o perfil no final de 2011 para preencher um vazio emocional depois da morte de sua mãe. Procurar os melhores grafites de São Paulo era uma boa desculpa para tirá-lo de casa e ocupar a cabeça. Marina o acompanhava nos rolês para ajudar com as fotos: “Inevitavelmente comecei a absorver esse universo. Quanto mais obras a gente fotografava, mais eu aprendia.” Não demorou para o perfil chamar a atenção e, em pouco tempo, pessoas do mundo inteiro começaram a marcá-los em fotos dos grafites que cruzavam os seus caminhos. Naturalmente, os próprios artistas passaram a querer estar naquela galeria muito bem curada. “Depois que abrimos para colaborações, acumulamos 4 meses de emails de pessoas bem foda no nosso inbox. Não sabíamos o que fazer com aquilo tudo“, conta.

Quando perguntei quais eram os artistas que eles agenciavam, ela respondeu com a maior naturalidade: “Na verdade todos. Tenho todos os artistas do mundo como possibilidade”. Ela ajuda os brasileiros a mostrar o seu trabalho lá fora a partir da sua rede de contatos, recebe os gringos na sua própria casa como se fossem família, resolve burocracias de visto e ajuda os que nem conta em banco têm. Tipo uma fada madrinha das ruas. “A relação é muito mais forte quando você está próximo“, diz.

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Hoje, depois de quase 5 mil posts e projetos com marcas incríveis na bagagem, já faz um tempo que o Instagrafite extrapolou o seu @. “Sabemos ser mídia, mas queremos dar cada vez mais atenção a outros formatos para explorar a nossa curadoría.” Só para 2015 eles já têm datas para lançar um canal no youtube, um blog e um aplicativo sobre arte de rua. E onde o calo aperta? “Temos um nome no mercado internacional mas quase nenhum trabalho dentro de casa. Queremos ser reconhecidos aqui.

 

Ser mina

Marina tem papo reto e é eloquente, por isso costuma dominar os ambientes de trabalho por onde passa. É boa gestora, coordena pessoas, é organizada e articula as negociações colocando entrelinhas na honestidade do Marcelo: “Eu faço um trabalho quase holístico de convencimento com o cliente“, ri. Ela sabe que é essencial para o negócio, mesmo não sendo o receptáculo criativo da dupla. “É difícil separar ‘state and church’?” eu pergunto. “Ah, sociedade com homem acaba sendo, ainda mais quando ele é o seu marido, mas se a gente não fosse um casal talvez o Instagrafite não fosse como é hoje”, diz.

 

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Olhando “a cena” do alto, Marina ocupa uma posição quase privilegiada. Existe um preconceito gritante com artistas de rua mulheres. Ou elas são casadas com outro artista e através da dupla se elevam, ou são consideradas homossexuais e precisam suprimir a sua feminilidade para serem respeitadas.  “Só a inteligência barra o preconceito, por isso ninguém menospreza o meu trampo, mas sinto que às vezes preciso bater de frente com mais força“, conta. Em alguns meios empresariais de tecnologia e marketing, a misoginia é tão grande que ela precisa do Marcelo ao lado para ser ouvida.

Mas nem tudo está perdido e ela quer ajudar. Em sua última viagem ao Havaí, Marina notou um aumento da participação feminina e ficou feliz de perceber. No blog, que será lançado no final de março, ela quer dedicar uma seção inteira às minas do grafite.

 

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SP

O papo de morar fora do país é assunto recorrente entre o casal, mas São Paulo é um caso de amor e ódio. ” Estamos tendo a oportunidade de viajar para todo canto do mundo com frequência. Ao final de cada viagem eu ou ele nos perguntamos ‘tu morarias aqui’? A resposta dos dois é ‘não’. Nunca foi tão claro que a nossa cidade é São Paulo. No futuro talvez não seja, mas no presente é aqui que a gente deve e quer ficar. Estamos no lugar certo na hora certa“, ela contou ao Facebook. Em 2015, os dois pretendem explorar as possibilidades e sugar tudo o que ela pode oferecer.

 

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*fonte: Totems.co

fotos: arquivo pessoal

6 apps urbanos para cuidar e curtir a cidade

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Para tudo existe uma primeira vez na Internet: hoje a colaboradora do Ada é uma praça.

A Abelardo Rocas é uma praça na região da Sumaré, em São Paulo, que está sendo adotada por um grupo de amigos com o objetivo de revitalizá-la. A idéia é transformá-la em um espaço gostoso para que os vizinhos da região tenham prazer em sentar por lá e ler um livro, levar os seus cachorros para passear ou apenas juntar uns amigos para bater uma bola na quadra de basquete. Como forma de envolver vizinhos e amigos no processo e agilizar a comunicação, Abelardo Rocas não só tem uma conta no Instagram como também virou um perfil no Facebook, como uma pessoa mesmo. Abelardo curte posts por aí, compartilha assuntos interessantes e chama as pessoas para os eventos que rolam por lá aos finais de semana. Ah sim, ela também tem a hashtag mais divertida da história das praças: #abelardorocks.

O Ada pediu à Abelardo dicas de apps bacanas que nos mantenham conectados com a cidade de uma maneira ativa, responsável e divertida. A lista tá impecável:

1) Colab.re

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A News City Foundation elegeu o Colab.re como o melhor aplicativo urbano do mundo em 2013. Nele o usuário pode fiscalizar, inclusive através de fotos, problemas da sua cidade (como buracos em ruas, calçadas em pésimo estado, iluminação pública queimada), propor soluções para melhorar problemas e avaliar entidades e instituições públicas. Os criadores do app se responsabilizam a enviar todas as publicações para as prefeituras, além de encaminhar as respostas recebidas de volta aos cidadãos. Lindo!

Para iPhone e Android. (GRATUITO)

 

2) MyFunCity

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Tem a mesma pegada do Colab.re, com a diferença de que você deve fazer check in nos locais antes de emitir a sua opinião. Depois de escolher o lugar (o app te localiza através do GPS do seu celular), selecione para onde quer direcionar o seu depoimento, como por exemplo, para saúde, limpeza das ruas, barulho, transporte público, situação das vias etc. Além de poder escrever o seu depoimento você deve associar uma das carinhas no medidor de felicidade. Procure por uma região específica e veja a estimativa de bem-estar baseada nas estatísticas dos usuários. Cuidado que nem sempre é muito animador.

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3) Role.es

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Esse é um app-amor que cria guias de roteiros para cidades feito por pessoas que frequentam os lugares que indicam. Nele elas mostram seus lugares preferidos de uma região, seus cantinhos, lugares que às vezes ficam meio escondidos ou até mesmo esquecidos. Os rolês de São Paulo são fofos! Mostram olhares de quem fez daqueles lugares o seu modo de viver.

Para iPhone. (GRATUITO)

 

4) 4sqwifi

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Sabe aquele momento em que você precisa desesperamente de um wifi? Pois bem, tá aqui a salvação. Você se loga com a sua conta do FourSquare, então o app identifica a sua localização e te indica cafés, bares, restaurantes, livrarias, padarias e vários outros tipos de estabelecimento com wifi. Ah sim, E TE DÁ A SENHA DE TODOS. <3

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5) Prefeitura SP

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Acredite, é um excelente aplicativo. Sem muita firula, responde bem à perguntas claras: qual é a qualidade do ar? Qual a situação dos Aeroportos? Como está o trânsito? Quais são as placas do rodízio hoje? Além disso ele se mantem atualizado com as últimas notícias postadas pelo twitter da prefeitura, o que gera avisos em tempo real de alertas ou problemas pela cidade. O app também conta com um mapa de ocorrências, com listagem de semáforos desligados, pontos de alagamento, quedas de árvores e obras.

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6) Joga+1

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Este não exatamente um app, mas um site bem amigo dos celulares. O projeto foi desenvolvido pelo Google focado especialmente no público brasileiro. A idéia é incentivar a prática de mais de 20 modalidades esportivas cidade afora, aproveitando espaços, grupos e encontros que já fazem isso normalmente. Além de se juntar a um time você também pode achar companhia para correr a noite ou finalmente aprender o tal do slackline. Os eventos são marcados no GoogleMaps e você recebe avisos pelo seu gmail através do Google+.

Site

 

* O Ada participa do projeto de revitalização da praça Abelardo Rocas, e endossa tanto quis dar voz a quem participa dele.

Artista coloca emojis em pinturas clássicas

Se a arte representa o estado de espírito de um povo em um determinado momento, a artista ucraniana Nastya Ptichek acertou em cheio na série de montagens Emoji Nation, em que incorpora emojis, aqueles ícones usados em chats e mensagens de texto, em quadros de pintores famosos como Edgar Degas, Edvard Munch, Pablo Picasso, Caravaggio e Edward Hopper.

Além de emojis, ela também usa imagens de redes sociais, como Facebook, Instagram, partes de sites do Google e mensagens de erro do Windows.

Segundo contou ao site da Wired, Nastya teve a ideia quando percebeu como alguns emojis do iPhone (o Grito de Munch sendo o mais clássico de todos) lembravam pinturas famosas, como pinturas conhecidas, e resolveu criar a série. Olhe como ficou:

"Duas bailarinas entrando no palco", Edgar Degas
“Duas bailarinas entrando no palco”, Edgar Degas
"A bebedora de absinto", Pablo Picasso
“A bebedora de absinto”, Pablo Picasso
"O Grito", Edvard Munch
“O Grito”, Edvard Munch
"Saturno devorando seu filho", Goya
“Saturno devorando seu filho”, Goya
 "A Travessia", Léon Spilliaert
“A Travessia”, Léon Spilliaert
''Domingo'', Edward Hopper
”Domingo”, Edward Hopper
''Conferência à Noite'', Edward Hopper
”Conferência à Noite”, Edward Hopper
''Noite de Verão'', Edward Hopper
”Noite de Verão”, Edward Hopper
Excursão filosófica, Edward Hopper
Excursão filosófica, Edward Hopper
"Luz do Sol em uma cafeteria", Edward Hopper
“Luz do Sol em uma cafeteria”, Edward Hopper
"A criação de Adão", Michelangelo
“A criação de Adão”, Michelangelo
"Ascensão de Cristo", Dosso Dossi
“Ascensão de Cristo”, Dosso Dossi
"A traição das imagens", René Magritte
“A traição das imagens”, René Magritte
"Jardim das Delícias", Hieronymus Bosch
“Jardim das Delícias”, Hieronymus Bosch

(Via Mashable)

(Crédito de todas as imagens: Nastya Pitchek)

Papel e lápis de cor para um belo #lookdodia

Uma das coisas mais legais do Instagram é quando ele faz com que blogs e tumblrs saiam dos nossos computadores e venham para os nossos celulares. Quando aquele (bom) conteúdo que a gente já amava se torna mais um quadradinho no nosso feed reconfortante de Instagrammers, parece que aquele universo se aproxima do nosso dia-a-dia e passa a nos fazer companhia de uma outra forma.

Jenny Williams, artista plástica novaiorquina que se auto-entitula “apenas mais uma mãe do Brooklyn”, queria criar um blog de moda mostrando as roupas que a sua filha Clementine, de 11 anos, e o seu grupo de amigos usavam. Ao invés de reproduzir o que zilhões de outros fashion blogs fazem (fotos de looks do dia e muitos duck faces), Jenny achou bem mais legal criar esboços lúdicos e quase irônicos para mostrar as escolhas indumentárias da filha e sua turma pré-adolescente. No perfil de instagram What My Daughter Wore, Jenny reposta os desenhos que faz para o seu blog e em pouco mais de um ano já atingiu quase 20.000 seguidores apaixonados pelo seu traço.

Os retratos coloridos mostram corpos desajeitados, caras emburradas, algumas caretas mas acima de tudo uma certa timidez mostra-esconde, orgulhosa de assumir e misturar referências e texturas num street style super contemporâneo. Um feed cheio de coroas de flores, bonés, óculos coloridos, franjas de papel crepom e fantasias de princesa e animais fofos que a vida adulta ainda não teve tempo de levar.

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Ps: não custa nada relembrar e morrer de amor pelo perfil de Instagram de Angie, mãe de Mayhem, uma garotinha de 4 anos apaixonada por moda. A mãe da pequena notou o interesse acima do normal de sua filha e começou a criar vestidos feitos de papel e muita criatividade. Passamos mal com essa réplica em cartulina do vestido que Lupita Nyong’o, vencedora do Oscar deste ano, usou na premiação dos Golden Globes. <3

 

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Instagram une pai e filha através do Jazz

No último Dia dos Pais o Instagram lançou uma hashtag para celebrar a data, e a instagramer inglesa Zoë Timmers postou uma foto que mexeu com um monte de gente. Com esse post lindo ela quis homenagear o pai, especialista da indústria musical e colecionador de vinis de jazz. O seu enorme acervo de 10 mil discos fica em um chalé no norte da Inglaterra e tem mais de 70 anos de idade: o primeiro vinil foi comprado por ele em 1942.

Dad's Disc Delights

A foto fez sucesso e pessoas desconhecidas começaram a fazer perguntas sobre a sua coleção, sobre o disco que estava segurando e sobre a história do jazz. Zoë não teve dúvidas e criou um perfil só para isso, o Dad’s Discs Delight: um espaço que ela usa para se conectar com o pai e a sua grande paixão, além de uma ótima desculpa para passar mais tempo com ele.

Ela tira todas as fotos e o pai escreve as legendas, depois de decidirem juntos a ordem dos discos que querem mostrar. Zoë faz o post no Instagram e ele responde a todos os comentários. “O meu pai ficou surpreso com tanta empolgação. As pessoas fazem perguntas muito específicas e os comentários acabaram virando uma espécie de forum para quem já conhece jazz, mas também para quem está descobrindo o gênero agora e até para os que só curtem as imagens que fazemos.”, conta uma instagrammer feliz.
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(Crédito das fotos: Reprodução Dad’s Disc Delights http://instagram.com/dadsdiscdelights)