Realidade virtual faça-você-mesma

*Por Natasha Madov

(Matéria publicada no UOL Tecnologia em 01/0/2015)

Se alguém te disesse que um pedaço de papelão pode transformar o seu smartphone em um visor de realidade virtual, você acreditaria? Pois é, o Google Cardboard faz exatamente isso.

google cardboard

 

O visor vai custar US$ 30 (cerca de R$ 101) e as vendas estão previstas para começar no início do ano escolar americano, em setembro, mas algumas lojas não-oficiais já começaram a vender. A parte mais legal, na verdade, é que você nem precisa comprar o produto. O Google disponibilizou um layout com as dimensões certinhas para cortar, dobrar e montar o visor. É “só” colar sobre um papelão firme e seguir as instruções.

 

 

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É claro que não é uma experiência super imersiva como o Oculus Rift, mas com um bom par de fones de ouvido e usando os aplicativos disponíveis no Google Play ou na Apple Store (busque por Cardboard) dá para ter um gostinho de como a  realidade virtual pode fazer parte do no nosso dia-a-dia. Baixe o app da montanha-russa e experimente voar pela sua sala, ou simplesmente fique sentadinho no piano do Paul McCartney enquanto ele toca Wings. Sim, ter que segurar o aparato não ajuda a manter o realismo, mas o Google não pretende te vender algo perfeito, e sim uma porta de entrada para um outro tipo de entretenimento: barato, divertido e democrático.

Um público que a plataforma está dando atenção especial é o infantil com o Expeditions. Trata-se de um aplicativo educacional disponível para tablets Android que transmite imagens em 360 graus de vários locais diferentes a smartphones acoplados a visores Cardboard — é como se fosse uma excursão sem sair da sala de aula.

Além de imagens geradas pelo Street View, o Google montou parcerias com museus como o Smithsonian, Planetary Society e o Museu Americano de História Natural para criar “viagens” pelas ilhas de Galápagos, Parque Yosemite, muralha da China e até mesmo Marte <3

Outro produto ligado à plataforma é o Jump, focado nos criadores. É um suporte para 16 câmeras (a GoPro já é parceira oficial) e um software de edição de vídeo que junta as imagens captadas pelas câmeras e as transformam em uma sequência em 360 graus. E finalmente, vídeos captados pelo Jump estarão disponíveis via Youtube, sem a necessidade de um app especial.

Créditos das imagens: Divulgação Google.

17 mulheres que fizeram da Internet o que ela é hoje

(Este post foi uma sugestão da leitora Cora Poumayrac Neto, via nossa página do Facebook)

Não é novidade para ninguém que o mundo da tecnologia é dominado por (e direcionado para) homens, mas poucas pessoas sabem como grandes avanços que transformaram a internet no que ela é hoje foram criados por mulheres visionárias que não estão exatamente nos livros de história.

Além da história que a gente mais ama, a da querida e destemida Ada Lovelace (que dá nome ao nosso blog) traduzimos do post do Mic (em inglês) outros exemplos muito inspiradores, de mulheres que venceram a barreira do gênero de forma discreta e com relativo anonimato em momentos muito pontuais da história.

1. Um dos primeiros computadores é programado (1943-45)

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O Exército dos Estados Unidos buscava formas mais precisas de prever os ataques da Segunda Guerra Mundial. Foram 6 as mulheres responsáveis por programar um computador de mais de 45 metros de largura desenvolvido com esse fim. Obrigada, Jean Jennings Bartik, Frances “Betty” Snyder Holberton, Kathleen McNulty Mauchly Antonelli, Marlyn Wescoff Meltzer, Ruth Lichterman Teitelbaum e Frances Bilas Spence.

2. Software para o segundo computador comercial do mundo é implantado

Ida Rhodes migrou para os Estados Unidos quando criança durante a Primeira Guerra Mundial e em algumas décadas já frequentava reuniões semanais na casa de Albert Einstein. Apenas. Na América, Ida passou a trabalhar para o Governo desenvolvendo a linguagem de programação C-10, que potencializou a popularização do segundo computador comercial produzido nos Estados Unidos (o UNIVAC 1).

3. Um grande passo para a programação de computadores (1952)

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Grace Hopper foi a inventora do primeiro compilador, um software que funciona como um tradutor entre humanos e computadores. O software basicamente recebe a linguagem de programação (como JavaScript, por exemplo) e a transforma em Os e 1s para que o computador possa entender as ordens. Esse simples avanço facilitou a vida de muitos engenheiros e possibilitou o desenvolvimento de uma série de programas.

4. A primeira linguagem de programação amplamente usada foi desenvolvida (começo da década de 60)

Em 1961, a IBM contrata Jean Sammet, que passa a liderar o desenvolvimento de FORMAC, uma linguagem de computação que interpreta símbolos algébricos e os traduz em código. Esta foi a primeira linguagem amplamente utilizada na história da computação. Alguns anos depois, ela escreveu um livro a respeito das diferentes linguagens de programacão.

5. O setor de telecomunicações é alavancado (1963)

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Erna Schneider Hoover trabalhava nos Laboratórios Bell quando teve o seu segundo filho, e enquanto se recuperava no hospital (alô multi-tasking!) desenhou um sistema computadorizado de central de telefonia. Ele controlava automaticamente o volume das ligações e deixava as centrais (como os da foto acima) muito mais eficientes. O sistema revolucionou as telecomunicações e Erna foi premiada com uma das primeiras patentes de software emitidas da época. Décadas mais tarde, os sistemas de telefonia “switching”, usados para rotear bilhões de emails, seriam inspirados nas inovações desta grande mulher.

6. Alpha, a linguagem de computação da CIA usada para quebrar códigos, é usada online (1962)

Durante a Guerra Fria, Frances Allen é o ponto de contato da IBM com a CIA. Frances é a responsável por desenvolver e implementar a linguagem Alpha na agência, capaz de identificar padrões idiomáticos com rapidez em quase todos as línguas. Alpha tornou-se a base para a quebra de códigos na CIA pelos próximos 14 anos.

7. Uma freira ajuda a trazer a programação para as massas (meados dos anos 60)

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A freira Mary Kenneth Keller é a primeira mulher americana a conquistar um Ph.D. em Ciências da Computação, e foi a primeira mulher a trabalhar no departamento de computação do Dartmouth College, que na época só admitia homens. Lá, Mary ajudou a desenvolver BASIC, uma linguagem de programação que facilita a escrita de softwares por não programadores. Essa freira simpática acreditava que computadores deveriam ser usados para potencializar o acesso à informação e a promover a educação. Keller chegou a escrever 4 livros sobre o assunto.

8. O primeiro computador doméstico é usado (1965)

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Mary Allen Wilkes foi uma formanda em Filosofia do Wellesley College que entrou para a história da computação. Ela trabalhava no MIT e escrevia o sistema operacional de LINC, o primeiro micro-computador. Algum tempo depois de LINC, ela constrói o seu próprio PC em casa e torna-se a primeira usuária de um computador doméstico da história.

9. Buscas de resultados ganham um grande impulso (1972)

A professora Karen Sparck Jones começa uma nova carreira em ciências da computação em Cambridge, onde passa a trabalhar no processamento de linguagem natural e recuperação de informação. Ela introduz o conceito de frequência inversa de documento, um método estatístico que determina o quão importante certas palavras são em um documento – fundamental para consultas de pesquisa. Com algumas variações sobre o método, também conhecido pela sigla tf-idf, tornar-se um componente central dos sites de busca.

 

10. Typo, um dos primeiros corretores ortográficos, é criado (1974)

Lorinda Cherry une-se à empresa Unix e passa a trabalhar em ferramentas de texto, na análise do Federalist Papers e na compressão de uma agenda de telefones digital. Durante o processo, Lorinda ajuda a desenvolver técnicas estatísticas para encontrar erros ortográficos, posteriormente usadas em um dos primeiros softwares corretores, o Typo.

 

11. A primeira startup multimilionária do Vale do Silício abre o seu capital (1981)

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Sandra Kurtzig monta um negócio de programação de software em sua casa para mantê-la ocupada por meio período. Um de seus clientes pede um programa de gestão de recursos, e Kurtzig percebe o potencial para outras aplicações. Ela decide então capitalizar sobre a ideia e contrata uma equipe para desenvolver outras aplicações. A sua empresa ASK Computers não atraiu a atenção de investidores no começo, então a moça continuou investindo o seu próprio dinheiro. Anos mais tarde, Sandra torna-se a primeira mulher a abrir o capital de uma empresa de tecnologia.

12. Steve Jobs tem as suas melhores ideias (começo dos anos 80)

Adele Goldberg começou sua carreira como assistente de laboratório até chefiar o System Concepts Laboratory da Xerox PARC, na Califórnia. Ela desenvolveu uma série de interfaces gráficas para o usuário final – como os cursores, ícones de lixeira – que modificaram e facilitaram a forma old school de controlar um computador, através de comandos. Steve Jobs pediu que Goldberg lhe fizesse uma demonstração de seu software, mas ela se recusou. Pressionada por seus chefes, Adele foi a contragosto e avisou à empresa: “Estamos entregando o ouro!”. Dito e feito: Jobs incorporou várias de suas ideias em seus primeiros desktop Macintosh.

13. A internet fica mais rápida (1985)

Radia Perlman, uma das poucas alunas no MIT, é contratada na Digital Equipment Corp. Ela desenvolve o algoritmo por trás do Spanning Tree Protocol (também conhecido como STP), uma inovação que permite a Internet como ela existe atualmente. O protocolo cria alguns pontos de tráfego que criam uma vasta rede de informações. Por causa desse avanço, ela ganhou o apelido de “mãe da Internet” — um título que ela rejeita.

14. Nasce a criptografia moderna (1985)

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Shafrira Goldwasser  fica fascinada pela teoria dos números e entra no MIT. Junto com Silvio Micali e alguns outros envolvidos, ela define os requerimentos de segurança de esquemas de assinatura digital, que se tornaram uma das peças-chave em criptografia e cybersegurança. Suas contribuições criaram novos campos de estudo na ciência da computação e influenciarão estudos nas próximas décadas.

15. O tráfego na Internet ganha mais um conjunto de regras (1993)

Sally Floyd é uma das pesquisadoras mais citadas em estudos de ciência da computação. Ela ajudou a inventar a Detecção Randômica Antecipada, que é usada em todos os roteadores de internet e é um componente essencial em como uma informação, como um email, vai de um endereço eletrônico a outro.

16. A turma do suporte ganha uma ajuda (2005)

Monica Lam desenvolve o conceito do livePC, que permite gerenciar computadores de maneira segura em grande escala — uma parte importante da infraestrutura de computadores de grandes corporações.

17. Uma mulher ajuda a desenvolver os sites mais famosos da web (início dos anos 2000)

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Marissa Mayer é a primeira engenharia contratada pelo Google. Ela é a responsável pela clássica página de busca e pelo modo como os usuários interagem com o Gmail, Google Notícias e Google Imagens.

Atualmente, ela é conhecida por ser a toda-poderosa chefe do Yahoo.

Esta é uma lista do que entrou para a história, mas atualmente existem muitas mulheres incríveis construindo os produtos que você vai usar amanhã. Mary Lou Jepsen, que está trabalhando em uma tecnologia que fará telefones e computadores dispensarem fontes de energia externa, Corinna “Elektra” Aichele, que está trazendo WiFi a lugares distantes, Monica Lam (de novo ela), que está criando uma Internet mais social, onde os usuários podem compartilhar o que quiserem e serem donos de suas informações, Ruchi Sanghvi, que criou o algoritmo das nossas linhas do tempo do Facebook.

As inovações que as mulheres criam na tecnologia só serão superadas pelas que elas mesmas ainda vão fazer. Thanks sistas.

Via Mic.

De onde saem os doodles do Google da Copa do Mundo?

*Por Julia Costa Teles

Do alto do número 3477 da Avenida Faria Lima, em São Paulo, um grupo de quatro designers passa seus últimos dias no Brasil. Da sala transformada em laboratório de criação saíram os mais de 60 diferentes logotipos do Google (chamados de doodles) que celebraram a Copa do Mundo. E alguns mais estão por vir até a final, no domingo 13 de julho.

Essa foi a primeira vez na história do Google que os doodlers – como são chamados o grupo de 20 funcionários responsáveis por recriar os logotipos da empresa – trabalharam fora do quartel-general da empresa, em Mountain View, na Califórnia. No Brasil, eles estão representados por Matthew Cruickshank, Leon Hong, Sophie Diao e Ryan Germik.

O primeiro doodle nasceu em 1998, quando os fundadores do Google, Larry Page e Sergey Brin resolveram modificar o logotipo da empresa para avisar seus clientes de que estariam fora do escritório participando do festival Burning Man. Dois anos mais tarde, um doodle comemorando o Dia da Bastilha foi tão bem recebido que a empresa resolveu criar um departamento dedicado a celebrar eventos e datas comemorativas.

Segundo Cruickshank, o objetivo da experiência da Copa do Mundo era aproximar os doodlers da cultura e do povo brasileiro. Com isso, a rotina dos quatro mudou por completo. Eles, que em geral fazem seus desenhos com três meses de antecedência e trabalham em cima de lista pré-planejada de efemérides, passaram a criar doodles freneticamente de um dia para outro, às vezes mais de um por dia, para acompanhar o ritmo dos jogos. Além disso, o grupo assumiu o compromisso de representar todas as 32 seleções pelo menos uma vez.

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A inspiração vem da própria competição, das referências locais e das redes sociais. No quartel-general montado pela equipe do Google Brasil, eles têm acesso, em três televisões, ao Google Trends – site de monitoramento de tendências da internet -, às redes sociais dos jogadores, aos jogos quando eles acontecem e ao noticiário no resto do tempo. Além disso, pela hashtag #GoogleDoodles eles recebem sugestões dos fãs. Veja na galeria:

Espalhadas pelo local estão bandeiras de vários países, tabelas da Copa, o álbum de figurinhas oficial da Fifa, um toca-discos com vinis de MPB, camisetas, chuteiras, troféus, rascunhos e mais rascunhos de doodles e um quadro branco. Mas é no computador que as homenagens ganham vida. A grande maioria é feita em Flash, e todo mundo contribui um pouco com as habilidades que possui.

O Google, diferente de outras marcas, optou por apenas retratar a parte boa da Copa. Por isso ninguém viu um doodle sobre a mordida de Suárez, o lance que deixou Neymar de fora ou o 7X1 na semifinal entre Alemanha e Brasil. Cruickshank reconhece que o episódio da mordida daria um doodle engraçado, mas que o objetivo não é polemizar, e sim festejar.

Os mais de 60 doodles feitos para a Copa do Mundo enaltecem o Brasil como país sede, brincaram com as situações do cotidiano – trabalhar quando chefe está por perto e ver o jogo quando ele não está – e relembraram Copas passadas como a de 2010 com Polvo Paul, o maior vidente da história da competição.

Sobre a final, ele lamenta não ter um Brasil e Argentina para desenhar: “Nós esperávamos ver o Brasil e a Argentina na final porque queríamos ver entusiasmo e a paixão pelo futebol, mas acho que as partidas foram justas e todos os times jogaram muito bem. Estamos muito animados para ver quem irá ganhar.” E a respeito do doodle que vai representar a final do torneio, ele adianta algumas ideias: “Podemos mostrar destaques de todo o mês ou talvez fazer algo completamente diferente sobre os times. Independente do que fizermos, esperamos que todos os fãs de futebol ao redor do mundo se divirtam”, afirma o doodler.

Até domingo, alguns doodles mais vão surgir. Se você perdeu algum, saiba que Google fez o favor de reunir todos em uma só página.

Crédito das fotos: Julia Costa Teles

 

Conheça o Moto 360, o relógio inteligente do Google

Moto 360, o novo relógio inteligente do Google
Crédito: Divulgação

Nesta quarta-feira (18), o Google e a Motorola apresentaram o Moto 360, um novo relógio inteligente para a nova plataforma Android Wear (anunciada um dia antes), que é basicamente o sistema operacional de smartphones do Google adaptado para acessórios.  Na verdade, a LG também anunciou um produto com a mesma plataforma, o G Watch, mas o Moto 360 ganha por se parecer mais com um relógio tradicional, de mostrador redondo e pulseira de couro ou metal. A data prevista de lançamento é meados de 2014.

De acordo com o Google, o Android Wear é ativado por comandos de voz, e se parece muito com o sistema operacional do Google Glass, o Google Now, e promete uma série de serviços como aplicativos de redes sociais, chats, notícias, compras, reservas voos, pedir um taxi,  funcionar como controle remoto, e até monitorar sinais vitais.

Os mais velhos vão lembrar do famoso relógio do Dick Tracy, mas em um produto bonito e bem feito, uma plataforma dessas faz muito mais sentido que um óculos como o Google Glass.

Veja no vídeo abaixo em inglês tudo que o Android Wear promete. Você usaria?