Miranda July e o seu app Somebody

Na hierarquia atual das telecomunicações, um telefonema é um recurso de última instância e símbolo de grande intimidade. Quem nunca usou o whatsapp, por exemplo, para se desculpar por uma mancada que deveria ser remediada no mínimo pessoalmente (e/ou com flores)? Quem nunca se viu preso em uma DR infinita no chat do Facebook? Quem nunca tomou um pé na bunda via iMessage?
Pensando nisso, a artista/diretora/escritora Miranda July decidiu humanizar um dos recursos tecnológicos mais banais que carregamos para cima e para baixo nos nossos telefones: as mensagens de texto. Somebody é um aplicativo de mensagens criado em parceria com a marca Miu Miu que permite escolher um usuário desconhecido para entregar um recado ao seu destinatário.

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Como funciona: você digita a mensagem, escolhe a entonação com a qual ela deverá ser entregue e seleciona alguém próximo à pessoa com quem você realmente quer falar. Este usuário (provavelmente um estranho) deverá encontrar a pessoa certa e entregar a mensagem verbalmente, agindo como seu substituto. O mais legal: você pode incluir ações na entrega, como um “high-five”, um abraço apertado ou um choro copioso.

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Mas Somebody não nasceu como um app. No começo do ano, Miu Miu convidou Miranda para criar um filme sobre a sua nova coleção, o que deixou a artista apreensiva: “Todos os meus personagens são extraídos da vida real, do dia-a-dia, então no começo não tive certeza se conseguiria vestí-los com alta costura. Depois que me apresentaram as roupas eu entendi tudo, e as imagens começaram a surgir naturalmente”. Passou a imaginar mulheres de todas as idades usando os seus celulares e aplicativos em situações cotidianas vestindo aquelas peças. A imagem não saía de sua cabeça, por isso decidiu ouví-la com atenção.

Assim como a alta moda de Miu Miu seria “hackeada” por ela e usada de forma utilitária no seu filme, o mesmo poderia ser feito com a tecnologia. “Normalmente não questionamos a tecnologia que usamos. Ela é preciosa e nos sentimos sortudos simplesmente por poder usá-la.” A artista respondeu ao convite de Miu Miu perguntando se, além do filme, eles não animariam desenvolver um aplicativo com a premissa de Somebody. A resposta positiva veio em minutos, e Miranda se viu envolta em um processo criativo totalmente novo.

Mas é claro que em terra de Emojis, quem tem voz é rei, por isso é bom deixar o Somebody quietinho depois de algumas taças de vinho. Você provavelmente não quer acionar um desconhecido para abordar o seu ex em uma balada e lembrá-lo dos velhos tempos. Mesmo assim, obrigada Miranda, finalmente um app que incentiva a interação na vida real – e não só  para uma boa noite de sexo.

 

Artista coloca emojis em pinturas clássicas

Se a arte representa o estado de espírito de um povo em um determinado momento, a artista ucraniana Nastya Ptichek acertou em cheio na série de montagens Emoji Nation, em que incorpora emojis, aqueles ícones usados em chats e mensagens de texto, em quadros de pintores famosos como Edgar Degas, Edvard Munch, Pablo Picasso, Caravaggio e Edward Hopper.

Além de emojis, ela também usa imagens de redes sociais, como Facebook, Instagram, partes de sites do Google e mensagens de erro do Windows.

Segundo contou ao site da Wired, Nastya teve a ideia quando percebeu como alguns emojis do iPhone (o Grito de Munch sendo o mais clássico de todos) lembravam pinturas famosas, como pinturas conhecidas, e resolveu criar a série. Olhe como ficou:

"Duas bailarinas entrando no palco", Edgar Degas
“Duas bailarinas entrando no palco”, Edgar Degas
"A bebedora de absinto", Pablo Picasso
“A bebedora de absinto”, Pablo Picasso
"O Grito", Edvard Munch
“O Grito”, Edvard Munch
"Saturno devorando seu filho", Goya
“Saturno devorando seu filho”, Goya
 "A Travessia", Léon Spilliaert
“A Travessia”, Léon Spilliaert
''Domingo'', Edward Hopper
”Domingo”, Edward Hopper
''Conferência à Noite'', Edward Hopper
”Conferência à Noite”, Edward Hopper
''Noite de Verão'', Edward Hopper
”Noite de Verão”, Edward Hopper
Excursão filosófica, Edward Hopper
Excursão filosófica, Edward Hopper
"Luz do Sol em uma cafeteria", Edward Hopper
“Luz do Sol em uma cafeteria”, Edward Hopper
"A criação de Adão", Michelangelo
“A criação de Adão”, Michelangelo
"Ascensão de Cristo", Dosso Dossi
“Ascensão de Cristo”, Dosso Dossi
"A traição das imagens", René Magritte
“A traição das imagens”, René Magritte
"Jardim das Delícias", Hieronymus Bosch
“Jardim das Delícias”, Hieronymus Bosch

(Via Mashable)

(Crédito de todas as imagens: Nastya Pitchek)