Realidade virtual faça-você-mesma

*Por Natasha Madov

(Matéria publicada no UOL Tecnologia em 01/0/2015)

Se alguém te disesse que um pedaço de papelão pode transformar o seu smartphone em um visor de realidade virtual, você acreditaria? Pois é, o Google Cardboard faz exatamente isso.

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O visor vai custar US$ 30 (cerca de R$ 101) e as vendas estão previstas para começar no início do ano escolar americano, em setembro, mas algumas lojas não-oficiais já começaram a vender. A parte mais legal, na verdade, é que você nem precisa comprar o produto. O Google disponibilizou um layout com as dimensões certinhas para cortar, dobrar e montar o visor. É “só” colar sobre um papelão firme e seguir as instruções.

 

 

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É claro que não é uma experiência super imersiva como o Oculus Rift, mas com um bom par de fones de ouvido e usando os aplicativos disponíveis no Google Play ou na Apple Store (busque por Cardboard) dá para ter um gostinho de como a  realidade virtual pode fazer parte do no nosso dia-a-dia. Baixe o app da montanha-russa e experimente voar pela sua sala, ou simplesmente fique sentadinho no piano do Paul McCartney enquanto ele toca Wings. Sim, ter que segurar o aparato não ajuda a manter o realismo, mas o Google não pretende te vender algo perfeito, e sim uma porta de entrada para um outro tipo de entretenimento: barato, divertido e democrático.

Um público que a plataforma está dando atenção especial é o infantil com o Expeditions. Trata-se de um aplicativo educacional disponível para tablets Android que transmite imagens em 360 graus de vários locais diferentes a smartphones acoplados a visores Cardboard — é como se fosse uma excursão sem sair da sala de aula.

Além de imagens geradas pelo Street View, o Google montou parcerias com museus como o Smithsonian, Planetary Society e o Museu Americano de História Natural para criar “viagens” pelas ilhas de Galápagos, Parque Yosemite, muralha da China e até mesmo Marte <3

Outro produto ligado à plataforma é o Jump, focado nos criadores. É um suporte para 16 câmeras (a GoPro já é parceira oficial) e um software de edição de vídeo que junta as imagens captadas pelas câmeras e as transformam em uma sequência em 360 graus. E finalmente, vídeos captados pelo Jump estarão disponíveis via Youtube, sem a necessidade de um app especial.

Créditos das imagens: Divulgação Google.

Spylight: o Shazam da moda

Você já usou o Shazam ou o SoundHound alguma vez? São aplicativos que identificam o som que está rolando em um ambiente. Você abre o app, toca o botão “ouvir” e ele ativa o seu microfone. É tão eficiente que até um assobio bem feito eles são capazes de reconhecer. Nessa pegada, também recomendamos o TrackID TV, que tem a mesma lógica, mas que serve para identificar qual é a série ou filme que está passando na TV. Mesmo esquema: abra o aplicativo e ele fará a sua mágica.

Já o Spylight, aplicativo recém-lançado nos Estados Unidos, identifica o look que um personagem de TV está usando, te diz onde comprá-lo e de quebra ainda te mostra opções mais econômicas. Por enquanto o esquema ainda é bastante manual: a empresa desenvolvedora fez parcerias com os grandes estúdios, que passam as fichas técnicas dos figurinos. Pense nos looks fofos que você já viu em Girls, Mad Men, How I met your Mother, New Girl, Big Bang Theory. Tem até os vestidos matadores da Claire Underwood, essa deusa loira do Netflix.

 

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No site, você consegue procurar por séries de TV e filmes, e então escolhe o personagem que quer stalkear ou o episódio onde viu aquela saia que não sai da sua cabeça. Ainda não é tão mágico e preciso quanto a gente gostaria (alguns ítens são apenas “similares”), mas mesmo assim piramos nos looks da Peggy Olson, de Mad Men e da Daenerys Targaryen, de Game of Thrones. Tem até as chinelas estilo-Raider do Mark Zuckeberg no filme “A Rede Social”.

 

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(Aliás, através do app descobrimos todo um nicho de vendedores no eBay que reproduzem os vestidos da Khaleesi. <3)

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Por enquanto só funciona em iOS (iPhone) e ainda não funciona no Brasil, mas deixe a Rede Globo botar a mão nisso: vão ter que cadastrar milhares de camelôs 😉

5 aplicativos para fazer diário

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ilustração por Bruna Zanardo*

 

Quantas vezes na vida você já começou um diário nos primeiros dias do ano e conseguiu mantê-lo por mais de algumas semanas? Se a sua resposta for “nunca”, você precisa conhecer uma nova leva de aplicativos que tem mudado a nossa relação com os nossos registros pessoais. O micro-journaling, como é chamado este novo formato, é um hábito facinho de manter.

Aplicativos de micro-journaling incentivam o seu usuário a alimentar o feed diariamente. Seja através de conteúdo inserido manualmente (textos, fotos, links), perguntas randômicas ou pelo registro automático das suas atividades nas redes sociais. Neste último caso, você passa a alimentar passivamente o seu diário com as suas ações digitais, como check ins, posts, fotos do rolo da sua câmera, e assim mapear como foi o seu dia. Chamados de loggers, os apps também te impulsionam a registrar pensamentos, histórias, e elementos complementares ao que já foi postado.

Fizemos uma lista de alguns que vão te ajudar a manter o hábito saudável de escrever sobre nós mesmos. Sem ego, sem filtro e de maneira privada.

 

 Rove

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Pra quem nunca conseguiu manter um diário, este app é uma boa opção. O Rove coleta passivamente (e com a sua autorização) todas as atividades do dia que envolvem o seu smartphone. Exemplo: ele registra os seus deslocamentos e inclusive identifica automaticamente se o trajeto foi feito a pé, de carro, de bicicleta etc. Ele também te geolocaliza sem a necessidade de check-in, usa as fotos que você tirou ao longo do dia e conecta as músicas que você ouviu com momentos específicos. Também tem espaço para notas pessoais, claro. Uma função querida é “exportar uma história”, que gera uma imagem para compartilhar nas redes com os melhores momentos do dia. Pode ser um diário de viagem interessante. No final do dia ele ainda te pergunta: “como foi o seu dia?”

(para iPhone e Android, gratuito).

 

Timehop

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Você se lembra como foi o seu dia há exatamente um ano? Este aplicativo faz isso de forma passiva, sem que você precise inserir informações manualmente, assim como o Rove. Você recebe lembretes das fotos que tirou, do que postou no Facebook, no Instagram ou Twitter, dos seus check-ins no FourSquare e ele ainda te permite sincronizar o feed com iPhoto e DropBox. O app prepara lembretes diários para te mostrar o que estava acontecendo há um, dois ou três anos, com a temperatura local e possibilidade de compartilhamento nas redes sociais. Fofinho para mandar lembranças para os amigos/família/amor em datas especiais.

(para iPhone Android, gratuito)

 

Askt

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A premissa é muito simples: o Askt quer te incentivar a escrever sobre você e suas questões mais íntimas de forma rápida, simples e cativante. Com o formato de um bloco de notas muito espartano, o aplicativo faz uma pergunta provocadora e objetiva por dia. Elas são imprevisíveis e fixas, você não pode simplesmente pular para a próxima. Alguns exemplos: “Descreva a sua ética profissional”,  “Quem você gostaria de conhecer melhor?” ou “Escreva a primeira sentença da sua autobiografia”.

(para iPhone, gratuito)

 

Momento

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Este é o mais “parrudo” de todos e funciona basicamente como o Timehop, só que integrado com mais redes: Facebook, Twitter, Vimeo, Youtube, Last.FM, Flickr (?!), Instagram, a sua agenda e até os seus trajetos no Uber. A diferença é que, aqui, a experiência é mais focada na produção de texto, a experiência mais clássica de um diário pessoal. A interface é bonita, é fácil de usar e a possibilidade de usar tags ajuda muito na hora de procurar momentos, pessoas e histórias específicas.

(para iPhone, US$2,99)

 

Day One

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Tão elegante e simples que dá até vontade de escrever diariamente. O DayOne também está na categoria de diários passivos mas oferece uma experiência bem completa e mais integrada. A começar que também existe uma versão para Mac (US$9,99) e o sync entre as contas é impecável, inclusive com o iCloud. A informação fica segura na nuvem e o app pode ser aberto apenas com senha ou Touch ID (só para iPhones 5S em diante).  Você também pode exportar PDFs só de tags específicas, receber lembretes diários ou semanais e ver estatísticas relacionadas as suas atividades.

(para iPhone, US$4,99)

 

* ilustração: Bruna Zanardo se formou em moda e criou sua própria marca de roupas ainda no colégio para poder dar vida às estampas que criava. Hoje se dedica a projetos de design, ilustração e estamparia. Cresceu em São Paulo mas vive em Chicago, onde trabalha para clientes de lá e de cá.

 

 

 

 

#testamos: o foursquare da maconha

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Clássico na internet é aquele post engraçadinho do seu amigo hippie/descolado às 4:20 da tarde. Para quem não sabe, o número 420 faz referência à maconha e a cultura do seu consumo. Uma espécie de código secreto (#sqn) que identifica fumantes ou entusiastas da cannabis.

O brasileiro João Paulo Costa também acha que maconheiros gostam de deixar rastros de seus hábitos internet afora, por isso criou o Who is Happy, uma espécie de FourSquare para maconha. Nele o usuário faz check in no lugar onde está fumando o seu baseado e compartilha anonimamente com a sua rede (ou posta nos seus perfis públicos autorizados). Obviamente o app não marca a sua posição exata, mas a cada check-in uma nuvem de fumaça verde se espalha pelo Google Maps. Muito amor.

Além do mapa permitir ver os bairros mais “felizes” da sua cidade, ele te mostra um ranking dos países que mais participam da brincadeira.

 

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Testamos por aqui e ele ainda está um pouco atrapalhado: a tela inicial travou três vezes seguidas, o mapa não se mexia e a lista dos países não carregou de primeira, mas nada que uma atualização para limpar os bugs não resolva.

Em entrevista à Folha de São Paulo, João contou que usa a cannabis e os seus derivados para combater os sintomas da sua epilepsia. Por enquanto o modelo de negócio ainda não está definido, mas ele já sabe que pretende focar a sua busca por investimento fora do Brasil. Ainda segundo a Folha, fundos de investimento nos Estados Unidos injetaram mais de US$90 mi em 29 empresas de ferramentas tecnológicas ligadas ao assunto em 2014, por conta da gradual legalização da droga no país. João quer pegar esse vento a favor, o foco agora é conseguir usuários. #táfácil

(para iPhone e Android, gratuito)

 

(imagens: reprodução do aplicativo Who is Happy)

Respire fundo: 6 aplicativos de meditação

* Por Cora Poumayrac Nieto e Diana Assennato

 

headspace

 

Ok, a gente sabe: a resolução campeã de começo de ano é o combo entrar na academia, fazer dieta, perder uns quilos.

Mas você já ouviu a expressão em latim mens sana in corpore sano (uma mente sã em um corpo são)? Pois é. Para abrir 2015, a gente vai te ajudar a ganhar mais paz de espírito e clareza de mente, com nossa lista de aplicativos que ensinam a meditar. Escolha o seu, respire fundo e comece seu ano com mais leveza.

 

1) 5 minutos – Eu medito 

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A campanha “5′ Minutos, Eu Medito” é desenvolvida pela ONG Mãos Sem Fronteiras em mais de 35 países com o objetivo de desmistificar e difundir a prática da meditação. É bem simples de usar e está disponível em várias línguas, inclusive em português. As funções são básicas: medidor de tempo meditado e lembretes para as próximas pausas. Os gráficos são fofos e te ajudam a entrar no mood da meditação com mini-aulas de preparação.

(para iPhone e Android, gratuito)

 

2) Buddhify²

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Perfeito para quem não sabe por onde começar. O app tem design colorido e muitas escolhas de programas, focados em diferentes situações e estados de espírito. Uma roda de arco-íris pergunta o que você está fazendo, e te oferece algumas opções de relaxamento para aquela situação específica. São mais de 11 horas gravadas e você consegue acompanhar suas estatísticas de performance.

(para iPhone e Android, US$2.99)

 

3) Headspace

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Esta é uma excelente escolha para quem procura meditação guiada (apenas em inglês) para começar sem dor. Antes de iniciar qualquer atividade, o app te convida a assistir três vídeos que resumem de forma muito prática os princípios básicos da meditação e como ela atua na mente. É bem focado no dia-a-dia de quem está começando. O criador do app, Andy Puddicombe era monge budista e se tornou empreendedor milionário e palestrante do TED graças à usabilidade impecável do app (e ao seu sotaque britânico que conduz a meditação <3). Você aprende o básico em 10 sessões de 10 minutos, ganha pontos por regularidade e pode salvar gravações para usar quando estiver offline. É o preferido das celebridades inglesas.

(para iPhone e Android, gratuito para as primeiras dez sessões)

 

4) Calm 

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Lindo! Minimalista e meticuloso, o aplicativo começa ensinando os 7 passos da calma (postura, respiração, etc.) e se propõe a ser a sua válvula de escape quando a pressão estiver forte demais. Além de calma, os programas também tratam de foco, perdão, gratidão, força e paz interior, motivação, aceitação e sono. A gravação é uma voz feminina sexy e às vezes divertida, que lembra um a voz da Samantha do filme Ela, só que um pouco mais coxinha. A versão grátis oferece 10 meditações para diferentes situações, e a compra da versão Pro, por US$4,99 para três meses, traz mais séries e mais músicas. Tem também para a web.

(para iPhone e Android, gratuito)

 

5) Smiling Minds

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Desenvolvido na Austrália, este é voltado principalmente para crianças e jovens. Divide-se em três faixas etárias de sete a 22 anos, e mais uma para adultos. O objetivo deste projeto (sem fins lucrativos), é promover a meditação como forma de explorar o momento presente, focando sua atenção e consciência de maneira específica. “Queremos dar ferramentas para ajudar a criar jovens felizes, saudáveis e com compaixão”, diz a empresa. Também tem versão web.

(para iPhone e Android, gratuito)

 

6) Breathe2Relax

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Não é bonito e mais parece um site em flash dos idos 00s, mas este app é focado em desenvolver habilidades respiratórias para usá-las no relaxamento do corpo e da mente. Ele basicamente começa ensinando o que é a respiração diafragmática e os seus benefícios, detalha os efeitos do estresse e ensina diferentes exercícios para levar o corpo a um estado mais relaxado, para reduzir a ansiedade e estabilizar o humor.

(para iPhone e Android, gratuito)

(Imagens: Divulgação)

 

Hanx Writer, o app que simula uma máquina de escrever

Clack, clack, clack, clack. Fiiiiiiiit. Clack, clack, clack, ding! Se você tem mais de 30 anos, já deve ter usado (ou brincado com) uma máquina de escrever, aquele assombro da engenharia humana que criou um processador de texto acoplado a uma impressora que nem precisa nem de eletricidade. Quer retomar a sensação de escrever em uma? Basta baixar o Hanx Writer, um aplicativo gratuito para iPad criado pelo ator Tom Hanks.

Tela do Hanx Writer, com o teclado de máquina de escrever. Crédito: Reprodução

Ele imita uma máquina de escrever nos mínimos detalhes, inclusive em todos os sons e com animações que evocam o movimento de colocar um papel na máquina, rodar a bobina etc. A experiência é mais agradável com um teclado Bluetooth acoplado, mas funciona bem com o teclado do próprio tablet.

O aplicativo vem com um modelo de máquina de escrever e funções básicas, mas permite que você salve o que escreveu em um pdf e mande por email ou salve no Google Drive, Dropbox, enviar para o Kindle e outros serviços, funcionando como um processador de texto bem básico.

Mas ele não ignora as facilidades da vida moderna. A tecla de backspace, que apaga o que já foi digitado, funciona normalmente, mas você pode desabilitar a função e ir na manha, como nos velhos tempos digitando XXXX em cima dos erros.

Um pacote extra de funções (que é pago) dá direito a mais dois modelos de máquina de escrever, mais moderninhos, suporte a múltiplos documentos, a possibilidade de trocar a “bobina de tinta” para azul e vermelho e alinhar o texto de três diferentes maneiras. Um detalhe divertidinho é que se você desabilita o som, as letras saem mais claras, como se você não estivesse fazendo tanta força para digitar. Mas a graça toda da coisa é o barulho, não é mesmo?

 

Carta do Tom Hanks explicando seu amor por máquinas de escrever e porque criou o app. Crédito: Reprodução.
Carta do Tom Hanks explicando seu amor por máquinas de escrever e porque criou o app. Crédito: Reprodução.

O app está fazendo sucesso: já chegou ao primeiro lugar na App Store no ranking dos aplicativos gratuitos, segundo o Mashable. Para os brasileiros, no entanto, o Hanx Writer tem um defeito grave: não há suporte para caracteres especiais ou acentos, o teclado é 100% americano. Até isso ser consertado, a única coisa que dá para fazer é brincar com a máquina de escrever, igual aos tempos de criança.

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Secret, privacidade e a web profunda

Por Eden Cardim*

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crédito da foto: Nuno Martins

Já vivemos na segunda geração de redes sociais e temos uma certa familiaridade com elas. A principal característica dos usuários dessas redes é a construção de uma espécie de personagem digital que conversa com um público específico. Quase todos fazem isso em algum nível, alguns mais, outros menos. A boa construção do personagem é o que determina o seu sucesso na rede, inclusive, os de maior sucesso são fictícios e até certo ponto anônimos, tais como “OCriador e a “Dilma Bolada“.

Essa semana, descobri e instalei o aplicativo Secret no meu Android e fiquei instantaneamente maravilhado. A premissa é simples, trata-se de uma rede social, como outra qualquer, exceto pelo fato de que todos os usuários são anônimos. A única informação divulgada a seu respeito é se você pertence ao meu grupo de amigos de facebook, se é um amigo de amigo e a sua proximidade. O anonimato tem mostrado um efeito radical no conteúdo publicado pelos usuários, que eu atribuo ao fato de que a construção do personagem simplesmente não existe. Se o grande diferencial do twitter é que ele obriga as pessoas a serem concisas e objetivas com suas publicações, agora é possível recriar o personagem inteiro a cada publicação, ele nasce e morre ali mesmo, junto com o post. Segundo o co-fundador David Mark Byttow, ex-funcionário do Google, o fato de você saber que são amigos falando coisas que eles nunca te contariam caso fossem identificados, é o grande diferencial do Secret. As pessoas têm usado o app com diversos propósitos: como confissionário, como lugar para fazer perguntas e dar respostas a questões controversas, e é claro, para publicar, falar e curtir conteúdo adulto. Afinal de contas há um ditado popular no mundo digital que diz que tudo na Internet tem um único propósito: sexo.

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Moralismos à parte, o anonimato cria uma realidade completamente nova para os usuários de Internet e a popularização do aplicativo deixa claro que o poder de se comunicar irrestritamente é uma necessidade humana que ainda tem muito espaço para ser preenchida. Com tão pouco tempo de vida, o aplicativo está gerando debates acalorados sobre privacidade e  liberdade civil na Internet. Inclusive já existem várias denúncias de difamação  girando em torno de publicações que expõem adolescentes, principalmente meninas, como alvo de um tipo de bullying muito mais agressivo e destruidor por ser anônimo. Além disso, não é difícil cruzar com posts que fazem apologia à homofobia, racismo, pedofilia e tráfico de drogas. As brigas judiciais envolvendo o app podem inaugurar a aplicação das leis de privacidade do Marco Civil no Brasil.

Leia também:

O que é o Marco Civil da Internet?

Apesar dessa febre por aplicativos que nos tornam “invisíveis”, a tendência ao anonimato  é bastante antiga. A informação na Internet é, na verdade, parecida com um iceberg; a ponta é o conteúdo comum a qual todos tem acesso no dia-a-dia, chamada de WWW (World-Wide Web), mas o grande volume de informação que trafega na Internet está escondida sob a superfície e se chama “Deep Web” (web profunda). Estima-se que a Deep Web é cerca de 500 vezes maior que a WWW em volume de dados, que não são indexáveis pelos mecanismos de busca tradicionais como Google, Bing e Yahoo. Boa parte da informação está distribuida em redes par-a-par (peer-to-peer ou P2P), que basicamente criptografa e replica os dados entre vários computadores de forma que nenhum indivíduo específico seja o único responsável pelo armazenamento e distribuição de informação.

Hoje em dia a forma mais segura de navegar pela Internet anonimamente é usando o TOR, um browser que permite que você acesse qualquer website sem que ninguém saiba de onde vem o acesso. Trata-se de um browser, similar ao Google Chrome ou Safari, porém ele implementa uma tecnologia adicional que permite seu uso como intermediário para outras pessoas. Sempre que você acessa um website, a informação é dividida e criptografada, trafegando por diversas máquinas de outras pessoas que também estejam usando o browser do TOR. O caminho que a informação percorre é escolhido aleatoriamente a cada acesso e a cada clique, por isso o site reconhece o seu acesso como se tivesse vindo de um lugar diferente. O mesmo se aplica ao caminho inverso: você pode abrir um website anônimo que só será acessível dentro do TOR e ninguém saberá onde ele está hospedado. O anonimato fornecida pelo TOR é tão eficiente que um dos websites da web profunda mais poderosos, chamado “Silk Road“, ficou conhecido como o “Amazon das drogas ilícitas”. O FBI levou 3 anos para encontrá-lo. Durante esse período o serviço arrecadou $1,2 milhão por mês e só foi encontrado porque seu dono entrou por acidente numa rede comum fora do TOR.

Leia também: 

Você sabe como proteger a sua privacidade no Facebook?

Dessa forma, informações que seriam geralmente controversas podem ser consultadas sem o constrangimento que as pessoas normalmente sentiriam. É possível criar pseudônimos em fóruns de discussão pública tendo a certeza de que ninguém jamais conseguirá rastrear o originador das publicações.  O potencial é enorme, já que as pessoas podem pesquisar a respeito de assuntos considerados tabu sem serem discriminadas, tal como sexualidade, drogas, doenças e podem até formar grupos de recuperação de anônimos online. Mesmo em casos mais simples, o anonimato também é útil quando se usa Internet em locais públicos, para garantir que sua informação não será monitorada ou usada para outros propósitos.

A sensação de liberdade obtida pelo anonimato muda completamente a perspectiva da busca por informação. Como ainda estamos compreendendo as implicações desse tipo de comunicação, existe um debate acirrado a respeito do uso dessas tecnologias, elas podem ser usadas de maneira perfeitamente inócua e também de maneira ilícita. Cabe a você definir os limites de até onde vai sua própria moralidade e sempre fazer bom uso da tecnologia como entender melhor.

 

eden cardim*Eden Cardim é formado em ciência da computação, especialista em engenharia de software, entusiasta de software livre, misturador de tecnologia com arte e criador de felinos. Foto: Arquivo pessoal.

5 apps para massagear o seu cérebro

Nem só de Instagram e Facebook  devem ser feitos os nossos momentos de ócio enquanto esperamos uma fila no mercado ou a consulta no dentista. Existe vida além de ver o que nossos amigos estão fazendo, né gente?

Nós compilamos uma série de apps que vão deixar o seu cérebro ativo e azeitado, mesmo nos momentos mais inúteis. Alguns chamam essa categoria de “brain puzzles” (quebra-cabeças cerebrais), mas nós a chamamos de “crossfit cerebral”. Eles são todos em inglês, mas na maioria dos casos, não é necessário um grande conhecimento para usá-los.

 1) Lumosity

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Este app oferece uma série de desafios pensados exclusivamente para desenvolver partes diferentes do nosso cérebro. Alguns jogos desafiam a nossa capacidade de resolução de problemas, outros a nossa rapidez associativa. A maior parte deles trabalha a atenção, a memória e a rapidez cognitiva. Os treinos são super rápidos e vão se tornando mais difíceis.  Os resultados melhoram quanto mais se joga, é impressionante o progresso!

Para iPhone, GRATUITO.

 

2) Dots

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É o Candy Crush dos hipsters e altamente viciante. A premissa é muito simples mas por isso mesmo a estratégia se torna a chave da brincadeira. O objetivo é ligar os pontinhos da mesma cor para atingir a pontuação máxima. Conecte a sua conta com os seus amigos e veja a competitividade tomando conta de vocês.

Para iPhone e Android. GRATUITO.

 

3) Tuple

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Antes de nada: este jogo não é um app propriamente dito, ele é uma espécie de site que funciona no seu smartphone como um aplicativo normal. Para quem já jogou Set, é exatamente a mesma coisa. Para os iniciantes, o objetivo é reconhecer padrões de trios levando em conta três variáveis: cor, formato e quantidade. Sem brincadeira, é um dos jogos mais desafiadores da nossa capacidade cognitiva e um grande estimulador neurocerebral.

Para iPhone e Android. GRATUITO.

 

4) Huebrix

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Lembra do jogo da cobrinha dos Nokia velhos de guerra? Pois bem, este aplicativo lembra um pouco aquela lógica, mas de uma forma bem mais divertida em uma espécie de quebra-cabeça. Você tem que preencher espaços baseado em cores e tamanhos de cobras. É ótimo para treinar a nossa capacidade de associação espacial.

Para iPhone (US$ 1,99) e Android (GRATUITO).

 

5) Little Alchemy

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Um jogo fofo e simples que faz a gente se sentir meio Deus. O desafio é criar o maior número de elementos possíveis começando apenas com quatro: água, fogo, ar e terra. Junte água e fogo e você terá vapor. Junte fogo e terra e terá magma. São 300 elementos esperando para ser descobertos.

Para iPhone e Android e também versão web.

 

* Delícia receber outras indicações legais! A Maíla, o André e a Carolina indicaram estes:

 

*) Flow

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Você tem que ligar os pontos da mesma cor, completando o quadro inteiro, para formar uma espécie de “encanamento” (daí o nome, Flow, “fluxo” em inglês), no menor número de tentativas possível.

Para iPhone e Android (GRATUITO).

 

*) RoboLogic

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Esse é para brincar de programador. O objetivo é fazer o robozinho ativar os cubos laranja, usando uma série de comandos oferecidos pelo jogo, como andar para a frente, virar à esquerda e direita, pular, etc.

Para iPhone (US$0.99). Há uma versão gratuita.

 

*) Unravel 

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A proposta é desemaranhar as linhas ligadas pelos círculos ao trocá-los de lugar pela tela. Você sabe que deu certo quando as linhas passarem de vermelhas para azuis. É estranhamente relaxante, talvez por causa da trilha sonora meio new age do jogo.

Para iPhone (US$ 0.99) e Android (GRATUITO). Há uma versão gratuita para iPhone.

 

Lembrou de algum que a gente não mencionou? Deixe o seu comentário aqui 🙂

Crédito das fotos: Reprodução.

Cloak traz o modo incognito para a vida real

A essência das redes sociais sempre foi aproximar pessoas de amigos, da família, dos colegas e, às vezes,  de gente nem tão querida ou necessária na nossa vida. Mas e se fosse possível evitar um encontro com o seu chefe em um festival de música, ou com o ex em uma exposição através do seu celular?

Conheçam o Cloak (apenas para iOS): um aplicativo que usa a sua localização para te avisar sobre os perigos do mundo offline. Por enquanto, ele só cruza os dados de Foursquare e Instagram, mas quando todas as contas estão conectadas no app, ele mostra uma lista de amigos que estão por perto. Marque alguém e você será avisada cada vez que a pessoa estiver perto demais. Olha só como ele funciona:

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O projeto é do ex-diretor criativo do Buzzfeed, Chris Baker. Nessa pegada anti-social ele também inventou o Rather, uma extensão de Google Chrome que permite trocar conteúdo indesejado do Facebook  (fotos de bebês, celebridades, BBB, spoilers) por temas que sejam mais do agrado do freguês (como gatos, por exemplo, ha).

(Crédito das imagens: Reprodução)

7 aplicativos que vão melhorar sua produtividade

1) Pocket

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Perfeito para guardar todas as coisas interessantes que cruzam o nosso caminho na internet e não temos tempo de ver naquele minuto. Um vídeo legal que alguém enviou, uma matéria mais longa que você quer ler com calma, um tutorial de maquiagem com um milhão de passos: o Pocket armazena tudo isso em um só lugar. O aplicativo é fácil de usar e sincroniza perfeitamente entre o computador e o smartphone. A versão web funciona muito bem, mas vale a pena baixar a extensão para o Chrome, assim, cada vez que algo te interessar você só precisa clicar em um botão. Além de prático, o design é lindo.

Para iPhone, Android, GRATUITO.

2) Clear

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Se aplicativo tivesse gênero, este seria um macho-alpha. Ele cria listas simples e sem frescura, mas com um design lindo, de uso intuitivo e fácil de gerenciar. Funciona muito bem para lista de tarefas, mas como ele permite criar categorias diferentes, serve para qualquer outra coisa: lista de filmes para ver, dicas de restaurantes, lista de supermercado, coisas para colocar na mala, etc.

Para iPhone, US$ 4,99.

3) Tell me later

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Indicado para pessoas com péssima memória recente e que precisam de uma ajuda para lembrar de coisas a curto prazo. Sabe aquela ligação que você tem que retornar em uma hora? Ou a roupa que você precisa buscar na lavanderia ao sair da academia? Marque um horário e o aplicativo te avisará. É melhor do que o alarme do seu telefone, porque no Tell me later é mais rápido e simples acrescentar um lembrete.

Para iPhone, US$ 0,99.

4) TripIt

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Seja você uma jetsetter ou não, é sempre muito trabalhoso manter todas as informações de uma viagem em um só lugar. O TripIt é um organizador de viagens, com o benefício de que nele os detalhes não precisam ser acrescentados manualmente. É só conectar a sua conta de email no seu perfil e encaminhar todas as confirmações de reserva de hotéis, passagens, aluguel de carro, passeios ou reservas de restaurantes para plans@tripit.com. O sistema deles interpreta as informações e categoriza tudo por ordem cronológica, com localizadores, endereços e alarmes de horário. Além disso você pode se conectar com outras pessoas e mantê-las avisadas sobre a chegada do seu vôo. Ótima versão web.

Para iPhone, Android, GRATUITO.

5) The Vault

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O aplicativo de notas do seu smartphone com certeza funciona para muitas coisas, mas não para assuntos que exigem uma certa privacidade. O The Vault quer ser o cofre do seu smartphone: nele você pode salvar todas as suas senhas de cartão de crédito, fotos comprometedoras, arquivos e PDFs secretos.

Para iPhone, GRATUITO.

 6) Workflowy  

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Se você precisa escrever um texto longo, descrever um processo de muitos passos, criar um fluxo de pensamento ou concatenar algumas ideias, o Workflowy é perfeito pra isso. Além de clean e simples, o uso é muito intuitivo e ajuda a segurar a concentração por não ter muitas firulas e funcionalidades. A versão web é quase espartana, mas funciona muito bem.

Para iPhone, Android, GRATUITO.

7) Gift Plan

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Família grande, muitos amigos no Facebook ou uma lista de clientes para bajular? Este app permite organizar as datas de aniversários e definir presentes para todos os que merecem. Você pode importar o calendário do seu Facebook, salvar informações de tamanhos ou preferências para cada aniversariante e receber alertas semanas ou dias antes do evento.

Para iPhone, US$ 2,99.

* Recebemos duas dicas ótimas das nossas leitoras através da nossa página do Facebook:

Wunderlist

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É um bom app de listas e também funciona como o Tell me later. Bem democrático, funciona em todos os devices com sync lindo. Dica da Helena Nacinovic.

Para iPhone e Android, GRATUITO.

Note Plus

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Ótimo para quem tem tablet, funciona como um caderno do futuro: além de permitir escrever com a caneta e depois converter para texto, o app também tem gravador de áudio e permite organizar o conteúdo por pastas. Perfeito para usar na aula, já que ele permite fazer anotações enquanto grava a voz do professor. Sugestão da Lucí Castor de Abreu.

Para iPhone, US$9,99.

(Crédito de todas as imagens: Reprodução)