Como a internet lida com a morte?

Na Internet, tudo parece efêmero e novo o tempo todo, mas a verdade é que não percebemos as pegadas digitais que deixamos bit a bit, feito migalhas de pão. Sites e serviços armazenam as nossa criações musicais e visuais, opiniões, dados pessoais, produção intelectual e milhares de gigas em dados. Aos poucos, nos tornamos acumuladores digitais desenfreados. Mas o que acontece quando morremos já que, na rede, tudo permanece?

giphy

Já é comum ver perfis em redes sociais sobreviverem à morte de seus donos. Eles se tornaram parte do processo de luto da sociedade contemporânea, e chegam a durar anos sendo alimentados por familiares e amigos saudosos em datas especiais. O Youtube, Twitter, Facebook e Dropbox desenvolveram políticas e ferramentas para ajudar as famílias dos que morreram, mas ainda assim a legislação ainda é um pouco vaga sobre o que pode ou não ser feito com esses dados. Em setembro do ano passado, por exemplo, o Instagram cometeu uma gafe pesada ao soltar um post agendado, pago pela Apple, no perfil da atriz Joan Rivers, falecida havia 15 dias.

Screen Shot 2015-03-23 at 16.00.30

Esses sustos digitais rolam com frequência e, vez ou outra, fantasmas de Facebook sapecam por aí curtindo páginas de marcas que postam em seu nome. Mas há quem deseje permanecer “vivo” e pague por isso: com toda a informação que deixamos disponível, start-ups experimentais conseguem reproduzir padrões de postagem, check ins, curtidas e até interações com amigos, como o projeto LifeNaut. O serviço DeadSoci.al, por exemplo, permite arquivar mensagens (de video, foto, áudio e texto) que são enviadas gradativamente após a morte para as suas pessoas preferidas e ensina a lidar com a morte em várias redes diferentes.

First Message with icon - DeadSocial
“Olá mundo, esta é a primeira mensagem desde que eu morri (…) as próximas mensagens serão enviadas nos meus perfis sociais pelos prórimos 50 anos.”

O aplicativo Vuture te incentiva a guardar momentos especiais enquanto eles acontecem para serem compartilhados depois da sua morte, e o Remembered cobra apenas US$9,95 para manter uma página em sua memória para sempre. Mas se há o risco de ninguém saber quem avisar, o Death Switch ajuda: se você passar mais de 2 meses sem responder suas notificações, o sistema presume que você morreu, avisa geral e passa as suas informações para alguém de sua confiança. Nos Estados Unidos, especialistas em vestígios digitais começaram campanhas de conscientização a respeito da importância de cuidar desse legado.

Screen Shot 2015-03-24 at 01.15.10

No Japão, um país de muitos velhinhos e uma indústria de morte estabelecida com naturalidade, esse planejamento é rotineiro. O Yahoo! Ending, por exemplo, ajuda a organizar funerais previamente contratados, dá instruções do que fazer com o seu histórico na internet, apaga perfis e contas, ensina a escrever testamentos, cancela débitos automáticos e manda até mensagens de despedida para pessoas escolhidas. Mão na roda para quem fica, segurança para quem vai.