A China e seu firewall de mil cabeças

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(coluna do Ada na revista TPM, publicada na edição de agosto/2015)

Fiz uma viagem recente à China, meio a trabalho, meio a passeio. Eu nunca tinha estado antes na Ásia. O meu irmão, que vai com alguma frequência, me avisou por whatsapp antes de viajar: “Não se esqueça de que na China a internet é 100% controlada. Todos os teus e-mails são monitorados. Você vai perceber que a velocidade de download dos e-mails cai muito. O único site estrangeiro de busca que efetivamente funciona é o Yahoo e não lembro se o whatsapp é liberado.”

Eu sabia da existência do Firewall, a censura digital chinesa que faz com que a internet lá não seja livre, mas na minha cabeça eu inconscientemente resumi isso a “uma internet mais lenta”. Não devia ser tão ruim assim.

Depois de três dias em Hong Kong com wifi gratuito e megarrápido na cidade inteira, chegamos à China continental. Instagram, WhatsApp, Chrome, Gmail, Youtube, Messenger, Facebook, Slack, Foursquare e… meu deus, o tradutor! Todos mortos. Até o meu despertador fofinho  estava fora do ar. Foi como despencar em Marte.

Sim, a China “desliga” pedaços enormes da Internet, criminaliza a liberdade de expressão online e tem o maior número de jornalistas e cyberdissidentes presos do mundo. Essa muralha digital imposta pelo governo chinês censura e controla tudo o que as pessoas leem, fazem, curtem ou postam quando estão conectadas. Um exercício: imagine um lugar onde conversar com pessoas de outro país, (seja em fóruns, mensageiros ou redes sociais) é crime. Ou onde assinar uma petição online ou ler uma palavrinha de sabedoria do Dalai Lama pode te levar pra cadeia. Pior do que isso: imagine uma vida sem Google. Tá certo que existe um “Google chinês”, o Baidu, mas os algoritmos de busca são ridículos, exatamente por terem que ignorar pedaços inteiros da rede. Até os chineses reclamam.

“Impossível”, foi o meu veredito. Já no primeiro dia burlei o sistema contratando um serviço VPN (Virtual Personal Network); uma ferramenta que diz para a internet que o seu computador/smartphone está em outro país cada vez que você se conecta a um wifi. Ufa, paredes derrubadas. Respirei aliviada por alguns minutos, até me cair a ficha que eu também poderia estar sendo vigiada. Dali até o final da viagem convivi com a sensação de que alguém bateria na minha porta a qualquer momento.

Ao longo da viagem conversei com vários chineses; de coroas para quem o Facebook era um conceito bastante difuso, até adolescentes consumidores assíduos do tal VPN, que tinham acabado de criar suas contas no Instagram. Fiz tantas perguntas sobre as suas rotinas digitais que cheguei a incomodar, mas no fundo eu só queria entender as implicações de um país tão poderoso e influente construir a sua própria internet e ir contra a maior força da rede: transparência e compartilhamento. Quando isso some, o que sobra é poder e controle, mas também a emergência do lado B. A recém-criada Deep Web chinesa cresce a olhos vistos e já tem fama de abrigar bizarrices meio perturbadoras e movimentar um comércio ilegal de milhões de dólares.

Foi estranho experimentar uma internet presa em pleno 2015,  mas foi bom sair da minha bolha digital, imaginar como a vida poderia ser e entender quão precioso é ter acesso à informação sem paredes de fogo. De fato, eu nunca tinha parado para pensar no significado de viver em um país onde a web não é qualquer coisa que ela quiser ser. Prometi a mim mesma reconhecer o valor dessa liberdade todos os dias.

eu, com medo da polícia da internet ¯\_(ツ)_/¯

Aplicativos para um coração partido

(coluna do Ada na revista TPM, publicada na edição de julho/2015)

Ao contrário da história, a Internet faz um péssimo trabalho esquecendo pessoas. Na verdade, quanto mais tempo passa, mais ela lembra. Na época em que a nossa timeline cabia em um diário com cadeado, um coração partido se curava com chocolate, amigos e tempo. O tempo, esse magnânimo, levava todos os cadáveres para longe, e ali eles ficavam.

Que saudades. Hoje a Internet é um Walking Dead com 2.94 bilhões de zumbis.

Encontrar o amor na web pode ser difícil, mas se livrar de um é ainda pior. Seja você o pé ou a bunda, o tecido digital das nossas vidas faz com que seja cada vez mais difícil deixar o tempo fazer o que ele faz de melhor: esquecer. Grande parte do esforço na Ciência da Computação é descobrir formas mais rápidas, baratas e simples de automatizar processos e armazenar informações. Isso significa que cada vez mais as nossas memórias guardadas em forma de dados (e em quantidades inimagináveis) passeiam pela rede como carrinhos de bate-bate.

Você pode bloquear uma pessoa da sua rede social, mas isso não significa que ela deixou de ter vida lá dentro. Pra desespero dos nossos corações, os algoritmos (a sequência de instruções que nos levam de cá pra lá na internet) estão cada vez mais inteligentes e as conexões assustadoras. É tipo “A Volta dos Mortos-Vivos” todinha: fulano vai comparecer ao lançamento do livro do seu ex gato e inteligente, aquela periguete fez check in no restaurante hypado da sua ex-namorada, tua colega da yoga foi marcada na foto do batizado dos gêmeos do seu ex-marido… Isso sem contar os estragos que a nossa própria natureza stalker causa madrugadas adentro. Esse constante remexer em escombros é tóxico, mas é claro que a tecnologia pode ajudar.

 

DrunkMode

Antes de cair na noite você seleciona quais são os contatos que você quer proteger de você mesma ao longo da escalada alcólica. Você pode escolher o tempo do bloqueio (de até 12 horas) e se mesmo assim cair em tentação, o app só irá destravar os contatos se você resolver uma equação matemática. Outra função fofa: ele te lembra do seu trajeto na noite anterior (função “migalha-de-pão” <3) e manda alertas pros amigos quando você estiver perto demais da casa do falecido/a.

are you?

BlockYourEx

Esse é um plugin que funciona no Firefox, Google Chrome e Safari como um guardião. Você diz quais perfis sociais do seu ex você quer evitar, dá o nome completo da persona non grata e o app esconde essa vidinha digital de você. Se você tem problemas com desapego, fica tranquila: ele permite cadastrar até 5 exes.

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Cloak

Já falamos dessa belezinha por aqui; um aplicativo que usa a sua geolocalização para te avisar sobre os perigos do mundo offline. Ele cruza os dados de Foursquare e Instagram para te alertar quando aquela pessoa estiver perto demais.

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* HellisOtherPeople

Descobrimos essa depois da coluna ter ido para a gráfica: um desenvolvedor americano criou este sistema parecido com o Cloak, cuja proposta é não só notificar sobre pessoas indesejadas, como também te ajudar a fugir delas. Baseado na sua geolocalização, o app se conecta ao Foursquare para identificar onde estão os seus amigos (ou nem tanto) que andam pela região. Os pontos laranjas são os locais a evitar, mas se já for tarde demais, use as rotas de fuga em verde.

 

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As mulheres do Vale do Silício

O Vale do Silício é o grande celeiro de oportunidades em tecnologia, mas não é um dos lugares mais receptivos para mulheres. Já falamos por aqui sobre os exemplos negativos, como o “Esposas do Silício” e casos de discriminação e assédio velados, mas nós do Ada continuaremos batendo nesta tecla: mulheres precisam de exemplos para se sentirem capazes de ter ambição.

 

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Lea Coligado estuda Ciência da Computação na Universidade de Stanford. Durante uma de suas férias de verão, ela fez um estágio no Facebook, desenvolvendo um aplicativo para iOS. Na volta às aulas, durante um papo entre colegas sobre o que tinham feito nas férias, um de seus amigos contou que tinha estagiado no Facebook, ao que outro respondeu de queixo caído “Uau! Sério?! Não sabia que você era tão inteligente!” Quando perguntaram a Lea e ela deu a mesma resposta, a reação foi totalmente diferente: “Ah, eu deveria ter me inscrito, então.” Lea ficou furiosa. Ela tinha passado pelos mesmos processos seletivos, cumprido o mesmo programa e entregue os mesmos resultados que o seu colega. Porque com ela era diferente?

Inspirada pelo minimalismo de Humans of New York, um projeto que usa a internet para mostrar fragmentos da vida de pessoas comuns, Lea criou Women of Silicon Valley. Um espaço para contar histórias de mulheres que resistem às dificuldades desse mercado, celebrar os seus exemplos e criar novas narrativas. Ao longo dos anos, Lea conheceu e ouviu a história de mulheres talentosas, resilientes e geniais. Porque então ela nunca tinha ouvido falar sobre elas na mídia?

 

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Ao site da revista Fortune ela admitiu que, até começar a sentir na pele a desigualdade de gênero, pensava que grande parte do que ela ouvia a respeito era “folclore da mídia“. Quem dera. Durante sua breve experiência profissional Lea percebeu que a sua predileção por vestidos e o tom mais agudo da sua voz incomodavam e chamavam a atenção de muitos marmanjos ao mesmo tempo. “Levei tanta cantada ruim que passei a evitar passar departamentos inteiros da firma”, diz.

Felizmente, mesmo dentro dessa jornada tortuosa há quem pense diferente. O seu próprio chefe no Facebook a encorajava a arriscar em suas decisões quando ela sequer se sentia segura sobre o seu jeito de vestir. “Uma ex-chefe me disse para cortar a erva daninha e regar as plantas do caminho,” e é exatamente o que Lea tem feito.

Como a pauta da igualdade de gênero tem se tornado um assunto obrigatório dentro das grandes empresas de tecnologia, o desinteresse masculino se transformou em desprezo por um suposto sistema de cotas. Fato é que, gostando ou não, grandes mulheres estão entrando goela abaixo da indústria. O caminho ainda é bem longo, mas pelo menos já temos para onde olhar.

(Imagens: Reprodução Women of Silicon Valley/Lea Coligado)

#comofaz: cinco passos para perder o medo de tecnologia

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Fotomontagem: Mike Licht/Flickr

Um dos motivos da existência do Ada é a quantidade de mulheres que nós, Diana e Natasha, conhecemos que apesar de usarem computadores o dia inteiro (algumas com softwares bastante complexos, como o Autocad), terem smartphones, tablets e serem loucas por uma rede social,  relutavam em se considerarem aficionadas em tecnologia. “Ai, imagina, não entendo quase nada,” elas nos diziam, para em seguida discorrerem apaixonadamente sobre aplicativos preferidos e porque preferem esse sistema operacional a aquele, truques que aprenderam e debater novos gadgets.

Está na hora de todas nós sairmos desse auto-imposto armário e nos entendermos melhor com essas ferramentas que fazem tanta diferença na nossa vida.

Por isso, resolvemos comemorar esse dia 8 de março, tão perto do primeiro aniversário do Ada, com alguns passos para você assumir a tecnologia de vez na sua vida. YES YOU CAN!

Adaptamos as dicas da jornalista americana Arikia Millikan, que escreve sobre tecnologia no Refinery29. Para ler o texto original dela, clique aqui. Com a palavra, Arika:

“Várias pessoas se consideram “boas com tecnologia”, como se isso fosse um dom com o qual se nasce ou não (e com o qual as mulheres não costumam ser agraciadas), mas eu estou aqui para provar o contrário. Ter uma inclinação tecnológica é uma habilidade aprendida, assim como saber espanhol ou fazer baliza. Ainda assim, não foi uma habilidade que eu adquiri de forma direta.

Sou filha única de mãe solteira, então eu só tive duas opções para alcançar as minhas metas: ou eu aprendia sozinha ou eu teria que abrir mão de todos os benefícios gloriosos do uso da tecnologia – como as horas que gastei jogando Super Nintendo ou navegando pela edição da Enciclopédia Britânica que instalei no meu primeiro computador. Lá em casa isso se aplicava a tudo que exigisse uma certa mão-na-massa: montar móveis, arrumar eletrônicos e até mudar as velas de ignição do meu carro. A vida pode não vir com um manual de instruções, mas quase tudo que usamos nela tem; então não há razão para os homens serem os únicos a usá-lo.”

Segundo Arika, não se sinta desencorajada se você nunca se considerou “tecnológica” – dá para começar a qualquer idade. Mas se você é alguém que tende a desistir facilmente quando o computador trava ou o celular dá pau, aqui estão alguns passos para mudar essa mentalidade:

1 – Não peça para alguém consertar o problema para você. Pelo menos não antes de tentar por uma boa meia hora. O primeiro passo para resolver um problema de gadget ou um pau de computador  é entender exatamente o que está errado, então se você conseguir além do “socorro, deu pau” e analisar o que aconteceu e quais as mensagens de erro, fica mais fácil saber qual a solução que você precisa. Um mantra: quando em dúvida, reinicie a máquina;

2 – O problema não é você. Se você empacar, não se martirize achando que é burra ou “não entende disso.” A verdade é que a maior parte dos gadgets e plataformas foram desenvolvidas por pessoas bem diferentes de você, e que existe um abismo bem grande entre estes desenvolvedores e o público-alvo dos seus produtos, em termos de língua, cultura e educação. Sim, eles deveriam ter feito seus produtos o mais intuitivos e simples possíveis, mas nem sempre é o que acontece;

 3 – Use a força da Internet. Uma vez que você entendeu qual exatamente foi o problema, tipo “o aplicativo trava quando eu abro a foto xis” ou “o Firefox não abre uma página com vídeo”, você pode fazer uma busca no Google por soluções usando o termo “Como ____” e descobrir centenas de páginas e fóruns online que podem te ajudar. Qualquer que seja o seu problema, certeza que você não é a primeira a passar por isso. Busque por descrições que descrevam a sua situação e pesquise as soluções que outros encontraram. E se seu problema for realmente inédito, não se acanhe de se inscrever em um fórum adequado e descrever o que aconteceu. O que nos leva a…

 4 – Peça ajuda, mas não favor. Se você realmente precisa convocar alguém que entenda mais que você, faça o seguinte: em vez do especialista resolver para você, peça para te explicarem o passo a passo de como consertar sozinha. Assim, se acontecer de novo, você já sabe o que fazer sem pedir a ninguém;

5 – Não tenha medo de falhar, e bastante. Você provavelmente não acertou a primeira vez que tentou fazer baliza. Mas isso não quer dizer que seu destino era ser má motorista e sim que você ainda estava aprendendo a dirigir. Mesma coisa com tecnologia: vá tentando várias vezes até acertar e saiba que ninguém nasce sabe sabendo construir e usar toda as modernidades atuais. Elas podem parecer simples, mas nem sempre são.

Tecnologia intimida à primeira vista, mas aprender a usá-la vai te ajudar a economizar tempo, dinheiro e diminuir sua dependência dos outros. Feliz 8 de março para todas nós.

Gif via Giphy.

As Minas da Web: Janie Paula, Buxixo de Mães

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Janie foi mãe do Nicholas aos 16. Uma cesariana. Quando engravidou de Maia aos 28 questionou algumas escolhas pela falta de preparação da sua primeira maternidade. Sentiu que precisava de informação para poder escolher melhor, mesmo que optasse pelas mesmas coisas.

Com incentivo de uma amiga e grande ajuda da internet, descobriu um universo que se transformaria no seu modelo de vida e negócio. Janie continuou na publicidade até a última semana de gravidez, mas usava o seu “tempo de tela” para estudar. Depois do parto de Maia tudo mudou. Hoje ela encabeça um movimento multiplataforma que traz informação e diálogo a milhares de mulheres sobre parto natural, amamentação, educação com respeito e maternidade ativa. No seu escasso tempo livre, ela faz a mediação de mais de 1.600 mães no projeto Buxixo de Mães, é doula (sua principal fonte de renda), tem um blog, 2 perfis de instagram, 3 páginas no Facebook e 4 sites e usa a internet para promover encontros virtuais e presenciais.

 

Não pergunte ao Google

No pós-parto de seu primeiro filho, Janie se viu sozinha. Os seus amigos adolescentes sumiram e ela não tinha ninguém com quem falar sobre todas aquelas mudanças. No final da segunda gravidez ela teve medo de passar pelo mesmo. A maternidade era o seu principal (se não único) tema de conversação: “Ninguém mais dava conta da minha demanda, eu só falava sobre bebês e maternidade. É injusto cobrar esse interesse do outro” ela conta. A lista de discussão da parteira Ana Cristina Duarte no Yahoo foi a sua salvação. Lá ela se informou a partir de exemplos reais e compartilhou momentos íntimos com desconhecidas. “Quando você busca artigos na internet sobre o assunto, tipo usar ou não chupeta, tem um monte de informação contraditória. Todo mundo tem um manual de como criar um bebê e todos querem dar sua opinião na internet. As trocas em forums são mais humanas.“, conta.

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Por conta dessa lista, Janie pensou que seria legal criar um grupo menor só com as mães que ela foi conhecendo ao longo da gravidez. O Buxixo de Mães nasceu junto com Maia, em dezembro de 2012. O grupo começou no Facebook com 40 mulheres que precisavam falar abertamente, sem verdades absolutas. Elas usavam a rede para tirar dúvidas, desabafar e marcar encontros com os pequenos em livrarias, salões de festa e parques. A hashtag #buxixodemaes começou a bombar no Facebook e logo outras mulheres se interessaram. Para atender a demanda, Janie criou um segundo grupo, onde passou a receber mães do Brasil inteiro. Nos 3 primeiros dias 600 mulheres se inscreveram.

 

Big data, big love

A admissão acontece a partir de um formulário. Uma vez aprovadas, são adicionadas no “Mapa das Vizinhas”. Janie geo-localiza todas elas no Google Maps para que saibam quem mora por perto e incentivar encontros reais. O grupo já promoveu encontros até na Austrália. Desse convívio surgem muitas melhores amigas, parcerias profissionais e até sociedades.

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Na internet rola de tudo nos grupos ativistas, o povo é muito pé na porta. Escrevem para impor valores sem se colocar no lugar do outro. O Buxixo era diferente, a gente só não queria se sentir sozinha.” diz. Claro que já houveram barracos, e pelo volume/velocidade de informação que trafega pelo grupo (40 posts por dia, alguns com mais de 1.000 comentários) nem sempre é fácil mediar. De qualquer forma: lá dentro elas partilham valores. A sua parceira e amiga Yara Tropea entrou para a força-tarefa e hoje é fundamental no Buxixo.

Com o tempo Janie notou que listas fechadas tem uma grande força nesse universo e passam mais confiança: “Você parte do princípio que aquele conteúdo é real e curado, como uma indicação de uma amiga“, diz. O Buxixo também organiza bazares virtuais de troca e venda e seções como “Eu Faço”, onde a mulherada divulga os seus talentos e negócios sem flodar o feed.

 

Modo avião

Os smartphones diminuem muito a solidão do pós-parto, faz com que essas mães se sintam conectadas com o mundo.“, diz. Ao mesmo tempo Janie as incentiva a largar o celular nos momentos importantes, para que olhem os filhos sem a mediação de telas. “A internet é fundamental na minha vida, mas hoje tenho menos tempo para ela. A gente acaba fazendo tudo no tempo materno, sem pressão“, conta.

Mesmo assim Janie criou o Te Vi Nascer, um blog que reúne relatos de parto e o Enquanto eu Amamento, um perfil de insta que compartilha fotos lindas de mães alimentando os seus bebês. Ao todo, são 7.000 mulheres conectadas sob a sua tutela e mais 600 na lista de espera do Buxixo.

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Quando perguntei qual era o seu modelo de negócio, ela foi clara: “Sucesso pra mim não é medido por dinheiro.” Hoje ela não quer focar na necessidade do crescimento e pretende ter paciência para deixá-lo crescer naturalmente, sem metas e sem pressa. Ela confessa ter passado (e ainda passar) por muitos questionamentos sobre o que o Buxixo poderia virar. Um livro? Um curso? Um lugar físico para encontros? “O grupo é uma premissa de valores que pode usar qualquer ferramenta para fazer o que ele se propõe a fazer. Ele nunca vai ser uma coisa só“, garante.

Mas como o seu próprio uso da Internet reflete nos seus filhos? Janie levou um susto quando, aos 11 anos, Nicholas não sabia o que era um selo de carta, mas também não sabia o que era Facebook. Para ela, é necessário acompanhar de perto todo este amadurecimento digital para empurrá-lo em outras direções além do feed, além de restringir o tempo de acesso. “Hoje ele tem 15, então se depender dele é só Whatsapp. Nem email ele usa.” Ela consegue segurar os excessos do filho adolescente, mas confessa lidar com dificuldade com o seu próprio consumo. “Eu tenho orientá-lo o máximo possível pra que ele faça um bom uso da web, aprenda a pesquisar direito, a achar coisas legais… mas às vezes ele mesmo pede para eu sair do celular.

* créditos das imagens na ordem de aparição: Luciano Bergamashi, Lela Beltrão e Stephanie Salateo.

Unfriended é a Bruxa de Blair versão Skype

Lá por mil e novecentos e noventa e bolinha (1999, para ser mais exata) um filme independente de baixo orçamento chamado A Bruxa de Blair marcou a história do gênero de terror por algumas inovações: montado a partir de imagens gravadas e abandonadas por um trio de estudantes (na verdade atores) que se embrenharam numa floresta nos Estados Unidos para fazer um documentário sobre uma lenda local de uma bruxa que matava crianças. Também foi um dos primeiro filmes a usar fortemente a Internet para promoção, com um site próprio e materiais extras para reforçar a sensação que se tratava de uma história real.

Quase dezesseis anos depois, agora o filme de terror se passa no Youtube, Skype e mídias sociais. Uma adolescente se mata depois que alguém posta um vídeo dela bêbada no Youtube e um ano depois de sua morte, vem assombrar seu grupo de amigos durante um vídeo chat. Essa é a premissa de Unfriended, com estreia nos EUA prevista para abril.

Vai fazer sucesso que nem A Bruxa de Blair fez em 1999 e criar toda uma nova estética de “terror-via-Skype”? Daqui a alguns meses a gente descobre.

Veja o trailer:

 

Via Recode.

A internet erótica das mulheres

(Um aviso: por causa da natureza do conteúdo, cuidado ao clicar nos links, especialmente se você estiver no trabalho ou na escola. E claro, tudo aqui é para maiores de 18 anos!)

 

 

porn!

ilustração por Thiago Thomé*

 

(Colaborou Cora Poumayrac Nieto)

A pornografia é tida como a força por trás da expansão da World Wide Web desde a sua invenção. Há até quem diga que a internet só foi criada com esse propósito: abraçar esquisitices e suprir desejos inomináveis da vida off-line. Ela representa quase um terço do tráfego total de dados online e 25% das buscas feitas no Google, mas nessa festinha, só um entre três usuários são mulheres. Porque nós não consumimos tanta pornografia como os homens?

Fizemos uma pesquisa anônima entre quase 600 mulheres para entender qual é a internet erótica delas. Além de gerar este grande dossiê, estas respostas nos ajudaram a entender um pouco mais como este conteúdo é consumido.  Descobrimos que 34% das mulheres que responderam nossa pesquisa consomem pornografia menos de uma vez por semana, 29% consomem uma vez por mês ou raramente e 25% consomem três vezes por semana. Esse dado nos fez pensar que quem encontra o que realmente gosta faz disso um hábito. E para facilitar essa busca criamos um guia de pornografia para mulheres com as dicas que surgiram na nossa pesquisa e outros trunfos que garimpamos. É só clicar em cada item para ir às recomendações, e lembre-se de esconder a sua tela!

 

1) Portais de vídeo

2) Tumblrs

3) Contos eróticos

4) Conteúdo pago e bem recomendado

5) Outros formatos

6) Queer (vida longa à diversidade)

7) Casting e direção

            Bônus: siglas que podem te ajudar

 


 

1) Portais de vídeo
Grande parte dos portais de pornô em streaming (vídeos que você não precisa baixar) são gratuitos e costumam ter centenas de milhares de opções. Por isso mesmo representam grande parte das respostas da nossa pesquisa. Isso não quer dizer que eles agradem: muitas mulheres reclamaram que é difícil achar conteúdo interessante, que o excesso de opções é ruim e que nada ali contempla o erotismo feminino. “Gosto de me deparar com o inusitado. Ponho frases e ou palavras soltas e vou fuçando”, recomendou uma de nossas leitoras.

No meio do caminho, muitas desistem com preguiça desse trabalho de garimpagem. Estas são algumas dicas que recebemos para deixar o processo mais indolor e fácil:

1) Descubra o nome do elenco daquele filme que você amou e siga os artistas em mais de um portal.
2) Evite os mais populares, os “top rated” e os mais vistos: eles não são para você. Normalmente são vídeos mais machistões naquele roteiro que a gente já conhece: sexo oral -> penetração -> gozada na cara.
3) Crie suas próprias “playlists” (vários deles permitem que você faça uma seleção e salve).
4) Explore canais específicos até descobrir os que mais te agradam. Como eles são alimentados por produtoras e estudios diferentes, você já vai saber o que esperar em termos de elenco, cenografia, enredo etc.
5) Perca tempo pesquisando as categorias e tente achar o que te agrada nelas. Com isso em mente, crie filtros de busca mais específicos. Por exemplo, ao invés de “sexo oral”, pesquise “oral sex girl on top” ou “oral sex on cars”. (Amamos a confissão de uma das nossas leitoras: “eu sempre acho algo legal quando procuro gay greek men!”).
6) Nunca, nunca, nunca clique em “transe agora”. Você se verá presa em um loop de janelas popup anunciando as coisas mais bizarras da internet.

Mas se a preguiça for muita, tente estas opções:

PornIQ: é um portal de vídeos que ajuda a separar o joio do trigo. Antes de mostrar qualquer opção, ele faz algumas perguntas sobre as suas preferências. “Você curte: sexo amador, orgias imperiais, lugares públicos, fixação oral…?” e no final ele separa os resultados pelo tempo que você tem disponível. A gente apelidou de “smart porn”.

PornMD: um site de busca pornô que agrega resultados de todos os portais de video gratuitos. Nada demais, certo? Se não fosse pelo seu algoritmo espertinho que sugere resultados para sua busca que podem te mostrar universos ainda mais legais.

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Se você estiver com tempo livre, tente as nossas dicas nestes portais. Com o passar do tempo você vai perceber que alguns te agradam mais do que outros; seja pelo design do site ser melhorzinho, seja por ter menos banners de peitos pulando vigorosamente. Em geral, muitos dos vídeos se repetem, mas todos os canais tentam se diferenciar com alguma coleção específica, como produções nacionais, sexo amador e videos do Leste Europeu.

Vai que vai:

4tube

BoaFoda

Cam4

Chaturbate

ForHerTube

Pornhub

Redtube

Safadas

Samba Pornô

Suzi

Tubegalore

Xhamsters

XNXX

Xshare

Youjizz

Youporn

 

Siglas que podem te ajudar:

NSFW (Not Safe For Work): sigla para Não Abra no Trabalho (nem no ônibus, em filas, em casa, na presença de pais ou filhos).
BDSM: sigla que define a pornografia dedicada ao Bondage, Disciplina, Dominação, Submissão, Sadismo e Masoquismo.
MILF (Moms I’d Like to Fuck) FILF/DILF (Fathers/Dads I’d Like to Fuck):  sigla para Mães/Pais Com Quem eu Treparia.
ATM (Ass To Mouth): sigla que define um tipo de sexo que alterna entre o sexo anal e oral com uma ou mais pessoas. Já foi um grande tabu, hoje é hype.
BHM (Big Handsome Men) e BBW (Big Beautiful Women): uma vertente de pornô dedicada apenas a mulheres e homens acima do peso.
CFNM (Clothed Female, Naked Male): sigla para Mulheres Vestidas e Homens Nus.
POV (point of view): sigla para Ponto de Vista, ou seja, um vídeo sendo gravado por um dos protagonistas da cena.
DP: sigla para Dupla Penetração.

De volta ao início


 

2) Tumblrs

Grande campeão da empolgação feminina, o Tumblr tem se mostrado o melhor amigo das mulheres nesta seara. Porque? Além de atender a muitos nichos e agradar minorias (que tal um Tumblr só de homens gostosos e… peças de queijo? Ou talvez um sobre ateísmo e peitos?), a grande sacada é que o site aceita GIFs animados. Pela enorme quantidade de recomendações que recebemos (mais de 300 mulheres mencionaram pelo menos um Tumblr), começamos a pensar se os GIFs não estariam começando a mudar a relação e a acessibilidade da mulher à pornografia.

Faz um pouco de sentido: eles são discretos, silenciosos, carregam rápido em qualquer computador ou rede (inclusive nos smartphones) e são as melhores partes dos videos que a gente vive adiantando para ver “no que vai dar”. Além disso, o Tumblr é tão fácil de usar que algumas das nossas leitoras confessaram ter os seus próprios canais para repostar o que acham na plataforma e criar a sua galeria privada, exatamente do jeito que gostam. Bela dica. Recebemos uma lista infinita da qual pincelamos alguns:

 

Dicks for girls

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Um dos Tumblrs mais recomendados para as apreciadoras de um belo e distinto membro. Começa sempre com barbas bonitas, torsos malhados e pescoços tatuados, mas conforme a rolagem desce, surgem os poderosos e bem fotografados: com luz natural em casas de revista.

 

Underwear Tuesday

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Logo de cara: “este não é um blog de pornografia”. Aqui o foco é fotografia erótica não escrachada e bastante “vida real”.

 

Romantic Pornography

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Pornozinho delícia para mulheres hetero. Tudo em PB, muitas preliminares inspiradoras e bastante sexo oral. Bom pra ver junto.

 

Porn for ladies

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Este foi um Tumblr campeão de respostas na nossa pesquisa. O que agrada as mulheres e só as mulheres? A galeria tem foco nas heterossexuais, mas a seleção é bem vasta: orais empenhados, fantasia de dominatrix, um pouco de bondage, gelo no peitinho, oral no táxi (e por baixo da mesa), quadrinhos eróticos, pornô vintage, bundinhas musculosas de homens gatos e, por que não, um toque de romance .

 

Let me suck you

let me suck you

Totalmente NSFW! Mas perfeito para quem não aguenta mais clicar na categoria “sexo oral” e só ver videos de mulheres de unhas de porcelana ajoelhadas em carpetes de motel.

 

Let me do this

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Intimidade depravada e bem fotografada. Bem delícia.

 

(M)alicia’s
(m) alicias

Pérola da nossa pesquisa! Esse Tumblr é de uma das nossas leitoras que, por sinal é muito bem humorada e democrática. Tem mina com mina, boquete falando no celular e plug anal em formato de rabinho de raposa. Apenas. “Lá posto e reblogo tudo o que curto”, diz ela.

 

Sex is not the enemy
Aê! Muita, muita, muita DI-VER-SI-DA-DE. Transsexuais e transgêneros, anões gatinhos, peles pintadas de vitiligo, mulheres lindas com mastectomia, pêlos nas axilas, micro-pênis e sexo de All Star. Definitivamente, sexo não é o inimigo.

 

Lili Likes

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Lili é uma doidinha de 31 anos, fã de bondage, submissão e sadomasoquismo. A galeria dela passeia por esse universo com bom gosto e ainda por cima oferece um player com a trilha do filme Réquiem para um Sonho <3 Para fãs de uma pegada um pouco mais forte em SM, vale checar o seu “projeto paralelo”, o SlaveMyMaster. A quem possa interessar: Lili vende suas calcinhas usadas e envia por correio para o mundo todo. Taí um nicho!

 

Your Daily CFNM
Todo um gênero da pornografia, a sigla significa “Clothed Female, Naked Male”, algo como “mulheres vestidas e homens nus.” A coleção é divertida e mostra vários tipos de situações. Algumas cômicas e outras estranhamente sexy.

 

I-shot-myself
Uma idéia simples: uma galeria de selfies sexy. Tem de um tudo mesmo, peito caído, paus enormes (e minúsculos), bundas esculturais, estrias e proporções estranhas. É bem legal perceber como todo mundo consegue enxergar beleza nos seus próprios corpos a ponto de fotografá-los e publicá-los na internet.

 

Italians do it better
Um italiano apaixonado por sexo decidiu mostrar porque eles são melhores na cama do que o resto do mundo. Tem muito GIF de pornôzão clássico mas, ao que tudo indica, os moços amam fazer sexo oral e parecem realmente bons nisso. Fora que a gente amou os grandes narizes, as barbas desenhadas bem fininhas e os cavanhaques cafonas <3

 

Stereo Smut
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Pornografia vintage. Antigamente era assim: muito carão, pêlos a perder de vista, predileção inexplicável por sombra azul e fantasias sexuais peculiares. Ah, sim, fotonovelas!

 

Through Female Eyes

Imagine uma seleção das melhores partes dos melhores filmes pornôs que você já viu, só que em GIFs animados. Pois bem.

 

Borderline porn
Foco na penetração heterossexual. Explícito e sem firulas, mas nada vulgar.

 

Sex and (erotic) Nudism in public places
Sexo de verdade em lugares realmente públicos.

 

Maxing and Relaxing

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Mulheres lindas e nuas que parecem estar nas suas casas te convidando para tomar um café.

 

Outras curadorias mais randômicas de GIFs e imagens:

Testimonial Sex
I just want your dirty love
For her eyes only
Casal Putaria
Casal Sex N’ Roll
Accidental Pornographer
A Pornóloga
Blue Flashlight
Candy Now!
Delectatio Morosa
Fuck Yeah!!! Gay GIFs
É bom pra quem gosta
Pornographic Picture
Porn – Daily
Sexy Things
Suck my Pixxxel
Violence avec Elegance
Tomarno

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3) Contos eróticos

Mulheres são seres com alto poder de abstração e muita criatividade quando o assunto é sexo. Ao contrário dos homens, a inspiração visual e gráfica nem sempre é imprescindível. Poucas coisas são tão excitantes para o cérebro feminino quanto uma boa história; daquelas tão bem contadas que misturam o nosso próprio imaginário com universos desconhecidos e extremamente sedutores. Por não serem visuais (e por isso não causar repulsa), algumas categorias do pornô escrito são mais hardcore. Além disso, os contos são uma forma efetiva de se colocar no papel da protagonista sem ter que abstrair da tatuagem de beijo na virilha ou do piercing de pedrinha rosa nos grandes lábios.

Algumas sugestões em português:

Casa dos Contos Eróticos

Conto Erótico

Jardim do Prazer

Contos de Putaria

Acervo de Contos

Sugestões em inglês:

Literotica (um agregador de sites de literatura erótica)

Nerve

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4) Conteúdo pago e bem recomendado

Erika Lust: premiada diretora sueca, amada pelas mulheres que buscam alternativa ao pornô heteronormativo. Os seus vídeos são criados a partir de mentes femininas safadas e contemplam vários tipo de fetiche de forma muito natural (a ponto da grande maioria dos orgasmos parecerem reais.)

Dane Jones: diretor amigo da mulherada por fazer filmes com muita luz natural, bastante beijo na boca e um casting que você não se incomodaria de conhecer pessoalmente.

X-Art: videos explícitos e bem filmados com foco na mulher que procura sexo afetivo e safado com cara de vida real. Um pouco mais pesadinhos do que “sexo com beijo na boca”, mas de estética clara, em HD e com um belo casting.

Kink: bondage, fetish, dominação e submissão.

We Live Together: pornôzão oldschool lésbico.

Blacks on Blondes: loiras e negros. Com grandes, grandes membros.

Eroticax: totalmente voltado para o público feminino, muita luz natural e soft focus.


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5) Outros formatos

 

Literatura histérica

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Uma série de videos do fotógrafo Clayton Cubitt, que pediu a algumas mulheres para ler trechos de livros enquanto eram estimuladas por vibradores por baixo das mesas. O estímulo aumenta conforme o que elas vão lendo. A experiência é tão envolvente e sensorial que basta só ouvir!

 

Beautiful Agony

Beautiful Agony

Site erótico australiano que publica diariamente vídeos de pessoas se masturbando até chegarem ao orgasmo. Como os videos só mostram as pessoas dos ombros para cima, a grande sacada é ver as expressões se transformando até o gran finale.

 

Gods Girls

Site pago que oferece conteúdo multimidia (videos, contos, fotos, chats) com mulheres lindas que fazem pornô-não-profissional. Elas não são agenciadas e não são pagas. Só estão afim de mostrar o que gostam de fazer.

 

Men Moaning

Como é bom sermos criaturas tão sensoriais. Descobrimos uma série de bibliotecas de áudio só de homens sendo gravados durante o sexo. Alguns só gemem, outros dão ordens, outros são românticos no papai-e-mamãe com direito a tapa na cara no meio do caminho. Só na sua imaginação, claro. Uma das nossas leitoras confessou: “Foi maravilhoso descobrir que isso existia. Salvou a minha vida!”

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6) Queer

O termo anda em alta por indexar um tipo de pornografia que não tem predileção por gênero, orientação sexual, formato, fetiche, duração ou narrativa definida. Tudo funciona com tudo, os papéis podem se inverter a qualquer momento, aparelhos, apetrechos, situações e até a própria mecânica do sexo… simplesmente não há padrões. A única regra é: o prazer deve ser genuíno, por isso é considerada uma vertente quase indie da indústria. É feita por micro e pequenos estúdios por profissionais que trabalham com acordos comerciais equitativos e justos (fair trade).

Espere ver corpos livres e mentes muito criativas fazendo o que dá vontade. Sabe o termo “fora da caixa”? Pois bem, a própria comunidade queer avisa: “foda A caixa”. Muitas coisas podem parecer bizarras, quase um freak show, mas outras podem abrir portas para um universo rico de referências eróticas. Pela infinidade de combinações das variáreis que oferece, é uma pornografia curiosa, experimental e sempre positiva; o tipo de imagem que continua no seu imaginário durante algum tempo. Também é chamada por alguns como “pornografia feminista”. Se joga:

Crash Pad Series

Jiz Lee

Queer Porn TV

Pink & White

Courtney Trouble

Indie Porn Revolution

Wolf Hudson is Bad

FTM Fucker

Pink Label

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7) Casting


Sem predileção e apenas em ordem alfabética, esta é a lista dos atores e atrizes preferidos da mulherada: Bruce Venture, Buck Angel, Christy Mack, James DeenKayden Kross, Manuel Ferrara, Nacho Vidal e, é claro, a grande moça dos “orgasmos reais”, Stoya.

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Thiago Thomé (aka Liquidpig) viveu por anos em São Francisco e é formado pela California College of Arts. Hoje mora em São Paulo, é designer, ilustrador e editor de arte da Confeitaria.

 

 

 

 

17 mulheres que fizeram da Internet o que ela é hoje

(Este post foi uma sugestão da leitora Cora Poumayrac Neto, via nossa página do Facebook)

Não é novidade para ninguém que o mundo da tecnologia é dominado por (e direcionado para) homens, mas poucas pessoas sabem como grandes avanços que transformaram a internet no que ela é hoje foram criados por mulheres visionárias que não estão exatamente nos livros de história.

Além da história que a gente mais ama, a da querida e destemida Ada Lovelace (que dá nome ao nosso blog) traduzimos do post do Mic (em inglês) outros exemplos muito inspiradores, de mulheres que venceram a barreira do gênero de forma discreta e com relativo anonimato em momentos muito pontuais da história.

1. Um dos primeiros computadores é programado (1943-45)

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O Exército dos Estados Unidos buscava formas mais precisas de prever os ataques da Segunda Guerra Mundial. Foram 6 as mulheres responsáveis por programar um computador de mais de 45 metros de largura desenvolvido com esse fim. Obrigada, Jean Jennings Bartik, Frances “Betty” Snyder Holberton, Kathleen McNulty Mauchly Antonelli, Marlyn Wescoff Meltzer, Ruth Lichterman Teitelbaum e Frances Bilas Spence.

2. Software para o segundo computador comercial do mundo é implantado

Ida Rhodes migrou para os Estados Unidos quando criança durante a Primeira Guerra Mundial e em algumas décadas já frequentava reuniões semanais na casa de Albert Einstein. Apenas. Na América, Ida passou a trabalhar para o Governo desenvolvendo a linguagem de programação C-10, que potencializou a popularização do segundo computador comercial produzido nos Estados Unidos (o UNIVAC 1).

3. Um grande passo para a programação de computadores (1952)

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Grace Hopper foi a inventora do primeiro compilador, um software que funciona como um tradutor entre humanos e computadores. O software basicamente recebe a linguagem de programação (como JavaScript, por exemplo) e a transforma em Os e 1s para que o computador possa entender as ordens. Esse simples avanço facilitou a vida de muitos engenheiros e possibilitou o desenvolvimento de uma série de programas.

4. A primeira linguagem de programação amplamente usada foi desenvolvida (começo da década de 60)

Em 1961, a IBM contrata Jean Sammet, que passa a liderar o desenvolvimento de FORMAC, uma linguagem de computação que interpreta símbolos algébricos e os traduz em código. Esta foi a primeira linguagem amplamente utilizada na história da computação. Alguns anos depois, ela escreveu um livro a respeito das diferentes linguagens de programacão.

5. O setor de telecomunicações é alavancado (1963)

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Erna Schneider Hoover trabalhava nos Laboratórios Bell quando teve o seu segundo filho, e enquanto se recuperava no hospital (alô multi-tasking!) desenhou um sistema computadorizado de central de telefonia. Ele controlava automaticamente o volume das ligações e deixava as centrais (como os da foto acima) muito mais eficientes. O sistema revolucionou as telecomunicações e Erna foi premiada com uma das primeiras patentes de software emitidas da época. Décadas mais tarde, os sistemas de telefonia “switching”, usados para rotear bilhões de emails, seriam inspirados nas inovações desta grande mulher.

6. Alpha, a linguagem de computação da CIA usada para quebrar códigos, é usada online (1962)

Durante a Guerra Fria, Frances Allen é o ponto de contato da IBM com a CIA. Frances é a responsável por desenvolver e implementar a linguagem Alpha na agência, capaz de identificar padrões idiomáticos com rapidez em quase todos as línguas. Alpha tornou-se a base para a quebra de códigos na CIA pelos próximos 14 anos.

7. Uma freira ajuda a trazer a programação para as massas (meados dos anos 60)

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A freira Mary Kenneth Keller é a primeira mulher americana a conquistar um Ph.D. em Ciências da Computação, e foi a primeira mulher a trabalhar no departamento de computação do Dartmouth College, que na época só admitia homens. Lá, Mary ajudou a desenvolver BASIC, uma linguagem de programação que facilita a escrita de softwares por não programadores. Essa freira simpática acreditava que computadores deveriam ser usados para potencializar o acesso à informação e a promover a educação. Keller chegou a escrever 4 livros sobre o assunto.

8. O primeiro computador doméstico é usado (1965)

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Mary Allen Wilkes foi uma formanda em Filosofia do Wellesley College que entrou para a história da computação. Ela trabalhava no MIT e escrevia o sistema operacional de LINC, o primeiro micro-computador. Algum tempo depois de LINC, ela constrói o seu próprio PC em casa e torna-se a primeira usuária de um computador doméstico da história.

9. Buscas de resultados ganham um grande impulso (1972)

A professora Karen Sparck Jones começa uma nova carreira em ciências da computação em Cambridge, onde passa a trabalhar no processamento de linguagem natural e recuperação de informação. Ela introduz o conceito de frequência inversa de documento, um método estatístico que determina o quão importante certas palavras são em um documento – fundamental para consultas de pesquisa. Com algumas variações sobre o método, também conhecido pela sigla tf-idf, tornar-se um componente central dos sites de busca.

 

10. Typo, um dos primeiros corretores ortográficos, é criado (1974)

Lorinda Cherry une-se à empresa Unix e passa a trabalhar em ferramentas de texto, na análise do Federalist Papers e na compressão de uma agenda de telefones digital. Durante o processo, Lorinda ajuda a desenvolver técnicas estatísticas para encontrar erros ortográficos, posteriormente usadas em um dos primeiros softwares corretores, o Typo.

 

11. A primeira startup multimilionária do Vale do Silício abre o seu capital (1981)

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Sandra Kurtzig monta um negócio de programação de software em sua casa para mantê-la ocupada por meio período. Um de seus clientes pede um programa de gestão de recursos, e Kurtzig percebe o potencial para outras aplicações. Ela decide então capitalizar sobre a ideia e contrata uma equipe para desenvolver outras aplicações. A sua empresa ASK Computers não atraiu a atenção de investidores no começo, então a moça continuou investindo o seu próprio dinheiro. Anos mais tarde, Sandra torna-se a primeira mulher a abrir o capital de uma empresa de tecnologia.

12. Steve Jobs tem as suas melhores ideias (começo dos anos 80)

Adele Goldberg começou sua carreira como assistente de laboratório até chefiar o System Concepts Laboratory da Xerox PARC, na Califórnia. Ela desenvolveu uma série de interfaces gráficas para o usuário final – como os cursores, ícones de lixeira – que modificaram e facilitaram a forma old school de controlar um computador, através de comandos. Steve Jobs pediu que Goldberg lhe fizesse uma demonstração de seu software, mas ela se recusou. Pressionada por seus chefes, Adele foi a contragosto e avisou à empresa: “Estamos entregando o ouro!”. Dito e feito: Jobs incorporou várias de suas ideias em seus primeiros desktop Macintosh.

13. A internet fica mais rápida (1985)

Radia Perlman, uma das poucas alunas no MIT, é contratada na Digital Equipment Corp. Ela desenvolve o algoritmo por trás do Spanning Tree Protocol (também conhecido como STP), uma inovação que permite a Internet como ela existe atualmente. O protocolo cria alguns pontos de tráfego que criam uma vasta rede de informações. Por causa desse avanço, ela ganhou o apelido de “mãe da Internet” — um título que ela rejeita.

14. Nasce a criptografia moderna (1985)

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Shafrira Goldwasser  fica fascinada pela teoria dos números e entra no MIT. Junto com Silvio Micali e alguns outros envolvidos, ela define os requerimentos de segurança de esquemas de assinatura digital, que se tornaram uma das peças-chave em criptografia e cybersegurança. Suas contribuições criaram novos campos de estudo na ciência da computação e influenciarão estudos nas próximas décadas.

15. O tráfego na Internet ganha mais um conjunto de regras (1993)

Sally Floyd é uma das pesquisadoras mais citadas em estudos de ciência da computação. Ela ajudou a inventar a Detecção Randômica Antecipada, que é usada em todos os roteadores de internet e é um componente essencial em como uma informação, como um email, vai de um endereço eletrônico a outro.

16. A turma do suporte ganha uma ajuda (2005)

Monica Lam desenvolve o conceito do livePC, que permite gerenciar computadores de maneira segura em grande escala — uma parte importante da infraestrutura de computadores de grandes corporações.

17. Uma mulher ajuda a desenvolver os sites mais famosos da web (início dos anos 2000)

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Marissa Mayer é a primeira engenharia contratada pelo Google. Ela é a responsável pela clássica página de busca e pelo modo como os usuários interagem com o Gmail, Google Notícias e Google Imagens.

Atualmente, ela é conhecida por ser a toda-poderosa chefe do Yahoo.

Esta é uma lista do que entrou para a história, mas atualmente existem muitas mulheres incríveis construindo os produtos que você vai usar amanhã. Mary Lou Jepsen, que está trabalhando em uma tecnologia que fará telefones e computadores dispensarem fontes de energia externa, Corinna “Elektra” Aichele, que está trazendo WiFi a lugares distantes, Monica Lam (de novo ela), que está criando uma Internet mais social, onde os usuários podem compartilhar o que quiserem e serem donos de suas informações, Ruchi Sanghvi, que criou o algoritmo das nossas linhas do tempo do Facebook.

As inovações que as mulheres criam na tecnologia só serão superadas pelas que elas mesmas ainda vão fazer. Thanks sistas.

Via Mic.

O que é esse tal de Ello?

Brasileiro ama uma rede social. É tão lugar-comum para a gente que nem pensamos muito nisso, mas os brasileiros passam mais tempo em redes sociais que qualquer outra nacionalidade (13,8 horas por mês) e são os que mais compartilham conteúdos (71% dos usuários), segundo dados do SurveyMonkey divulgados pelo TechTudo. Basta dizer que Orkut virou verbo aqui, e em boa parte do resto do planeta as pessoas não fazem ideia do que significa. E nos dias finais do bom e velho Orkut, surge o Ello, uma nova rede social surgiu para fazer a gente se coçar de vontade de ir para lá.

(Aliás, como pronuncia? Nos Estados Unidos estão chamando de “élou”, mas paulistana italianada que sou, sempre leio como “éllo”. Ah, e se você já estiver por lá, siga a gente.)

O Ello chama a atenção por ter um design limpo e prometer não ter anúncios. Ganhou notoriedade como o anti-Facebook, especialmente desde uma polêmica com a comunidade LGBT, já que o Facebook permite apenas o uso de nomes reais em perfis pessoais, nada de apelidos ou nomes artísticos.

A pendenga foi resolvida, mas com isso, o Ello ganhou impulso e está recebendo cerca de 40.000 pedidos de convite por hora*. A gente adora um clube que não nos aceita como sócios.

A tela de entrada do Ello: só com convite.
A tela de entrada do Ello: só com convite.

Como o Facebook e o finado Orkut no seu início, só dá para entrar no Ello com convite, seja por alguém que já está lá ou pedindo no site. Daí, você pode seguir outros perfis, separando por duas categorias particulares: Amigos (“Friends”) ou Barulho (“Noise”). Quem você segue não fica sabendo em que categoria você o colocou. Basicamente você pode postar texto ou fotos, responder a outros perfis como no Twitter, e só.

O Ello ainda não tem aplicativo para smartphone, e como ainda está em fase de testes, a navegação pelo iPhone é bem chatinha e cheia de pequenos erros. No computador, é mais tranquila, mas navegar pelo Ello, configurar seu perfil e postar conteúdo não são processos muito intuitivos. Passei uns dez minutos tentando descobrir como postar um gif, caixas extras de texto abriam que eu não entendia como fechar. Um especialista em usabilidade postou uma crítica extensa ao design do Ello no Medium*.

A promessa de não ter anúncios também é atraente à primeira vista, mas a verdade é que se uma rede social vai ser gratuita, ela precisa ter um modelo de negócios. Não sai de graça manter um site: há custo envolvido em manutenção de servidores, salários dos programadores, gerenciamento do site etc. Se um site ou rede social não custa nada a seus usuários, isso normalmente significa que o produto são eles mesmos.

O manifesto do Ello: "você não é um produto". Certo, então qual é o produto?
O manifesto do Ello: “você não é um produto”. Certo, então qual é o produto?

O Ello diz que a ideia é manter os dados de seus usuários privados e cobrar por funcionalidades extras da rede. Mas você pagaria para manter um álbum de fotos no Ello, quando há tantas opções gratuitas disponíveis? Ou dar likes nos posts de seus amigos quando isso é tão fácil no Facebook?

Não vou dizer aqui que eles estão mentindo na cara dura e que mais para a frente vão colocar anúncios. Mas a possibilidade de cobrar por funcionalidades extras em uma rede social ainda nascente não me parece plausível e muito menos que convenceria um fundo, que espera retornos altíssimos de seu capital, a investir 435 mil dólares no Ello*. Este texto do YouPix investiga esta questão mais a fundo.

O Ello vai ser o novo Facebook? Ainda é muito cedo para dizer. Ele certamente provou que existe apetite e mercado para redes sociais além do gigante azul do tio Mark. Se o Ello vai conseguir destroná-lo, é outra história.

*links em inglês

Créditos das imagens: Reprodução

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Como você pode proteger suas fotos íntimas

Jennifer Lawrence foi uma das atrizes que tiveram suas fotos íntimas expostas na Web
Jennifer Lawrence foi uma das atrizes que tiveram suas fotos íntimas expostas na Web

Por Bruno Cardoso*

Trinta e um de Agosto de dois mil e quatorze entrará para a história como o dia do “The Fappening” (em português, algo como “Dia da Punhetação”). O termo ridículo ganhou notoriedade após uma série de fotos mulheres famosas como Jennifer Lawrence, Kate Upton, Aubrey Plaza e Selena Gomez terem sido publicadas no que muitos consideram um dos locais mais desagradáveis da Internet: o fórum 4chan. Basta dizer que, ao navegar no submundo do 4chan, as suas chances de se ofender beiram 100%, mas isso não vem ao caso. O que vem ao caso é que alguém (ou mais de um alguém, de acordo com o que sugere a evidência disponível até o momento) obteve acesso a fotos íntimas de atrizes, atletas, modelos e demais pessoas famosas (sim, eu estou explicitamente evitando o uso da palavra “celebridade”) e publicou tais fotos para todo mundo ver.

É possível que uma falha do iCloud da Apple tenha contribuido para esse fiasco, mas não há nenhuma prova conclusiva sobre isso, portanto não vou entrar nesse mérito. Vou apenas dizer que sim, havia um problema no iCloud que permitia que pessoas tentassem diversas senhas para um determinado usuário sem que a conta fosse bloqueada por tentativas inválidas, mas isso já foi corrigido e é pouco provável que tenha sido essa a causa de todo o bafáfá.

Entenda mais sobre segurança de dados e criptografia no nosso artigo sobre o Heartbleed

De toda forma, aconteceu o que aconteceu e a Internet ficou de pernas pro ar com reações entre o “quem mandou tirar foto pelada?” e o “hã?”. Para a primeira eu respondo: ninguém mandou, mas todo mundo nesse planeta tem o direito de tirar quantas fotos quiser, pelado(a) ou não, sem que alguém venha e roube ditas fotos. Para a segunda reação eu digo: “Exato”. No frigir dos ovos, foi isso o que aconteceu: alguém roubou fotos íntimas de pessoas famosas e publicou na Internet para todo mundo ver. Não é a primeira vez que isso acontece e nem será a última. E isso não é exclusividade de pessoas famosas, diga-se. Temos casos e mais casos de não-famosos que “caíram na net”. Não sou qualificado para dissertar sobre as implicações sociológicas desse fenômeno, mas posso oferecer algumas dicas para que você ao menos evite que isso aconteça com você.

Antes de mais nada, deixe-me deixar absolutamente claro que eu não acho que as pessoas não deveriam tirar fotos comprometedoras. O corpo é seu e você tira quantas fotos você quiser e compartilha com quem bem entender. Porém, suas fotos comprometedoras (por qualquer definição que você tenha para a palavra) estarão tão seguras quanto a pessoa que recebe tal material quiser que elas estejam. Se você resolveu enviar qualquer tipo de foto/vídeo/SMS/WhatsApp/SnapChat para terceiros, saiba que esse material saiu do seu controle e não há absolutamente nada que você possa fazer sobre isso.

Pausa para falar sobre serviços que prometem anonimato. Não confie em SnapChat Secret/Tinder/Grindr e afins. Não são tão anônimos assim.

Certo! Mas e se eu quiser tirar umas fotos picantes (de acordo com a sua definição de picante, claro) com o meu namorado(a) / marido(a) / companheira(o) sem compartilhar com ninguém? Antes de mais nada, certifique-se que essas fotos não serão enviadas para “a nuvem” sem que você tenha conhecimento. Se você possui um iPhone, certifique-se que suas fotos não estão sendo enviadas automaticamente para o iCloud. No iPhone, vá em Ajustes > iCloud > Fotos e desmarque a opção “Meu Compartilhamento de Fotos”:

Se você tem o Dropbox no seu telefone, verifique se suas fotos não estão sendo automaticamente enviadas. Abra o aplicativo, vá em “Settings”  (“Configurações” em português) e desmarque a opção Camera Upload:

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A idéia é a mesma para Android / Windows Phone e para qualquer outro serviço de backup na “nuvem” do tipo Google Drive e Microsoft One Drive.

Se você já tem coisas no seu computador que você não quer compartilhar – intencionalmente ou não – com terceiros, considere criptografar seus arquivos. Para os usuários de Mac, um software como o Knox é uma boa opção. O Knox cria uma espécie de disco virtual que requer uma senha para ser acessado. Uma vez que o disco virtual está ativo, basta jogar seus arquivos confidenciais para dentro dele como se fosse um pendrive e pronto.

super_sekret

Knox_Preferences

Para Windows, recomendo o Gpg4win. Basta baixar, instalar e clicar com o botão direito na pasta ou arquivo que você quer proteger:

gpg4win

Além disso tudo, é sempre bom seguir as regras de ouro da Internet:

  • Não utilize a mesma senha em mais de um lugar. Use um gerenciador de senhas (1Password para Mac / KeePass para Windows, por exemplo) e crie senhas únicas e fortes para cada conta.
  • Use autenticação em duas etapas em todos os lugares possíveis. Google, Facebook, Twitter, Dropbox, Yahoo, Outlook.com, LinkedIn e muitos outros serviços oferecem essa funcionalidade. Ela exige um outro método de autenticação além da sua senha, portanto mesmo que alguém obtenha a sua senha, esse alguém não conseguiria ter acesso à sua conta.
  • Lembre-se que na Internet tudo é pra sempre. Uma vez lá, não tem como voltar atrás.

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brunoc*Bruno Cardoso é flamenguista, pai da Ollie e consultor de Segurança da Informação há dez anos.

 

 

Crédito das fotos: Gage Skidmore/Flickr/Reprodução/Arquivo Pessoal