A China e seu firewall de mil cabeças

travolta
(coluna do Ada na revista TPM, publicada na edição de agosto/2015)

Fiz uma viagem recente à China, meio a trabalho, meio a passeio. Eu nunca tinha estado antes na Ásia. O meu irmão, que vai com alguma frequência, me avisou por whatsapp antes de viajar: “Não se esqueça de que na China a internet é 100% controlada. Todos os teus e-mails são monitorados. Você vai perceber que a velocidade de download dos e-mails cai muito. O único site estrangeiro de busca que efetivamente funciona é o Yahoo e não lembro se o whatsapp é liberado.”

Eu sabia da existência do Firewall, a censura digital chinesa que faz com que a internet lá não seja livre, mas na minha cabeça eu inconscientemente resumi isso a “uma internet mais lenta”. Não devia ser tão ruim assim.

Depois de três dias em Hong Kong com wifi gratuito e megarrápido na cidade inteira, chegamos à China continental. Instagram, WhatsApp, Chrome, Gmail, Youtube, Messenger, Facebook, Slack, Foursquare e… meu deus, o tradutor! Todos mortos. Até o meu despertador fofinho  estava fora do ar. Foi como despencar em Marte.

Sim, a China “desliga” pedaços enormes da Internet, criminaliza a liberdade de expressão online e tem o maior número de jornalistas e cyberdissidentes presos do mundo. Essa muralha digital imposta pelo governo chinês censura e controla tudo o que as pessoas leem, fazem, curtem ou postam quando estão conectadas. Um exercício: imagine um lugar onde conversar com pessoas de outro país, (seja em fóruns, mensageiros ou redes sociais) é crime. Ou onde assinar uma petição online ou ler uma palavrinha de sabedoria do Dalai Lama pode te levar pra cadeia. Pior do que isso: imagine uma vida sem Google. Tá certo que existe um “Google chinês”, o Baidu, mas os algoritmos de busca são ridículos, exatamente por terem que ignorar pedaços inteiros da rede. Até os chineses reclamam.

“Impossível”, foi o meu veredito. Já no primeiro dia burlei o sistema contratando um serviço VPN (Virtual Personal Network); uma ferramenta que diz para a internet que o seu computador/smartphone está em outro país cada vez que você se conecta a um wifi. Ufa, paredes derrubadas. Respirei aliviada por alguns minutos, até me cair a ficha que eu também poderia estar sendo vigiada. Dali até o final da viagem convivi com a sensação de que alguém bateria na minha porta a qualquer momento.

Ao longo da viagem conversei com vários chineses; de coroas para quem o Facebook era um conceito bastante difuso, até adolescentes consumidores assíduos do tal VPN, que tinham acabado de criar suas contas no Instagram. Fiz tantas perguntas sobre as suas rotinas digitais que cheguei a incomodar, mas no fundo eu só queria entender as implicações de um país tão poderoso e influente construir a sua própria internet e ir contra a maior força da rede: transparência e compartilhamento. Quando isso some, o que sobra é poder e controle, mas também a emergência do lado B. A recém-criada Deep Web chinesa cresce a olhos vistos e já tem fama de abrigar bizarrices meio perturbadoras e movimentar um comércio ilegal de milhões de dólares.

Foi estranho experimentar uma internet presa em pleno 2015,  mas foi bom sair da minha bolha digital, imaginar como a vida poderia ser e entender quão precioso é ter acesso à informação sem paredes de fogo. De fato, eu nunca tinha parado para pensar no significado de viver em um país onde a web não é qualquer coisa que ela quiser ser. Prometi a mim mesma reconhecer o valor dessa liberdade todos os dias.

eu, com medo da polícia da internet ¯\_(ツ)_/¯

As Minas da Web: Janie Paula, Buxixo de Mães

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Janie foi mãe do Nicholas aos 16. Uma cesariana. Quando engravidou de Maia aos 28 questionou algumas escolhas pela falta de preparação da sua primeira maternidade. Sentiu que precisava de informação para poder escolher melhor, mesmo que optasse pelas mesmas coisas.

Com incentivo de uma amiga e grande ajuda da internet, descobriu um universo que se transformaria no seu modelo de vida e negócio. Janie continuou na publicidade até a última semana de gravidez, mas usava o seu “tempo de tela” para estudar. Depois do parto de Maia tudo mudou. Hoje ela encabeça um movimento multiplataforma que traz informação e diálogo a milhares de mulheres sobre parto natural, amamentação, educação com respeito e maternidade ativa. No seu escasso tempo livre, ela faz a mediação de mais de 1.600 mães no projeto Buxixo de Mães, é doula (sua principal fonte de renda), tem um blog, 2 perfis de instagram, 3 páginas no Facebook e 4 sites e usa a internet para promover encontros virtuais e presenciais.

 

Não pergunte ao Google

No pós-parto de seu primeiro filho, Janie se viu sozinha. Os seus amigos adolescentes sumiram e ela não tinha ninguém com quem falar sobre todas aquelas mudanças. No final da segunda gravidez ela teve medo de passar pelo mesmo. A maternidade era o seu principal (se não único) tema de conversação: “Ninguém mais dava conta da minha demanda, eu só falava sobre bebês e maternidade. É injusto cobrar esse interesse do outro” ela conta. A lista de discussão da parteira Ana Cristina Duarte no Yahoo foi a sua salvação. Lá ela se informou a partir de exemplos reais e compartilhou momentos íntimos com desconhecidas. “Quando você busca artigos na internet sobre o assunto, tipo usar ou não chupeta, tem um monte de informação contraditória. Todo mundo tem um manual de como criar um bebê e todos querem dar sua opinião na internet. As trocas em forums são mais humanas.“, conta.

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Por conta dessa lista, Janie pensou que seria legal criar um grupo menor só com as mães que ela foi conhecendo ao longo da gravidez. O Buxixo de Mães nasceu junto com Maia, em dezembro de 2012. O grupo começou no Facebook com 40 mulheres que precisavam falar abertamente, sem verdades absolutas. Elas usavam a rede para tirar dúvidas, desabafar e marcar encontros com os pequenos em livrarias, salões de festa e parques. A hashtag #buxixodemaes começou a bombar no Facebook e logo outras mulheres se interessaram. Para atender a demanda, Janie criou um segundo grupo, onde passou a receber mães do Brasil inteiro. Nos 3 primeiros dias 600 mulheres se inscreveram.

 

Big data, big love

A admissão acontece a partir de um formulário. Uma vez aprovadas, são adicionadas no “Mapa das Vizinhas”. Janie geo-localiza todas elas no Google Maps para que saibam quem mora por perto e incentivar encontros reais. O grupo já promoveu encontros até na Austrália. Desse convívio surgem muitas melhores amigas, parcerias profissionais e até sociedades.

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Na internet rola de tudo nos grupos ativistas, o povo é muito pé na porta. Escrevem para impor valores sem se colocar no lugar do outro. O Buxixo era diferente, a gente só não queria se sentir sozinha.” diz. Claro que já houveram barracos, e pelo volume/velocidade de informação que trafega pelo grupo (40 posts por dia, alguns com mais de 1.000 comentários) nem sempre é fácil mediar. De qualquer forma: lá dentro elas partilham valores. A sua parceira e amiga Yara Tropea entrou para a força-tarefa e hoje é fundamental no Buxixo.

Com o tempo Janie notou que listas fechadas tem uma grande força nesse universo e passam mais confiança: “Você parte do princípio que aquele conteúdo é real e curado, como uma indicação de uma amiga“, diz. O Buxixo também organiza bazares virtuais de troca e venda e seções como “Eu Faço”, onde a mulherada divulga os seus talentos e negócios sem flodar o feed.

 

Modo avião

Os smartphones diminuem muito a solidão do pós-parto, faz com que essas mães se sintam conectadas com o mundo.“, diz. Ao mesmo tempo Janie as incentiva a largar o celular nos momentos importantes, para que olhem os filhos sem a mediação de telas. “A internet é fundamental na minha vida, mas hoje tenho menos tempo para ela. A gente acaba fazendo tudo no tempo materno, sem pressão“, conta.

Mesmo assim Janie criou o Te Vi Nascer, um blog que reúne relatos de parto e o Enquanto eu Amamento, um perfil de insta que compartilha fotos lindas de mães alimentando os seus bebês. Ao todo, são 7.000 mulheres conectadas sob a sua tutela e mais 600 na lista de espera do Buxixo.

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Quando perguntei qual era o seu modelo de negócio, ela foi clara: “Sucesso pra mim não é medido por dinheiro.” Hoje ela não quer focar na necessidade do crescimento e pretende ter paciência para deixá-lo crescer naturalmente, sem metas e sem pressa. Ela confessa ter passado (e ainda passar) por muitos questionamentos sobre o que o Buxixo poderia virar. Um livro? Um curso? Um lugar físico para encontros? “O grupo é uma premissa de valores que pode usar qualquer ferramenta para fazer o que ele se propõe a fazer. Ele nunca vai ser uma coisa só“, garante.

Mas como o seu próprio uso da Internet reflete nos seus filhos? Janie levou um susto quando, aos 11 anos, Nicholas não sabia o que era um selo de carta, mas também não sabia o que era Facebook. Para ela, é necessário acompanhar de perto todo este amadurecimento digital para empurrá-lo em outras direções além do feed, além de restringir o tempo de acesso. “Hoje ele tem 15, então se depender dele é só Whatsapp. Nem email ele usa.” Ela consegue segurar os excessos do filho adolescente, mas confessa lidar com dificuldade com o seu próprio consumo. “Eu tenho orientá-lo o máximo possível pra que ele faça um bom uso da web, aprenda a pesquisar direito, a achar coisas legais… mas às vezes ele mesmo pede para eu sair do celular.

* créditos das imagens na ordem de aparição: Luciano Bergamashi, Lela Beltrão e Stephanie Salateo.

As Minas da Web: Marina Bortoluzzi, Instagrafite

Com este post (e um certo orgulho) inauguramos uma nova seção no Ada, As Minas da Web. Vamos mostrar quem são as mulheres que desenvolvem os projetos mais legais, bem sucedidos e inovadores da internet brasileira. Queremos ouvir o porque e o como elas fazem o que fazem, quais as motivações, as encrencas. Não é fácil ser mulher empreendedora na internet (a gente sabe), por isso quanto mais exemplos tivermos, menos mulheres vão desistir de tentar.

Começamos com força: um café de uma hora e meia com a Marina Bortoluzzi, a publicitária catarinense que é curadora e co-fundadora do Instagrafite.

 

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A Marina é o tipo de mulher que faz as pessoas acreditarem nas suas paixões como modelo de negócio. Quem a acompanha internet afora enxerga isso todo dia. Marina foi parar no SXSW, agora está no Havaí, apareceu pintando uma parede em Miami e está pedindo dicas de alguma cidade cool na costa oeste americana. O “como” é a pergunta fácil. Marina e Marcelo Pimentel, parceiro de vida e crime, criaram o Instagrafite: um perfil de Instagram que se transformou no canal digital mais respeitado na cena de arte urbana no mundo. O “porque” é a pergunta legal: dividir para multiplicar. “Tudo funciona de forma colaborativa, esse é o nosso lema“, ela diz.

Com 3 anos de vida, a marca tem mais de 1 milhão de seguidores, 5 sociedades embaixo do braço e é convidada a participar como mídia essencial de todos os festivais de arte de rua do mundo. Vale lembrar: apenas 0,0001% das contas no Instagram têm mais de 1 milhão de seguidores*. Marina e Marcelo ralaram por cada um deles.

 

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O arrôba

Marcelo criou o perfil no final de 2011 para preencher um vazio emocional depois da morte de sua mãe. Procurar os melhores grafites de São Paulo era uma boa desculpa para tirá-lo de casa e ocupar a cabeça. Marina o acompanhava nos rolês para ajudar com as fotos: “Inevitavelmente comecei a absorver esse universo. Quanto mais obras a gente fotografava, mais eu aprendia.” Não demorou para o perfil chamar a atenção e, em pouco tempo, pessoas do mundo inteiro começaram a marcá-los em fotos dos grafites que cruzavam os seus caminhos. Naturalmente, os próprios artistas passaram a querer estar naquela galeria muito bem curada. “Depois que abrimos para colaborações, acumulamos 4 meses de emails de pessoas bem foda no nosso inbox. Não sabíamos o que fazer com aquilo tudo“, conta.

Quando perguntei quais eram os artistas que eles agenciavam, ela respondeu com a maior naturalidade: “Na verdade todos. Tenho todos os artistas do mundo como possibilidade”. Ela ajuda os brasileiros a mostrar o seu trabalho lá fora a partir da sua rede de contatos, recebe os gringos na sua própria casa como se fossem família, resolve burocracias de visto e ajuda os que nem conta em banco têm. Tipo uma fada madrinha das ruas. “A relação é muito mais forte quando você está próximo“, diz.

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Hoje, depois de quase 5 mil posts e projetos com marcas incríveis na bagagem, já faz um tempo que o Instagrafite extrapolou o seu @. “Sabemos ser mídia, mas queremos dar cada vez mais atenção a outros formatos para explorar a nossa curadoría.” Só para 2015 eles já têm datas para lançar um canal no youtube, um blog e um aplicativo sobre arte de rua. E onde o calo aperta? “Temos um nome no mercado internacional mas quase nenhum trabalho dentro de casa. Queremos ser reconhecidos aqui.

 

Ser mina

Marina tem papo reto e é eloquente, por isso costuma dominar os ambientes de trabalho por onde passa. É boa gestora, coordena pessoas, é organizada e articula as negociações colocando entrelinhas na honestidade do Marcelo: “Eu faço um trabalho quase holístico de convencimento com o cliente“, ri. Ela sabe que é essencial para o negócio, mesmo não sendo o receptáculo criativo da dupla. “É difícil separar ‘state and church’?” eu pergunto. “Ah, sociedade com homem acaba sendo, ainda mais quando ele é o seu marido, mas se a gente não fosse um casal talvez o Instagrafite não fosse como é hoje”, diz.

 

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Olhando “a cena” do alto, Marina ocupa uma posição quase privilegiada. Existe um preconceito gritante com artistas de rua mulheres. Ou elas são casadas com outro artista e através da dupla se elevam, ou são consideradas homossexuais e precisam suprimir a sua feminilidade para serem respeitadas.  “Só a inteligência barra o preconceito, por isso ninguém menospreza o meu trampo, mas sinto que às vezes preciso bater de frente com mais força“, conta. Em alguns meios empresariais de tecnologia e marketing, a misoginia é tão grande que ela precisa do Marcelo ao lado para ser ouvida.

Mas nem tudo está perdido e ela quer ajudar. Em sua última viagem ao Havaí, Marina notou um aumento da participação feminina e ficou feliz de perceber. No blog, que será lançado no final de março, ela quer dedicar uma seção inteira às minas do grafite.

 

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SP

O papo de morar fora do país é assunto recorrente entre o casal, mas São Paulo é um caso de amor e ódio. ” Estamos tendo a oportunidade de viajar para todo canto do mundo com frequência. Ao final de cada viagem eu ou ele nos perguntamos ‘tu morarias aqui’? A resposta dos dois é ‘não’. Nunca foi tão claro que a nossa cidade é São Paulo. No futuro talvez não seja, mas no presente é aqui que a gente deve e quer ficar. Estamos no lugar certo na hora certa“, ela contou ao Facebook. Em 2015, os dois pretendem explorar as possibilidades e sugar tudo o que ela pode oferecer.

 

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*fonte: Totems.co

fotos: arquivo pessoal

Artista coloca emojis em pinturas clássicas

Se a arte representa o estado de espírito de um povo em um determinado momento, a artista ucraniana Nastya Ptichek acertou em cheio na série de montagens Emoji Nation, em que incorpora emojis, aqueles ícones usados em chats e mensagens de texto, em quadros de pintores famosos como Edgar Degas, Edvard Munch, Pablo Picasso, Caravaggio e Edward Hopper.

Além de emojis, ela também usa imagens de redes sociais, como Facebook, Instagram, partes de sites do Google e mensagens de erro do Windows.

Segundo contou ao site da Wired, Nastya teve a ideia quando percebeu como alguns emojis do iPhone (o Grito de Munch sendo o mais clássico de todos) lembravam pinturas famosas, como pinturas conhecidas, e resolveu criar a série. Olhe como ficou:

"Duas bailarinas entrando no palco", Edgar Degas
“Duas bailarinas entrando no palco”, Edgar Degas
"A bebedora de absinto", Pablo Picasso
“A bebedora de absinto”, Pablo Picasso
"O Grito", Edvard Munch
“O Grito”, Edvard Munch
"Saturno devorando seu filho", Goya
“Saturno devorando seu filho”, Goya
 "A Travessia", Léon Spilliaert
“A Travessia”, Léon Spilliaert
''Domingo'', Edward Hopper
”Domingo”, Edward Hopper
''Conferência à Noite'', Edward Hopper
”Conferência à Noite”, Edward Hopper
''Noite de Verão'', Edward Hopper
”Noite de Verão”, Edward Hopper
Excursão filosófica, Edward Hopper
Excursão filosófica, Edward Hopper
"Luz do Sol em uma cafeteria", Edward Hopper
“Luz do Sol em uma cafeteria”, Edward Hopper
"A criação de Adão", Michelangelo
“A criação de Adão”, Michelangelo
"Ascensão de Cristo", Dosso Dossi
“Ascensão de Cristo”, Dosso Dossi
"A traição das imagens", René Magritte
“A traição das imagens”, René Magritte
"Jardim das Delícias", Hieronymus Bosch
“Jardim das Delícias”, Hieronymus Bosch

(Via Mashable)

(Crédito de todas as imagens: Nastya Pitchek)

Papel e lápis de cor para um belo #lookdodia

Uma das coisas mais legais do Instagram é quando ele faz com que blogs e tumblrs saiam dos nossos computadores e venham para os nossos celulares. Quando aquele (bom) conteúdo que a gente já amava se torna mais um quadradinho no nosso feed reconfortante de Instagrammers, parece que aquele universo se aproxima do nosso dia-a-dia e passa a nos fazer companhia de uma outra forma.

Jenny Williams, artista plástica novaiorquina que se auto-entitula “apenas mais uma mãe do Brooklyn”, queria criar um blog de moda mostrando as roupas que a sua filha Clementine, de 11 anos, e o seu grupo de amigos usavam. Ao invés de reproduzir o que zilhões de outros fashion blogs fazem (fotos de looks do dia e muitos duck faces), Jenny achou bem mais legal criar esboços lúdicos e quase irônicos para mostrar as escolhas indumentárias da filha e sua turma pré-adolescente. No perfil de instagram What My Daughter Wore, Jenny reposta os desenhos que faz para o seu blog e em pouco mais de um ano já atingiu quase 20.000 seguidores apaixonados pelo seu traço.

Os retratos coloridos mostram corpos desajeitados, caras emburradas, algumas caretas mas acima de tudo uma certa timidez mostra-esconde, orgulhosa de assumir e misturar referências e texturas num street style super contemporâneo. Um feed cheio de coroas de flores, bonés, óculos coloridos, franjas de papel crepom e fantasias de princesa e animais fofos que a vida adulta ainda não teve tempo de levar.

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Ps: não custa nada relembrar e morrer de amor pelo perfil de Instagram de Angie, mãe de Mayhem, uma garotinha de 4 anos apaixonada por moda. A mãe da pequena notou o interesse acima do normal de sua filha e começou a criar vestidos feitos de papel e muita criatividade. Passamos mal com essa réplica em cartulina do vestido que Lupita Nyong’o, vencedora do Oscar deste ano, usou na premiação dos Golden Globes. <3

 

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Cloak traz o modo incognito para a vida real

A essência das redes sociais sempre foi aproximar pessoas de amigos, da família, dos colegas e, às vezes,  de gente nem tão querida ou necessária na nossa vida. Mas e se fosse possível evitar um encontro com o seu chefe em um festival de música, ou com o ex em uma exposição através do seu celular?

Conheçam o Cloak (apenas para iOS): um aplicativo que usa a sua localização para te avisar sobre os perigos do mundo offline. Por enquanto, ele só cruza os dados de Foursquare e Instagram, mas quando todas as contas estão conectadas no app, ele mostra uma lista de amigos que estão por perto. Marque alguém e você será avisada cada vez que a pessoa estiver perto demais. Olha só como ele funciona:

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O projeto é do ex-diretor criativo do Buzzfeed, Chris Baker. Nessa pegada anti-social ele também inventou o Rather, uma extensão de Google Chrome que permite trocar conteúdo indesejado do Facebook  (fotos de bebês, celebridades, BBB, spoilers) por temas que sejam mais do agrado do freguês (como gatos, por exemplo, ha).

(Crédito das imagens: Reprodução)

Instagram une pai e filha através do Jazz

No último Dia dos Pais o Instagram lançou uma hashtag para celebrar a data, e a instagramer inglesa Zoë Timmers postou uma foto que mexeu com um monte de gente. Com esse post lindo ela quis homenagear o pai, especialista da indústria musical e colecionador de vinis de jazz. O seu enorme acervo de 10 mil discos fica em um chalé no norte da Inglaterra e tem mais de 70 anos de idade: o primeiro vinil foi comprado por ele em 1942.

Dad's Disc Delights

A foto fez sucesso e pessoas desconhecidas começaram a fazer perguntas sobre a sua coleção, sobre o disco que estava segurando e sobre a história do jazz. Zoë não teve dúvidas e criou um perfil só para isso, o Dad’s Discs Delight: um espaço que ela usa para se conectar com o pai e a sua grande paixão, além de uma ótima desculpa para passar mais tempo com ele.

Ela tira todas as fotos e o pai escreve as legendas, depois de decidirem juntos a ordem dos discos que querem mostrar. Zoë faz o post no Instagram e ele responde a todos os comentários. “O meu pai ficou surpreso com tanta empolgação. As pessoas fazem perguntas muito específicas e os comentários acabaram virando uma espécie de forum para quem já conhece jazz, mas também para quem está descobrindo o gênero agora e até para os que só curtem as imagens que fazemos.”, conta uma instagrammer feliz.
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(Crédito das fotos: Reprodução Dad’s Disc Delights http://instagram.com/dadsdiscdelights)