A mulher que quis botar ordem no Reddit

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Por Karla Lopez*

Já ouviu falar do Reddit? É uma salada de bobagens divertidas, como vídeos de gatinhos, misturada com links sérios, como matérias sobre a corrida presidencial americana. Você pode nunca ter entrado no site na vida, mas o conteúdo dele já apareceu no seu Facebook, no seu site preferido, na TV…

Essa fonte inesgotável de entretenimento é o que faz do Reddit um dos sites mais populares da web, acima do Netflix e do Pinterest. Com mais de 170 milhões de usuários (os Redditors), o site conta com milhares de seções (os SubReddits) que dividem o conteúdo em temas que vão desde de “Tatuagem” até “Coisas que pensei no chuveiro”.

O ingrediente mágico do Reddit é uma comunidade forte e ativa, que vota para dar visibilidade aos artigos que eles acham merecer ganhar a primeira página e gera em torno de sete bilhões de visualizações de páginas por mês. Só que lá todo mundo é anônimo. Essa é a grande força do Reddit: enquanto o Facebook tem buscado cada vez mais reforçar a identidade real dos usuários, o Reddit está no lado oposto — lá todo mundo pode fazer e dizer o que bem entender.

Por causa disso, há seções como “Ódio as mulheres”. “Batendo em nerds”, “Racismo”, “Abuso de animais”, entre outros ainda piores e com nomes menos óbvios. Nessas seções você encontra fotos, vídeos e relatos. Dá vontade de vomitar.

A desculpa dos fundadores é a boa e velha “Seres humanos serão humanos”, associada ao direito da liberdade de expressão.

Tudo bem, mas o Reddit é um meio com influência: o que aparece lá vira post em blogs, que vira hashtag no Twitter, que depois é falado e repetido incessantemente na TV, na mesa do bar, no escritório… Quanto mais lixo flutua por lá, mais gente é exposta não só a esse discurso de ódio, mas a coisas ilegais como pornografia infantil e incitação à violência.

Até que Ellen Pao veio para botar ordem na casa.

A executiva ficou famosa no Vale do Silício ao processar um famoso fundo de investimento de risco por discriminação por gênero, pedindo 100 milhões de dólares de indenização. O valor foi calculado com base em salários, promoções e bônus que ela alega ter perdido para colegas homens e brancos com a mesma posição, mas com performance abaixo da dela.

Ellen é formada em engenharia elétrica em Princeton e fez Direito e MBA em Harvard. Mas nada disso a protegeu das mesmas baboseiras que você ou uma amiga já deve ter ouvido no escritório.

No julgamento, Ellen disse ter sofrido assédio sexual e moral como retaliação por terminar um relacionamento com um colega de trabalho casado.

Segundo ela, a equipe costumava dizer que “mulher corta o barato” no trabalho. (Confesso que já ouvi essa várias vezes).

A firma, claro, contou uma versão diferente: disse que ela era não era boa no que fazia, que ela achava ser mais do que realmente entregava e que não sabia trabalhar em equipe. Agora imagina trabalhar em equipe com um time que fica dizendo que você “corta o barato” porque é mulher? E ser produtiva em um trabalho em que um chefe quer te punir por não ser mais amante do amigo dele? Difícil.

O julgamento contou com seis mulheres e seis homens e eles decidiram em favor do empregador, o que eu achei super triste, mas pelo menos o circo todo acendeu várias discussões sobre sexismo no Vale.

Ellen começou a trabalhar no Reddit em 2013 e virou CEO interina em 2014. Ela tomou decisões muito legais, como acabar com negociação de salário na contratação dos empregados, baseada em alguns estudos que dizem que mulheres sempre saem perdendo nesse tipo de situação.

Depois de oito meses na função, ela começou a expandir a audiência do site além do jovem americano branco, que é o público mais clássico do site. Isso gerou revolta nos usuários, que começaram uma campanha de insultos baseados em sexo e raça, além de comparações com Hittler e uma petição com mais de 200 mil assinaturas exigindo sua demissão.

O Reddit é uma mídia online como qualquer outra, vive de publicidade. A intenção dos executivos e investidores é lucrar, mas como vender publicidade pra esse tipo de conteúdo? Quem vai querer anunciar na seção “Odeio Preto” ou “Mulher é tudo vagabunda”? Além de ser imoral e ilegal, é ruim para os negócios, e $$$ é uma língua o Vale do Silício entende muito bem.

Com essa diretriz no começo do ano Ellen liderou o fechamento de algumas seções controversas, como o subreddit “Transfag” (que insultava transsexuals) e “fatpeoplehate” (que insultava pessoas gordas). No começo de julho Victoria Taylor, diretora de comunicações responsável pela seção de perguntas e respostas (uma das mais populares do site) foi demitida de forma muito estranha, e com isso os protestos ficaram ainda inflamados, pintando uma imagem de que sob o comando de Ellen, o Reddit não se preocupava mais com a comunidade de usuários. Os Redditors chegaram a fechar partes populares do site, em protesto à demissão de Victoria, e a culpa toda, segundo eles, foi de Ellen.

Ninguém pode dizer que os ataques foram surpresa. O Reddit é famoso por dar tração a campanhas para desmoralizar mulheres, como a feita contra a crítica de videogames Anita Sarkeesian e a desenvolvedora Zoe Quinn, que recebeu o nome de “Gamergate”.

Vamos combinar que um board que permite que uma empresa vire um viveiro de racismo e sexismo não ia ser capaz de proteger uma CEO mulher e oriental da pressão dos usuários, né? Foi o que aconteceu. Ela foi demitida.

Nesse momento está a maior confusão. Yishan Wong, ex-CEO, acusa um dos fundadores te ter demitido a diretora de comunicações Victoria Taylor e se esconder atrás de Ellen Pao, para que ela levasse a culpa. E onde ele postou essa e outras acusações contra a empresa? No próprio Reddit. E a imprensa também está perdidinha no meio do fogo cruzado.

A pergunta que fica é: será que ela foi queimada em praça pública por fazer o que nenhum homem antes dela teve colhões, que era colocar freios nos trolls do Reddit?

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*Karla Lopez é paulistana, corintiana e vive andando. Queria ser programadora, mas virou radialista. Parte teimosia, parte acaso, acabou co-fundadora de uma empresa de impressão 3d. Está no Vale do Silício há alguns anos mas ainda não entende nada.

Foto: Christopher Michel/Flickr

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As mulheres do Vale do Silício

O Vale do Silício é o grande celeiro de oportunidades em tecnologia, mas não é um dos lugares mais receptivos para mulheres. Já falamos por aqui sobre os exemplos negativos, como o “Esposas do Silício” e casos de discriminação e assédio velados, mas nós do Ada continuaremos batendo nesta tecla: mulheres precisam de exemplos para se sentirem capazes de ter ambição.

 

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Lea Coligado estuda Ciência da Computação na Universidade de Stanford. Durante uma de suas férias de verão, ela fez um estágio no Facebook, desenvolvendo um aplicativo para iOS. Na volta às aulas, durante um papo entre colegas sobre o que tinham feito nas férias, um de seus amigos contou que tinha estagiado no Facebook, ao que outro respondeu de queixo caído “Uau! Sério?! Não sabia que você era tão inteligente!” Quando perguntaram a Lea e ela deu a mesma resposta, a reação foi totalmente diferente: “Ah, eu deveria ter me inscrito, então.” Lea ficou furiosa. Ela tinha passado pelos mesmos processos seletivos, cumprido o mesmo programa e entregue os mesmos resultados que o seu colega. Porque com ela era diferente?

Inspirada pelo minimalismo de Humans of New York, um projeto que usa a internet para mostrar fragmentos da vida de pessoas comuns, Lea criou Women of Silicon Valley. Um espaço para contar histórias de mulheres que resistem às dificuldades desse mercado, celebrar os seus exemplos e criar novas narrativas. Ao longo dos anos, Lea conheceu e ouviu a história de mulheres talentosas, resilientes e geniais. Porque então ela nunca tinha ouvido falar sobre elas na mídia?

 

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Ao site da revista Fortune ela admitiu que, até começar a sentir na pele a desigualdade de gênero, pensava que grande parte do que ela ouvia a respeito era “folclore da mídia“. Quem dera. Durante sua breve experiência profissional Lea percebeu que a sua predileção por vestidos e o tom mais agudo da sua voz incomodavam e chamavam a atenção de muitos marmanjos ao mesmo tempo. “Levei tanta cantada ruim que passei a evitar passar departamentos inteiros da firma”, diz.

Felizmente, mesmo dentro dessa jornada tortuosa há quem pense diferente. O seu próprio chefe no Facebook a encorajava a arriscar em suas decisões quando ela sequer se sentia segura sobre o seu jeito de vestir. “Uma ex-chefe me disse para cortar a erva daninha e regar as plantas do caminho,” e é exatamente o que Lea tem feito.

Como a pauta da igualdade de gênero tem se tornado um assunto obrigatório dentro das grandes empresas de tecnologia, o desinteresse masculino se transformou em desprezo por um suposto sistema de cotas. Fato é que, gostando ou não, grandes mulheres estão entrando goela abaixo da indústria. O caminho ainda é bem longo, mas pelo menos já temos para onde olhar.

(Imagens: Reprodução Women of Silicon Valley/Lea Coligado)

As Minas da Web: Janie Paula, Buxixo de Mães

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Janie foi mãe do Nicholas aos 16. Uma cesariana. Quando engravidou de Maia aos 28 questionou algumas escolhas pela falta de preparação da sua primeira maternidade. Sentiu que precisava de informação para poder escolher melhor, mesmo que optasse pelas mesmas coisas.

Com incentivo de uma amiga e grande ajuda da internet, descobriu um universo que se transformaria no seu modelo de vida e negócio. Janie continuou na publicidade até a última semana de gravidez, mas usava o seu “tempo de tela” para estudar. Depois do parto de Maia tudo mudou. Hoje ela encabeça um movimento multiplataforma que traz informação e diálogo a milhares de mulheres sobre parto natural, amamentação, educação com respeito e maternidade ativa. No seu escasso tempo livre, ela faz a mediação de mais de 1.600 mães no projeto Buxixo de Mães, é doula (sua principal fonte de renda), tem um blog, 2 perfis de instagram, 3 páginas no Facebook e 4 sites e usa a internet para promover encontros virtuais e presenciais.

 

Não pergunte ao Google

No pós-parto de seu primeiro filho, Janie se viu sozinha. Os seus amigos adolescentes sumiram e ela não tinha ninguém com quem falar sobre todas aquelas mudanças. No final da segunda gravidez ela teve medo de passar pelo mesmo. A maternidade era o seu principal (se não único) tema de conversação: “Ninguém mais dava conta da minha demanda, eu só falava sobre bebês e maternidade. É injusto cobrar esse interesse do outro” ela conta. A lista de discussão da parteira Ana Cristina Duarte no Yahoo foi a sua salvação. Lá ela se informou a partir de exemplos reais e compartilhou momentos íntimos com desconhecidas. “Quando você busca artigos na internet sobre o assunto, tipo usar ou não chupeta, tem um monte de informação contraditória. Todo mundo tem um manual de como criar um bebê e todos querem dar sua opinião na internet. As trocas em forums são mais humanas.“, conta.

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Por conta dessa lista, Janie pensou que seria legal criar um grupo menor só com as mães que ela foi conhecendo ao longo da gravidez. O Buxixo de Mães nasceu junto com Maia, em dezembro de 2012. O grupo começou no Facebook com 40 mulheres que precisavam falar abertamente, sem verdades absolutas. Elas usavam a rede para tirar dúvidas, desabafar e marcar encontros com os pequenos em livrarias, salões de festa e parques. A hashtag #buxixodemaes começou a bombar no Facebook e logo outras mulheres se interessaram. Para atender a demanda, Janie criou um segundo grupo, onde passou a receber mães do Brasil inteiro. Nos 3 primeiros dias 600 mulheres se inscreveram.

 

Big data, big love

A admissão acontece a partir de um formulário. Uma vez aprovadas, são adicionadas no “Mapa das Vizinhas”. Janie geo-localiza todas elas no Google Maps para que saibam quem mora por perto e incentivar encontros reais. O grupo já promoveu encontros até na Austrália. Desse convívio surgem muitas melhores amigas, parcerias profissionais e até sociedades.

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Na internet rola de tudo nos grupos ativistas, o povo é muito pé na porta. Escrevem para impor valores sem se colocar no lugar do outro. O Buxixo era diferente, a gente só não queria se sentir sozinha.” diz. Claro que já houveram barracos, e pelo volume/velocidade de informação que trafega pelo grupo (40 posts por dia, alguns com mais de 1.000 comentários) nem sempre é fácil mediar. De qualquer forma: lá dentro elas partilham valores. A sua parceira e amiga Yara Tropea entrou para a força-tarefa e hoje é fundamental no Buxixo.

Com o tempo Janie notou que listas fechadas tem uma grande força nesse universo e passam mais confiança: “Você parte do princípio que aquele conteúdo é real e curado, como uma indicação de uma amiga“, diz. O Buxixo também organiza bazares virtuais de troca e venda e seções como “Eu Faço”, onde a mulherada divulga os seus talentos e negócios sem flodar o feed.

 

Modo avião

Os smartphones diminuem muito a solidão do pós-parto, faz com que essas mães se sintam conectadas com o mundo.“, diz. Ao mesmo tempo Janie as incentiva a largar o celular nos momentos importantes, para que olhem os filhos sem a mediação de telas. “A internet é fundamental na minha vida, mas hoje tenho menos tempo para ela. A gente acaba fazendo tudo no tempo materno, sem pressão“, conta.

Mesmo assim Janie criou o Te Vi Nascer, um blog que reúne relatos de parto e o Enquanto eu Amamento, um perfil de insta que compartilha fotos lindas de mães alimentando os seus bebês. Ao todo, são 7.000 mulheres conectadas sob a sua tutela e mais 600 na lista de espera do Buxixo.

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Quando perguntei qual era o seu modelo de negócio, ela foi clara: “Sucesso pra mim não é medido por dinheiro.” Hoje ela não quer focar na necessidade do crescimento e pretende ter paciência para deixá-lo crescer naturalmente, sem metas e sem pressa. Ela confessa ter passado (e ainda passar) por muitos questionamentos sobre o que o Buxixo poderia virar. Um livro? Um curso? Um lugar físico para encontros? “O grupo é uma premissa de valores que pode usar qualquer ferramenta para fazer o que ele se propõe a fazer. Ele nunca vai ser uma coisa só“, garante.

Mas como o seu próprio uso da Internet reflete nos seus filhos? Janie levou um susto quando, aos 11 anos, Nicholas não sabia o que era um selo de carta, mas também não sabia o que era Facebook. Para ela, é necessário acompanhar de perto todo este amadurecimento digital para empurrá-lo em outras direções além do feed, além de restringir o tempo de acesso. “Hoje ele tem 15, então se depender dele é só Whatsapp. Nem email ele usa.” Ela consegue segurar os excessos do filho adolescente, mas confessa lidar com dificuldade com o seu próprio consumo. “Eu tenho orientá-lo o máximo possível pra que ele faça um bom uso da web, aprenda a pesquisar direito, a achar coisas legais… mas às vezes ele mesmo pede para eu sair do celular.

* créditos das imagens na ordem de aparição: Luciano Bergamashi, Lela Beltrão e Stephanie Salateo.

As Minas da Web: Marina Bortoluzzi, Instagrafite

Com este post (e um certo orgulho) inauguramos uma nova seção no Ada, As Minas da Web. Vamos mostrar quem são as mulheres que desenvolvem os projetos mais legais, bem sucedidos e inovadores da internet brasileira. Queremos ouvir o porque e o como elas fazem o que fazem, quais as motivações, as encrencas. Não é fácil ser mulher empreendedora na internet (a gente sabe), por isso quanto mais exemplos tivermos, menos mulheres vão desistir de tentar.

Começamos com força: um café de uma hora e meia com a Marina Bortoluzzi, a publicitária catarinense que é curadora e co-fundadora do Instagrafite.

 

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A Marina é o tipo de mulher que faz as pessoas acreditarem nas suas paixões como modelo de negócio. Quem a acompanha internet afora enxerga isso todo dia. Marina foi parar no SXSW, agora está no Havaí, apareceu pintando uma parede em Miami e está pedindo dicas de alguma cidade cool na costa oeste americana. O “como” é a pergunta fácil. Marina e Marcelo Pimentel, parceiro de vida e crime, criaram o Instagrafite: um perfil de Instagram que se transformou no canal digital mais respeitado na cena de arte urbana no mundo. O “porque” é a pergunta legal: dividir para multiplicar. “Tudo funciona de forma colaborativa, esse é o nosso lema“, ela diz.

Com 3 anos de vida, a marca tem mais de 1 milhão de seguidores, 5 sociedades embaixo do braço e é convidada a participar como mídia essencial de todos os festivais de arte de rua do mundo. Vale lembrar: apenas 0,0001% das contas no Instagram têm mais de 1 milhão de seguidores*. Marina e Marcelo ralaram por cada um deles.

 

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O arrôba

Marcelo criou o perfil no final de 2011 para preencher um vazio emocional depois da morte de sua mãe. Procurar os melhores grafites de São Paulo era uma boa desculpa para tirá-lo de casa e ocupar a cabeça. Marina o acompanhava nos rolês para ajudar com as fotos: “Inevitavelmente comecei a absorver esse universo. Quanto mais obras a gente fotografava, mais eu aprendia.” Não demorou para o perfil chamar a atenção e, em pouco tempo, pessoas do mundo inteiro começaram a marcá-los em fotos dos grafites que cruzavam os seus caminhos. Naturalmente, os próprios artistas passaram a querer estar naquela galeria muito bem curada. “Depois que abrimos para colaborações, acumulamos 4 meses de emails de pessoas bem foda no nosso inbox. Não sabíamos o que fazer com aquilo tudo“, conta.

Quando perguntei quais eram os artistas que eles agenciavam, ela respondeu com a maior naturalidade: “Na verdade todos. Tenho todos os artistas do mundo como possibilidade”. Ela ajuda os brasileiros a mostrar o seu trabalho lá fora a partir da sua rede de contatos, recebe os gringos na sua própria casa como se fossem família, resolve burocracias de visto e ajuda os que nem conta em banco têm. Tipo uma fada madrinha das ruas. “A relação é muito mais forte quando você está próximo“, diz.

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Hoje, depois de quase 5 mil posts e projetos com marcas incríveis na bagagem, já faz um tempo que o Instagrafite extrapolou o seu @. “Sabemos ser mídia, mas queremos dar cada vez mais atenção a outros formatos para explorar a nossa curadoría.” Só para 2015 eles já têm datas para lançar um canal no youtube, um blog e um aplicativo sobre arte de rua. E onde o calo aperta? “Temos um nome no mercado internacional mas quase nenhum trabalho dentro de casa. Queremos ser reconhecidos aqui.

 

Ser mina

Marina tem papo reto e é eloquente, por isso costuma dominar os ambientes de trabalho por onde passa. É boa gestora, coordena pessoas, é organizada e articula as negociações colocando entrelinhas na honestidade do Marcelo: “Eu faço um trabalho quase holístico de convencimento com o cliente“, ri. Ela sabe que é essencial para o negócio, mesmo não sendo o receptáculo criativo da dupla. “É difícil separar ‘state and church’?” eu pergunto. “Ah, sociedade com homem acaba sendo, ainda mais quando ele é o seu marido, mas se a gente não fosse um casal talvez o Instagrafite não fosse como é hoje”, diz.

 

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Olhando “a cena” do alto, Marina ocupa uma posição quase privilegiada. Existe um preconceito gritante com artistas de rua mulheres. Ou elas são casadas com outro artista e através da dupla se elevam, ou são consideradas homossexuais e precisam suprimir a sua feminilidade para serem respeitadas.  “Só a inteligência barra o preconceito, por isso ninguém menospreza o meu trampo, mas sinto que às vezes preciso bater de frente com mais força“, conta. Em alguns meios empresariais de tecnologia e marketing, a misoginia é tão grande que ela precisa do Marcelo ao lado para ser ouvida.

Mas nem tudo está perdido e ela quer ajudar. Em sua última viagem ao Havaí, Marina notou um aumento da participação feminina e ficou feliz de perceber. No blog, que será lançado no final de março, ela quer dedicar uma seção inteira às minas do grafite.

 

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SP

O papo de morar fora do país é assunto recorrente entre o casal, mas São Paulo é um caso de amor e ódio. ” Estamos tendo a oportunidade de viajar para todo canto do mundo com frequência. Ao final de cada viagem eu ou ele nos perguntamos ‘tu morarias aqui’? A resposta dos dois é ‘não’. Nunca foi tão claro que a nossa cidade é São Paulo. No futuro talvez não seja, mas no presente é aqui que a gente deve e quer ficar. Estamos no lugar certo na hora certa“, ela contou ao Facebook. Em 2015, os dois pretendem explorar as possibilidades e sugar tudo o que ela pode oferecer.

 

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*fonte: Totems.co

fotos: arquivo pessoal

A internet erótica das mulheres

(Um aviso: por causa da natureza do conteúdo, cuidado ao clicar nos links, especialmente se você estiver no trabalho ou na escola. E claro, tudo aqui é para maiores de 18 anos!)

 

 

porn!

ilustração por Thiago Thomé*

 

(Colaborou Cora Poumayrac Nieto)

A pornografia é tida como a força por trás da expansão da World Wide Web desde a sua invenção. Há até quem diga que a internet só foi criada com esse propósito: abraçar esquisitices e suprir desejos inomináveis da vida off-line. Ela representa quase um terço do tráfego total de dados online e 25% das buscas feitas no Google, mas nessa festinha, só um entre três usuários são mulheres. Porque nós não consumimos tanta pornografia como os homens?

Fizemos uma pesquisa anônima entre quase 600 mulheres para entender qual é a internet erótica delas. Além de gerar este grande dossiê, estas respostas nos ajudaram a entender um pouco mais como este conteúdo é consumido.  Descobrimos que 34% das mulheres que responderam nossa pesquisa consomem pornografia menos de uma vez por semana, 29% consomem uma vez por mês ou raramente e 25% consomem três vezes por semana. Esse dado nos fez pensar que quem encontra o que realmente gosta faz disso um hábito. E para facilitar essa busca criamos um guia de pornografia para mulheres com as dicas que surgiram na nossa pesquisa e outros trunfos que garimpamos. É só clicar em cada item para ir às recomendações, e lembre-se de esconder a sua tela!

 

1) Portais de vídeo

2) Tumblrs

3) Contos eróticos

4) Conteúdo pago e bem recomendado

5) Outros formatos

6) Queer (vida longa à diversidade)

7) Casting e direção

            Bônus: siglas que podem te ajudar

 


 

1) Portais de vídeo
Grande parte dos portais de pornô em streaming (vídeos que você não precisa baixar) são gratuitos e costumam ter centenas de milhares de opções. Por isso mesmo representam grande parte das respostas da nossa pesquisa. Isso não quer dizer que eles agradem: muitas mulheres reclamaram que é difícil achar conteúdo interessante, que o excesso de opções é ruim e que nada ali contempla o erotismo feminino. “Gosto de me deparar com o inusitado. Ponho frases e ou palavras soltas e vou fuçando”, recomendou uma de nossas leitoras.

No meio do caminho, muitas desistem com preguiça desse trabalho de garimpagem. Estas são algumas dicas que recebemos para deixar o processo mais indolor e fácil:

1) Descubra o nome do elenco daquele filme que você amou e siga os artistas em mais de um portal.
2) Evite os mais populares, os “top rated” e os mais vistos: eles não são para você. Normalmente são vídeos mais machistões naquele roteiro que a gente já conhece: sexo oral -> penetração -> gozada na cara.
3) Crie suas próprias “playlists” (vários deles permitem que você faça uma seleção e salve).
4) Explore canais específicos até descobrir os que mais te agradam. Como eles são alimentados por produtoras e estudios diferentes, você já vai saber o que esperar em termos de elenco, cenografia, enredo etc.
5) Perca tempo pesquisando as categorias e tente achar o que te agrada nelas. Com isso em mente, crie filtros de busca mais específicos. Por exemplo, ao invés de “sexo oral”, pesquise “oral sex girl on top” ou “oral sex on cars”. (Amamos a confissão de uma das nossas leitoras: “eu sempre acho algo legal quando procuro gay greek men!”).
6) Nunca, nunca, nunca clique em “transe agora”. Você se verá presa em um loop de janelas popup anunciando as coisas mais bizarras da internet.

Mas se a preguiça for muita, tente estas opções:

PornIQ: é um portal de vídeos que ajuda a separar o joio do trigo. Antes de mostrar qualquer opção, ele faz algumas perguntas sobre as suas preferências. “Você curte: sexo amador, orgias imperiais, lugares públicos, fixação oral…?” e no final ele separa os resultados pelo tempo que você tem disponível. A gente apelidou de “smart porn”.

PornMD: um site de busca pornô que agrega resultados de todos os portais de video gratuitos. Nada demais, certo? Se não fosse pelo seu algoritmo espertinho que sugere resultados para sua busca que podem te mostrar universos ainda mais legais.

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Se você estiver com tempo livre, tente as nossas dicas nestes portais. Com o passar do tempo você vai perceber que alguns te agradam mais do que outros; seja pelo design do site ser melhorzinho, seja por ter menos banners de peitos pulando vigorosamente. Em geral, muitos dos vídeos se repetem, mas todos os canais tentam se diferenciar com alguma coleção específica, como produções nacionais, sexo amador e videos do Leste Europeu.

Vai que vai:

4tube

BoaFoda

Cam4

Chaturbate

ForHerTube

Pornhub

Redtube

Safadas

Samba Pornô

Suzi

Tubegalore

Xhamsters

XNXX

Xshare

Youjizz

Youporn

 

Siglas que podem te ajudar:

NSFW (Not Safe For Work): sigla para Não Abra no Trabalho (nem no ônibus, em filas, em casa, na presença de pais ou filhos).
BDSM: sigla que define a pornografia dedicada ao Bondage, Disciplina, Dominação, Submissão, Sadismo e Masoquismo.
MILF (Moms I’d Like to Fuck) FILF/DILF (Fathers/Dads I’d Like to Fuck):  sigla para Mães/Pais Com Quem eu Treparia.
ATM (Ass To Mouth): sigla que define um tipo de sexo que alterna entre o sexo anal e oral com uma ou mais pessoas. Já foi um grande tabu, hoje é hype.
BHM (Big Handsome Men) e BBW (Big Beautiful Women): uma vertente de pornô dedicada apenas a mulheres e homens acima do peso.
CFNM (Clothed Female, Naked Male): sigla para Mulheres Vestidas e Homens Nus.
POV (point of view): sigla para Ponto de Vista, ou seja, um vídeo sendo gravado por um dos protagonistas da cena.
DP: sigla para Dupla Penetração.

De volta ao início


 

2) Tumblrs

Grande campeão da empolgação feminina, o Tumblr tem se mostrado o melhor amigo das mulheres nesta seara. Porque? Além de atender a muitos nichos e agradar minorias (que tal um Tumblr só de homens gostosos e… peças de queijo? Ou talvez um sobre ateísmo e peitos?), a grande sacada é que o site aceita GIFs animados. Pela enorme quantidade de recomendações que recebemos (mais de 300 mulheres mencionaram pelo menos um Tumblr), começamos a pensar se os GIFs não estariam começando a mudar a relação e a acessibilidade da mulher à pornografia.

Faz um pouco de sentido: eles são discretos, silenciosos, carregam rápido em qualquer computador ou rede (inclusive nos smartphones) e são as melhores partes dos videos que a gente vive adiantando para ver “no que vai dar”. Além disso, o Tumblr é tão fácil de usar que algumas das nossas leitoras confessaram ter os seus próprios canais para repostar o que acham na plataforma e criar a sua galeria privada, exatamente do jeito que gostam. Bela dica. Recebemos uma lista infinita da qual pincelamos alguns:

 

Dicks for girls

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Um dos Tumblrs mais recomendados para as apreciadoras de um belo e distinto membro. Começa sempre com barbas bonitas, torsos malhados e pescoços tatuados, mas conforme a rolagem desce, surgem os poderosos e bem fotografados: com luz natural em casas de revista.

 

Underwear Tuesday

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Logo de cara: “este não é um blog de pornografia”. Aqui o foco é fotografia erótica não escrachada e bastante “vida real”.

 

Romantic Pornography

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Pornozinho delícia para mulheres hetero. Tudo em PB, muitas preliminares inspiradoras e bastante sexo oral. Bom pra ver junto.

 

Porn for ladies

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Este foi um Tumblr campeão de respostas na nossa pesquisa. O que agrada as mulheres e só as mulheres? A galeria tem foco nas heterossexuais, mas a seleção é bem vasta: orais empenhados, fantasia de dominatrix, um pouco de bondage, gelo no peitinho, oral no táxi (e por baixo da mesa), quadrinhos eróticos, pornô vintage, bundinhas musculosas de homens gatos e, por que não, um toque de romance .

 

Let me suck you

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Totalmente NSFW! Mas perfeito para quem não aguenta mais clicar na categoria “sexo oral” e só ver videos de mulheres de unhas de porcelana ajoelhadas em carpetes de motel.

 

Let me do this

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Intimidade depravada e bem fotografada. Bem delícia.

 

(M)alicia’s
(m) alicias

Pérola da nossa pesquisa! Esse Tumblr é de uma das nossas leitoras que, por sinal é muito bem humorada e democrática. Tem mina com mina, boquete falando no celular e plug anal em formato de rabinho de raposa. Apenas. “Lá posto e reblogo tudo o que curto”, diz ela.

 

Sex is not the enemy
Aê! Muita, muita, muita DI-VER-SI-DA-DE. Transsexuais e transgêneros, anões gatinhos, peles pintadas de vitiligo, mulheres lindas com mastectomia, pêlos nas axilas, micro-pênis e sexo de All Star. Definitivamente, sexo não é o inimigo.

 

Lili Likes

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Lili é uma doidinha de 31 anos, fã de bondage, submissão e sadomasoquismo. A galeria dela passeia por esse universo com bom gosto e ainda por cima oferece um player com a trilha do filme Réquiem para um Sonho <3 Para fãs de uma pegada um pouco mais forte em SM, vale checar o seu “projeto paralelo”, o SlaveMyMaster. A quem possa interessar: Lili vende suas calcinhas usadas e envia por correio para o mundo todo. Taí um nicho!

 

Your Daily CFNM
Todo um gênero da pornografia, a sigla significa “Clothed Female, Naked Male”, algo como “mulheres vestidas e homens nus.” A coleção é divertida e mostra vários tipos de situações. Algumas cômicas e outras estranhamente sexy.

 

I-shot-myself
Uma idéia simples: uma galeria de selfies sexy. Tem de um tudo mesmo, peito caído, paus enormes (e minúsculos), bundas esculturais, estrias e proporções estranhas. É bem legal perceber como todo mundo consegue enxergar beleza nos seus próprios corpos a ponto de fotografá-los e publicá-los na internet.

 

Italians do it better
Um italiano apaixonado por sexo decidiu mostrar porque eles são melhores na cama do que o resto do mundo. Tem muito GIF de pornôzão clássico mas, ao que tudo indica, os moços amam fazer sexo oral e parecem realmente bons nisso. Fora que a gente amou os grandes narizes, as barbas desenhadas bem fininhas e os cavanhaques cafonas <3

 

Stereo Smut
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Pornografia vintage. Antigamente era assim: muito carão, pêlos a perder de vista, predileção inexplicável por sombra azul e fantasias sexuais peculiares. Ah, sim, fotonovelas!

 

Through Female Eyes

Imagine uma seleção das melhores partes dos melhores filmes pornôs que você já viu, só que em GIFs animados. Pois bem.

 

Borderline porn
Foco na penetração heterossexual. Explícito e sem firulas, mas nada vulgar.

 

Sex and (erotic) Nudism in public places
Sexo de verdade em lugares realmente públicos.

 

Maxing and Relaxing

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Mulheres lindas e nuas que parecem estar nas suas casas te convidando para tomar um café.

 

Outras curadorias mais randômicas de GIFs e imagens:

Testimonial Sex
I just want your dirty love
For her eyes only
Casal Putaria
Casal Sex N’ Roll
Accidental Pornographer
A Pornóloga
Blue Flashlight
Candy Now!
Delectatio Morosa
Fuck Yeah!!! Gay GIFs
É bom pra quem gosta
Pornographic Picture
Porn – Daily
Sexy Things
Suck my Pixxxel
Violence avec Elegance
Tomarno

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3) Contos eróticos

Mulheres são seres com alto poder de abstração e muita criatividade quando o assunto é sexo. Ao contrário dos homens, a inspiração visual e gráfica nem sempre é imprescindível. Poucas coisas são tão excitantes para o cérebro feminino quanto uma boa história; daquelas tão bem contadas que misturam o nosso próprio imaginário com universos desconhecidos e extremamente sedutores. Por não serem visuais (e por isso não causar repulsa), algumas categorias do pornô escrito são mais hardcore. Além disso, os contos são uma forma efetiva de se colocar no papel da protagonista sem ter que abstrair da tatuagem de beijo na virilha ou do piercing de pedrinha rosa nos grandes lábios.

Algumas sugestões em português:

Casa dos Contos Eróticos

Conto Erótico

Jardim do Prazer

Contos de Putaria

Acervo de Contos

Sugestões em inglês:

Literotica (um agregador de sites de literatura erótica)

Nerve

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4) Conteúdo pago e bem recomendado

Erika Lust: premiada diretora sueca, amada pelas mulheres que buscam alternativa ao pornô heteronormativo. Os seus vídeos são criados a partir de mentes femininas safadas e contemplam vários tipo de fetiche de forma muito natural (a ponto da grande maioria dos orgasmos parecerem reais.)

Dane Jones: diretor amigo da mulherada por fazer filmes com muita luz natural, bastante beijo na boca e um casting que você não se incomodaria de conhecer pessoalmente.

X-Art: videos explícitos e bem filmados com foco na mulher que procura sexo afetivo e safado com cara de vida real. Um pouco mais pesadinhos do que “sexo com beijo na boca”, mas de estética clara, em HD e com um belo casting.

Kink: bondage, fetish, dominação e submissão.

We Live Together: pornôzão oldschool lésbico.

Blacks on Blondes: loiras e negros. Com grandes, grandes membros.

Eroticax: totalmente voltado para o público feminino, muita luz natural e soft focus.


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5) Outros formatos

 

Literatura histérica

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Uma série de videos do fotógrafo Clayton Cubitt, que pediu a algumas mulheres para ler trechos de livros enquanto eram estimuladas por vibradores por baixo das mesas. O estímulo aumenta conforme o que elas vão lendo. A experiência é tão envolvente e sensorial que basta só ouvir!

 

Beautiful Agony

Beautiful Agony

Site erótico australiano que publica diariamente vídeos de pessoas se masturbando até chegarem ao orgasmo. Como os videos só mostram as pessoas dos ombros para cima, a grande sacada é ver as expressões se transformando até o gran finale.

 

Gods Girls

Site pago que oferece conteúdo multimidia (videos, contos, fotos, chats) com mulheres lindas que fazem pornô-não-profissional. Elas não são agenciadas e não são pagas. Só estão afim de mostrar o que gostam de fazer.

 

Men Moaning

Como é bom sermos criaturas tão sensoriais. Descobrimos uma série de bibliotecas de áudio só de homens sendo gravados durante o sexo. Alguns só gemem, outros dão ordens, outros são românticos no papai-e-mamãe com direito a tapa na cara no meio do caminho. Só na sua imaginação, claro. Uma das nossas leitoras confessou: “Foi maravilhoso descobrir que isso existia. Salvou a minha vida!”

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6) Queer

O termo anda em alta por indexar um tipo de pornografia que não tem predileção por gênero, orientação sexual, formato, fetiche, duração ou narrativa definida. Tudo funciona com tudo, os papéis podem se inverter a qualquer momento, aparelhos, apetrechos, situações e até a própria mecânica do sexo… simplesmente não há padrões. A única regra é: o prazer deve ser genuíno, por isso é considerada uma vertente quase indie da indústria. É feita por micro e pequenos estúdios por profissionais que trabalham com acordos comerciais equitativos e justos (fair trade).

Espere ver corpos livres e mentes muito criativas fazendo o que dá vontade. Sabe o termo “fora da caixa”? Pois bem, a própria comunidade queer avisa: “foda A caixa”. Muitas coisas podem parecer bizarras, quase um freak show, mas outras podem abrir portas para um universo rico de referências eróticas. Pela infinidade de combinações das variáreis que oferece, é uma pornografia curiosa, experimental e sempre positiva; o tipo de imagem que continua no seu imaginário durante algum tempo. Também é chamada por alguns como “pornografia feminista”. Se joga:

Crash Pad Series

Jiz Lee

Queer Porn TV

Pink & White

Courtney Trouble

Indie Porn Revolution

Wolf Hudson is Bad

FTM Fucker

Pink Label

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7) Casting


Sem predileção e apenas em ordem alfabética, esta é a lista dos atores e atrizes preferidos da mulherada: Bruce Venture, Buck Angel, Christy Mack, James DeenKayden Kross, Manuel Ferrara, Nacho Vidal e, é claro, a grande moça dos “orgasmos reais”, Stoya.

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Thiago Thomé (aka Liquidpig) viveu por anos em São Francisco e é formado pela California College of Arts. Hoje mora em São Paulo, é designer, ilustrador e editor de arte da Confeitaria.

 

 

 

 

#fail da semana: a Barbie que não sabe programar

Lembram quando a gente comemorou aqui no site a nova linha da Lego com bonequinhas cientistas? 

E para os assinantes da newsletter, quando a gente também achou o máximo a linha de bonecas Miss Possible?

Aí quando descobrimos um livrinho da Barbie lançado nos Estados Unidos chamado “Barbie, Eu Posso Ser Uma Engenheira de Computação”, naturalmente a gente ia achar uma boa ideia, certo?

Errado.

E o problema não é Barbie em si. É o que esse livrinho, destinado a meninas, mostra Barbie criando um joguinho de computador, mas falando para sua irmã que ela não pode programar e que ela precisa de ajuda de dois rapazes, chamados Steve e Brian para isso. Olhem só:

 

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E a história continua com Barbie infectando o computador dela e da irmã com um vírus, até que os supracitados Steven e Brian resolveram seus problemas para elas. Tem um momento ótimo, em que os rapazes falam para ela “Se a gente fizer resolve mais rápido”. Juro.

Você pode ver todas as páginas do livrinho em inglês neste link aqui (e a gente já vai falar mais dele) e entender melhor a história nesta matéria do Daily Dot em inglês.

Acho que dá para imaginar os engulhos que sentimos quando vimos essa história. O Ada surgiu justamente como uma resposta a esse preconceito que mulheres não conseguem se virar com tecnologia e que precisam da ajuda masculina para isso. SIM, VOCÊ PODE é o nosso lema, e com esse tipo de iniciativa como o livro da Barbie, a gente percebe o quanto ainda tem que batalhar. Se meninas recebem essa mensagem de incompetência ainda pequenas, como fazer para mudar a cabeça delas quando forem mais velhas?

Mas o engulho não foi só nosso. A história explodiu nas redes sociais e duas estudantes de computação americanas montaram o Feminist Hacker Barbie, um site em que você pode reescrever as páginas do livro e distribuir a imagens nas redes sociais.  Veja algumas das melhores reações no Mashable.

Não demorou muito para a Mattel, que fabrica a boneca, ter que emitir algum tipo de comunicado, que foi postado na página do Facebook da Barbie:

Basicamente, ele diz que o livro foi publicado em 2010 e que desde então os livros foram refeitos. Então, o retrato da boneca nesta história não refletiria esta nova visão dos que a empresa quer para a Barbie, e pede desculpas por esta edição não refletir esta nova visão de empoderamento feminino.

Que vergonha, Mattel e Barbie. Bem ou mal, o amor que muitas meninas têm pela boneca deveria fazer a empresa levar mais a sério sua influência sobre elas. Que tal se mirar no exemplo da Goldie Blox e da Miss Possible?

[Atualização: o site Refinery29 achou a autora do livro, e a coisa continua não ficando muito bonita pros lados da Mattel, não.]

(Crédito das imagens: Pamie.com)

A mulher que alguns gamers amam odiar

*Por Renata Honorato

anita sarkeesian

Anita Sarkeesian causa emoções fortes. No dia 13 de outubro, a Universidade Estadual de Utah, nos Estados Unidos, recebeu um email afirmando que a instituição seria palco do maior massacre da história do país caso ela fizesse sua palestra no centro estudantil. Ela buscou proteção da polícia, que disse não poder evitar a entrada de pessoas com armas na universidade, por conta de uma lei local. Diante de uma possível tragédia, Anita desistiu do evento.

O que Anita fez para receber esse tipo de ódio? Ela defende a igualdade de gênero nos videogames.

Ela é a responsável pelo canal de Youtube Feminist FrequencySua série de vídeos “Tropes vs. Women in Video Games” discute a imagem da mulher nos jogos eletrônicos e faz perguntas como: é correto que figuras femininas sejam representadas frequentemente como uma princesa em busca de resgate ou como uma garota de programa que deve ser espancada pelo protagonista? O debate alimentado por Anita anda irritando alguns “entusiastas”, que escondidos sob o anonimato usam a Internet para expor o seu ódio e fazer ameaças de morte, que estão sendo investigadas pelo FBI.

O episódio de Utah não é isolado. Em março, Anita recebeu um prêmio durante o Game Developers Choice Awards, considerado o Oscar dos videogames, pela sua contribuição à indústria e pela importante discussão que levanta a partir de seus vídeos e palestras. Na ocasião, os organizadores do evento receberam um e-mail dizendo que uma bomba seria detonada durante a premiação. Em agosto, Anita fugiu de sua própria casa depois que seu endereço foi divulgado no Twitter por um usuário que prometeu matá-la. Isso sem falar nos incontáveis jogos online nos quais a ativista aparece sendo estuprada e violentada em simulações absurdas. 

Leia também:
Discriminação e assédio na tecnologia: uma história de falsas exceções

17 mulheres que fizeram da Internet o que ela é hoje

Quando a firma paga para você ser mãe mais tarde

Ela não é a única mulher a desagradar parte da comunidade gamer. A desenvolvedora de games Zoe Quinn viu sua vida se transformar em um inferno por causa de um boato que dizia que ela teria transado com jornalistas especializados em games para receber boas avaliações para o seu jogo. A fofoca foi o gatilho para que “justiceiros” se movimentassem na rede e orquestrassem uma onda de ataques surreais e absurdos contra ela. Fizeram piadas sobre estupro no Twitter e a ofenderam de forma totalmente irresponsável em fóruns e redes sociais.

Anita pode ter cancelado sua palestra em Utah, mas ela deixou claro que não pretende parar. Em seu Twitter, ela escreveu: “Vou continuar meu trabalho. Vou continuar a falar. Toda a indústria de games tem que se posicionar contra o assédio contra mulheres.”

Os games, como qualquer outra manifestação cultural de arte, expressam os valores de seus criadores. E isso é realmente algo preocupante. Os mais otimistas, contudo, acreditam em mudança e até afirmam que os jogos caminharão na mesma direção do cinema, que também enfrentou, décadas atrás, os mesmos dilemas da igualdade de gênero. Eu torço para que eles estejam certos. E você?


renatahonorato*Renata Honorato – Jornalista, cobriu por uma década o mercado de games. Depois de ouvir inúmeras vezes a frase “vai lavar louça”, pensou bem, comprou um máquina de lavar a dita-cuja e continuou escrevendo sobre “joguinhos”, agora com mais tempo, para pagar as contas.

Foto: Divulgação Feminist Frequency