Jean Jullien: o #sincerão da Internet

Jean Jullien é um designer gráfico francês bem-humorado e viciado em Internet. As suas ilustrações são leves e satíricas, de uma simplicidade incrível. Ele retrata os nossos excessos, manias e obsessões digitais de um jeito interessante. Ficamos com aquela inevitável sensação de “quem nunca“. E vocês?

Miranda July e o seu app Somebody

Na hierarquia atual das telecomunicações, um telefonema é um recurso de última instância e símbolo de grande intimidade. Quem nunca usou o whatsapp, por exemplo, para se desculpar por uma mancada que deveria ser remediada no mínimo pessoalmente (e/ou com flores)? Quem nunca se viu preso em uma DR infinita no chat do Facebook? Quem nunca tomou um pé na bunda via iMessage?
Pensando nisso, a artista/diretora/escritora Miranda July decidiu humanizar um dos recursos tecnológicos mais banais que carregamos para cima e para baixo nos nossos telefones: as mensagens de texto. Somebody é um aplicativo de mensagens criado em parceria com a marca Miu Miu que permite escolher um usuário desconhecido para entregar um recado ao seu destinatário.

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Como funciona: você digita a mensagem, escolhe a entonação com a qual ela deverá ser entregue e seleciona alguém próximo à pessoa com quem você realmente quer falar. Este usuário (provavelmente um estranho) deverá encontrar a pessoa certa e entregar a mensagem verbalmente, agindo como seu substituto. O mais legal: você pode incluir ações na entrega, como um “high-five”, um abraço apertado ou um choro copioso.

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Mas Somebody não nasceu como um app. No começo do ano, Miu Miu convidou Miranda para criar um filme sobre a sua nova coleção, o que deixou a artista apreensiva: “Todos os meus personagens são extraídos da vida real, do dia-a-dia, então no começo não tive certeza se conseguiria vestí-los com alta costura. Depois que me apresentaram as roupas eu entendi tudo, e as imagens começaram a surgir naturalmente”. Passou a imaginar mulheres de todas as idades usando os seus celulares e aplicativos em situações cotidianas vestindo aquelas peças. A imagem não saía de sua cabeça, por isso decidiu ouví-la com atenção.

Assim como a alta moda de Miu Miu seria “hackeada” por ela e usada de forma utilitária no seu filme, o mesmo poderia ser feito com a tecnologia. “Normalmente não questionamos a tecnologia que usamos. Ela é preciosa e nos sentimos sortudos simplesmente por poder usá-la.” A artista respondeu ao convite de Miu Miu perguntando se, além do filme, eles não animariam desenvolver um aplicativo com a premissa de Somebody. A resposta positiva veio em minutos, e Miranda se viu envolta em um processo criativo totalmente novo.

Mas é claro que em terra de Emojis, quem tem voz é rei, por isso é bom deixar o Somebody quietinho depois de algumas taças de vinho. Você provavelmente não quer acionar um desconhecido para abordar o seu ex em uma balada e lembrá-lo dos velhos tempos. Mesmo assim, obrigada Miranda, finalmente um app que incentiva a interação na vida real – e não só  para uma boa noite de sexo.

 

Os movimentos infinitos dos gifs animados de Erdal Inci

Uma das coisas mais bacanas sobre arte digital com gifs animados é a possibilidade de criar uma espécie de “moto perpétuo”, movimentos em imagens que não têm começo nem fim. O videoartista turco Erdal Inci usa Istambul como cenário de seus experimentos para criar gifs animados surreais, nos quais está correndo, andando ou criando padrões com lanternas e luzes.

Como ele explicou ao Huffington Post“Meu objetivo é encontrar e filmar um movimento interessante e cloná-lo [N.T.: copiando e colando o mesmo segmento em uma imagem maior] várias vezes, então o espectador pode ver todas as fases do movimento em período curto – como um ou dois segundos. Repetições e loops me fascinam, portanto eu amo gifs”.

Veja como ele consegue criar imagens hipnóticas e de quebra, deixar Istambul ainda mais interessante. Confira também o  portfolio digital de Inci, e seu trabalho no Tumblr, Vimeo e Instagram.

(Achado no Sploid)

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(Crédito das imagens: Erdal Inci)

De onde saem os doodles do Google da Copa do Mundo?

*Por Julia Costa Teles

Do alto do número 3477 da Avenida Faria Lima, em São Paulo, um grupo de quatro designers passa seus últimos dias no Brasil. Da sala transformada em laboratório de criação saíram os mais de 60 diferentes logotipos do Google (chamados de doodles) que celebraram a Copa do Mundo. E alguns mais estão por vir até a final, no domingo 13 de julho.

Essa foi a primeira vez na história do Google que os doodlers – como são chamados o grupo de 20 funcionários responsáveis por recriar os logotipos da empresa – trabalharam fora do quartel-general da empresa, em Mountain View, na Califórnia. No Brasil, eles estão representados por Matthew Cruickshank, Leon Hong, Sophie Diao e Ryan Germik.

O primeiro doodle nasceu em 1998, quando os fundadores do Google, Larry Page e Sergey Brin resolveram modificar o logotipo da empresa para avisar seus clientes de que estariam fora do escritório participando do festival Burning Man. Dois anos mais tarde, um doodle comemorando o Dia da Bastilha foi tão bem recebido que a empresa resolveu criar um departamento dedicado a celebrar eventos e datas comemorativas.

Segundo Cruickshank, o objetivo da experiência da Copa do Mundo era aproximar os doodlers da cultura e do povo brasileiro. Com isso, a rotina dos quatro mudou por completo. Eles, que em geral fazem seus desenhos com três meses de antecedência e trabalham em cima de lista pré-planejada de efemérides, passaram a criar doodles freneticamente de um dia para outro, às vezes mais de um por dia, para acompanhar o ritmo dos jogos. Além disso, o grupo assumiu o compromisso de representar todas as 32 seleções pelo menos uma vez.

Leia também:
Tumblr que estamos amando: Tinder na Copa

A inspiração vem da própria competição, das referências locais e das redes sociais. No quartel-general montado pela equipe do Google Brasil, eles têm acesso, em três televisões, ao Google Trends – site de monitoramento de tendências da internet -, às redes sociais dos jogadores, aos jogos quando eles acontecem e ao noticiário no resto do tempo. Além disso, pela hashtag #GoogleDoodles eles recebem sugestões dos fãs. Veja na galeria:

Espalhadas pelo local estão bandeiras de vários países, tabelas da Copa, o álbum de figurinhas oficial da Fifa, um toca-discos com vinis de MPB, camisetas, chuteiras, troféus, rascunhos e mais rascunhos de doodles e um quadro branco. Mas é no computador que as homenagens ganham vida. A grande maioria é feita em Flash, e todo mundo contribui um pouco com as habilidades que possui.

O Google, diferente de outras marcas, optou por apenas retratar a parte boa da Copa. Por isso ninguém viu um doodle sobre a mordida de Suárez, o lance que deixou Neymar de fora ou o 7X1 na semifinal entre Alemanha e Brasil. Cruickshank reconhece que o episódio da mordida daria um doodle engraçado, mas que o objetivo não é polemizar, e sim festejar.

Os mais de 60 doodles feitos para a Copa do Mundo enaltecem o Brasil como país sede, brincaram com as situações do cotidiano – trabalhar quando chefe está por perto e ver o jogo quando ele não está – e relembraram Copas passadas como a de 2010 com Polvo Paul, o maior vidente da história da competição.

Sobre a final, ele lamenta não ter um Brasil e Argentina para desenhar: “Nós esperávamos ver o Brasil e a Argentina na final porque queríamos ver entusiasmo e a paixão pelo futebol, mas acho que as partidas foram justas e todos os times jogaram muito bem. Estamos muito animados para ver quem irá ganhar.” E a respeito do doodle que vai representar a final do torneio, ele adianta algumas ideias: “Podemos mostrar destaques de todo o mês ou talvez fazer algo completamente diferente sobre os times. Independente do que fizermos, esperamos que todos os fãs de futebol ao redor do mundo se divirtam”, afirma o doodler.

Até domingo, alguns doodles mais vão surgir. Se você perdeu algum, saiba que Google fez o favor de reunir todos em uma só página.

Crédito das fotos: Julia Costa Teles

 

Conheça o Relay e fale a língua dos GIFs

Vocês já devem ter percebido a nossa predileção por GIFs animados e a bem da verdade a gente não esconde de ninguém. Fato é que muitas vezes um GIF resume tão, mas tão bem os meandros do nosso raciocínio que é como se eles estivessem lendo os nossos pensamentos.

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Como a Internet é muito da maravilhosa, dois canadenses tiveram a brilhante idéia de criar um aplicativo de chat onde usuários se comunicam através das pequenas imagens em movimento, o Relay. O app não é exatamente novo, mas teve uma entrada um pouco mais lenta no Brasil (tanto que já está em português) e agora está angariando cada vez mais usuários: em sua grande maioria, viciados.

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O app é simplão e levemente “bugado” (erros no sistema às vezes o fazem fechar sozinho), mas é prático: você encontra os seus amigos de Facebook lá dentro e já pode começar a compartilhar. Existe uma espécie de “home” onde o app mostra os GIFs em categorias, como tendências e reações, mas a busca é ampla, e maravilhosa. Até hoje encontrei tudo o que eu procurei lá dentro. Inclusive o Justin Timberlake de cabelo cup noodles cantando com uma pizza pepperoni ao fundo.

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Mas o mais legal mesmo é que você também pode usar os GIFs fora do Relay. Como? Ache a imagem que você quer, faça um toque longo sobre ela e você verá uma lista de opções. Você pode postá-la direto no Twitter, na sua timeline do Facebook, pode salvar a imagem no seu celular ou copiá-la.
Aqui no Ada a gente ama os apps que incentivam o “poliamor digital” e que nos permitem compartilhar o conteúdo em outros lugares. Neste caso a mensagem é muito clara: o Relay quer ser o seu antidepressivo de bolso, não importa onde.
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Vai lá: Relay, gratuito, para iPhone e Android.

Artista coloca emojis em pinturas clássicas

Se a arte representa o estado de espírito de um povo em um determinado momento, a artista ucraniana Nastya Ptichek acertou em cheio na série de montagens Emoji Nation, em que incorpora emojis, aqueles ícones usados em chats e mensagens de texto, em quadros de pintores famosos como Edgar Degas, Edvard Munch, Pablo Picasso, Caravaggio e Edward Hopper.

Além de emojis, ela também usa imagens de redes sociais, como Facebook, Instagram, partes de sites do Google e mensagens de erro do Windows.

Segundo contou ao site da Wired, Nastya teve a ideia quando percebeu como alguns emojis do iPhone (o Grito de Munch sendo o mais clássico de todos) lembravam pinturas famosas, como pinturas conhecidas, e resolveu criar a série. Olhe como ficou:

"Duas bailarinas entrando no palco", Edgar Degas
“Duas bailarinas entrando no palco”, Edgar Degas
"A bebedora de absinto", Pablo Picasso
“A bebedora de absinto”, Pablo Picasso
"O Grito", Edvard Munch
“O Grito”, Edvard Munch
"Saturno devorando seu filho", Goya
“Saturno devorando seu filho”, Goya
 "A Travessia", Léon Spilliaert
“A Travessia”, Léon Spilliaert
''Domingo'', Edward Hopper
”Domingo”, Edward Hopper
''Conferência à Noite'', Edward Hopper
”Conferência à Noite”, Edward Hopper
''Noite de Verão'', Edward Hopper
”Noite de Verão”, Edward Hopper
Excursão filosófica, Edward Hopper
Excursão filosófica, Edward Hopper
"Luz do Sol em uma cafeteria", Edward Hopper
“Luz do Sol em uma cafeteria”, Edward Hopper
"A criação de Adão", Michelangelo
“A criação de Adão”, Michelangelo
"Ascensão de Cristo", Dosso Dossi
“Ascensão de Cristo”, Dosso Dossi
"A traição das imagens", René Magritte
“A traição das imagens”, René Magritte
"Jardim das Delícias", Hieronymus Bosch
“Jardim das Delícias”, Hieronymus Bosch

(Via Mashable)

(Crédito de todas as imagens: Nastya Pitchek)

New Hive: muito glitter, neon e glitches

Gostando ou não, é sempre intenso interagir com uma obra de arte que desafia a nossa lógica, por isso a gente ama quando a Internet nos presenteia com plataformas de experimentação novas e fresquinhas. A New Hive é uma rede social que incentiva a criação e compartilhamento de arte digital, feita exclusivamente de zeros e uns.

Ela funciona como uma grande galeria para artistas já mais consagrados, mas também como uma tela em branco para quem quiser misturar um pouco de tudo e ver no que dá. A plataforma permite postar vários tipo de mídia; texto, audio, videos (inclusive já embedados do youtube), pinturas na própria tela estilo paintbrush ou GIFs, tudo-no-mesmo-post. <3 Muito glitter, neon, fotos pixeladas e glitches (imagens geradas a partir de falhas nos computadores), sem medo de ser feliz na maior alegoria digital. Ah! O melhor: qualquer pessoa pode usar a sua arte e remixá-la ao seu belprazer.

A gente recomenda que vocês passeiem pelas páginas um bom tempo e sem pressa, tomando um café ou até na hora de acordar. É um estímulo visual e sonoro tão peculiar que só pode fazer bem para o nosso cérebro e suas sinapses. Até porque, taí uma coisa que a gente não tem costume de consumir quando estamos online: arte.
Em entrevista para o The Verge, o CEO da empresa, Zach Verdin, confessou: “Queremos deixar a Internet estranha outra vez.”

ps: a gente amou que o Patatap estava lá!

(Esse áudio nonsense pertence à última imagem. Faz parte da brincadeira 🙂 )

O Patatap transforma seu teclado em um instrumento musical

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Tela de uma das animações criadas pelo Patatap. Crédito: Reprodução do site de Jono Brandel

É sexta-feira, fim de semana está quase aí, e a vontade é de dar aquela enrolada na frente do computador por uns minutinhos? Apresento o Patatap (o nome é um palíndromo, olha que lindo). Basta clicar (ou tocar, se você estiver usando um smartphone) dentro do quadrado cinza, e depois digitar qualquer tecla de A a Z para gerar gera uma série de sons, formas e cores diferentes. Enjoou da sequência? Aperte a barra de espaços.

Segundo o site da Fast Company,  o Patatap é uma criação do designer Jono Brandel, que trabalha com Artes Digitais no Google Creative Labs e a dupla de músicos Lullatone. O site funciona em computadores de mesa, notebooks, celulares e tablets (mas a gente recomenda usar no computador mesmo).

Em seu site, Brandel explica que o objetivo do site é capturar a experiência da sinestesia, uma condição neurológica nos quais os sentidos se misturam, fazendo com que seja possível “ver sons” ou “ouvir cores”. Entre as influências do trabalho estão as pinturas de Wassily Kandinsky, os filmes de Viking Eggeling e Norman McLaren e as animações de Oskar Fischinger.

Aumente o volume (melhor ainda, coloque seus fones de ouvidos) e prepare-se para perder um bocado de tempo. Mas tudo bem, vai parecer que você está digitando um email importantíssimo.

(Via Fastco Design)

 

Quando GIFs animados viram obra de arte

Isso é que é GIF animado de dar gosto. Dá para ficar horas observando as criações abstratas do designer gráfico David Szakaly que vive em Budapeste, na Hungria.

Szakaly posta os GIF em seu tumblr desde 2008. Ele se inspira em canções, sonhos e sentimentos para criar estas pequenas animações que são pura arte digital. Veja alguns deles abaixo e para a coleção completa, cheque esta seção do tumblr dele.

Leia também:
O que é o Marco Civil da Internet

Como baixar filmes e séries usando torrents

Apps para exercitar seu cérebro

Para saber mais, confira esta entrevista de 2012 onde ele explica seu processo criativo (em inglês).

(Via Mashable)

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(Crédito das imagens: David Szakaly)