A futurista brasileira que quer imprimir casas

(coluna do Ada na revista TPM, publicada na edição de fevereiro/2016)

Tenho medo de não dar tempo”, foi o que a empresaria Anielle Guedes respondeu quando perguntamos o que a fazia perder o sono a noite. Não é para menos: Anielle é CEO e fundadora da Urban 3D, uma empresa que pretende facilitar, baratear e acelerar a construção de moradias sociais através da impressão de materiais. Ao invés de pedreiros, cimento e tijolos, imagine grandes robôs que imprimem paredes e levantam um prédio de cinco andares em poucas semanas, usando bem menos recursos naturais (e humanos) e com 80% de economia. Pelos seus cálculos, um apartamento construído nesses moldes poderia chegar a custar entre 10 e 15 mil reais.

anielle guedes urban 3D

Anielle tem assustadores 22 anos, se formou futurista pela Singularity University (a universidade criada pelo Google + NASA), já palestrou nas Nações Unidas e está acostumada a receber ligações de primeiros ministros e presidentes de países que buscam soluções para moradias sociais. Sua trajetória é exponencial: aos 4 anos ela quis aprender a falar inglês para conversar com todas as pessoas do mundo e aos 13 ela já era tradutora da Anistia Internacional. Basta acompanhar o seu feed do Facebook por 1 dia para entender: ela já mora no futuro, só precisa de paciência para fazer ele chegar ao maior número de pessoas possível.

Apesar de jovem, o seu medo do tempo não é infundado. Anielle sabe que é um peixe pequeno propondo mudanças estruturais, sociais e econômicas em uma das indústrias que mais empregam no mundo. Além disso, o desenvolvimento da tecnologia que ela propõe não é nem um pouco simples e por isso os avanços serão faseados. Muita pesquisa de materiais, protótipos, testes, betas e parcerias comerciais e políticas sólidas precisam acontecer antes dela conseguir imprimir a sua primeira casa. “Mas ao mesmo tempo, em 15 anos a metade das crianças do mundo estarão morando em favelas se a gente não mudar o modelo de urbanização e a forma como a se constrói”, ela desabafa. Conversamos com ela sobre essas e outras dificuldades de viver no futuro:

 

1) Por ora, a principal função da sua empresa é desenvolver pesquisa tecnológica, mas o que você quer mesmo é começar a imprimir casas para abrigar os 3 bilhões de pessoas do mundo que precisam de moradias sociais de qualidade o mais rápido possível. Como você lida com essa intangibilidade, esse “tempo relativo?

A solução é criar produtos intermediários, as pedras fundamentais pra que a gente possa trazer as tecnologias mais avançadas depois. A forma como eu lido com isso é própria de um visionário, no sentido literal da palavra. O visionário é alguém que vislumbra uma tecnologia e vai criando os passos no caminho para poder fazer ela acontecer na realidade. Tem que ter um olho no peixe e o outro no gato, literalmente. No meu caso, a gente vai ter duas ou três tecnologias intermediárias antes de ter a máquina e o sistema construtivo final que a gente imagina. Não é muito fácil. Gera uma certa ansiedade, a gente quer que aconteça logo, mas eu tenho consciência de    que essa é a única forma de empurrar barreiras para fazer esse tipo de coisa acontecer.

 

2) Como você acha que a melhoria das habitações populares poder impactar a sociedade e a história da humanidade como um todo?

Uma das razões da perpetuação do ciclo de pobreza é na verdade a falta de moradia adequada. Não adianta continuar mandando sapato, comida e roupa para a África. Quebrando o ciclo de pobreza a partir do básico, que é a moradia, a gente começa a ter efeitos mais sustentáveis, mexendo em infra-estrutura e olhando para essa solução a longo prazo. A gente chama isso de efeitos integeracionais, talvez não observáveis em primeira geração (apesar de achar que as mudanças são imediatas), mas pensando no futuro, pense neste cenário: uma casa que vem já com painéis solares embutidos e um pequeno jardim vertical para que famílias plantem os seus alimentos (dado que 70% da renda das famílias mais pobres vai direto para isso). Se eu consigo dar acesso a esses outros degraus da pirâmide, algo que era só uma casa, passa a suportar toda a subsistência das pessoas que moram nela. É aí onde a gente passa a ter uma tecnologia que muda as regras do jogo de verdade e que tira as pessoas de uma condição de vulnerabilidade. Quer pirar ainda mais? Então imagine casas feitas de árvores, de ossos… moradias temporárias, feitas de meios naturais, que podem ser mudadas de lugar e que, na hora certa, se dissolvem a voltam para a natureza. Aí você tem um sistema que faz manufatura distribuída, que significa que o que mais importa são os desenhos e as ordens de produção de como fazer aquilo, além do acesso aos recursos de impressão.

 

4) Essa é uma indústria cujo desenvolvimento tecnológico acontece de forma lenta e que empaca em questões básicas como padronização. Muita gente já tentou mudar esse cenário de forma independente. Porque vocês vão conseguir?

O nosso modelo distribuído é a nossa maior vulnerabilidade e o nosso maior ativo ao mesmo tempo. Estamos construindo em partes, desenvolvendo o que a indústria é capaz de absorver, educando o mercado e trabalhando a partir das suas necessidades. Ao mesmo tempo, tem todo um trabalho de mudança de mindset junto à instituições como a ONU, G20 e Banco Mundial para mexer nessas regulamentações. Somos pequenos nesse mundo de gigantes, mas isso nos dá agilidade e independência de poder sentar em todas as mesas que quisermos. Faz 4 mil anos que construímos da mesma forma, já tá na hora de mudar.

 

5) No Brasil, a indústria da construção civil é uma das que mais empregam. Quais as consequências da evolução tecnológica que a sua empresa propõe? É uma mudança bastante significativa, e a automação poderia impactar milhões de famílias. O que muda? O que melhora?

Ela já representa 23% do PIB do Brasil e 1/3 da matriz econômica de uma série de países. Sem dúvidas é uma das indústrias que mais vai ser afetada pela automação. Seja no hardware, ou seja, o processo de colocar um tijolo sobre o outro, seja pela automação de processos mais intelectuais. De fato vamos causar um impacto muito grande, mas esse é um caminho irreversível não só para essa como para várias outras indústrias. O que muda é que agente vai ter uma oferta muito menor de trabalhos mais braçais, uma oferta maior de trabalhos mais especializados (que, no futuro, também serão automatizados). Para ser sincera, o caminho é inevitável: TUDO será automatizado. Se a gente pensar que faz 4 mil anos que construímos da mesma forma, parece até estranho que essas mudanças não aconteçam num ritmo mais rápido, como foi por exemplo com a indústria de automóveis. O processo atual da construção civil não só tem custos elevadíssimos (52% é gasto só com mão de obra) como também gera muitos erros e desperdício de recursos. É uma indústria que precisa urgentemente de produtividade estratégica. O nosso objetivo é começar a trazer a parte de produção para dentro da fábrica, mas também levar a fábrica para dentro do canteiro de obras.

A China e seu firewall de mil cabeças

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(coluna do Ada na revista TPM, publicada na edição de agosto/2015)

Fiz uma viagem recente à China, meio a trabalho, meio a passeio. Eu nunca tinha estado antes na Ásia. O meu irmão, que vai com alguma frequência, me avisou por whatsapp antes de viajar: “Não se esqueça de que na China a internet é 100% controlada. Todos os teus e-mails são monitorados. Você vai perceber que a velocidade de download dos e-mails cai muito. O único site estrangeiro de busca que efetivamente funciona é o Yahoo e não lembro se o whatsapp é liberado.”

Eu sabia da existência do Firewall, a censura digital chinesa que faz com que a internet lá não seja livre, mas na minha cabeça eu inconscientemente resumi isso a “uma internet mais lenta”. Não devia ser tão ruim assim.

Depois de três dias em Hong Kong com wifi gratuito e megarrápido na cidade inteira, chegamos à China continental. Instagram, WhatsApp, Chrome, Gmail, Youtube, Messenger, Facebook, Slack, Foursquare e… meu deus, o tradutor! Todos mortos. Até o meu despertador fofinho  estava fora do ar. Foi como despencar em Marte.

Sim, a China “desliga” pedaços enormes da Internet, criminaliza a liberdade de expressão online e tem o maior número de jornalistas e cyberdissidentes presos do mundo. Essa muralha digital imposta pelo governo chinês censura e controla tudo o que as pessoas leem, fazem, curtem ou postam quando estão conectadas. Um exercício: imagine um lugar onde conversar com pessoas de outro país, (seja em fóruns, mensageiros ou redes sociais) é crime. Ou onde assinar uma petição online ou ler uma palavrinha de sabedoria do Dalai Lama pode te levar pra cadeia. Pior do que isso: imagine uma vida sem Google. Tá certo que existe um “Google chinês”, o Baidu, mas os algoritmos de busca são ridículos, exatamente por terem que ignorar pedaços inteiros da rede. Até os chineses reclamam.

“Impossível”, foi o meu veredito. Já no primeiro dia burlei o sistema contratando um serviço VPN (Virtual Personal Network); uma ferramenta que diz para a internet que o seu computador/smartphone está em outro país cada vez que você se conecta a um wifi. Ufa, paredes derrubadas. Respirei aliviada por alguns minutos, até me cair a ficha que eu também poderia estar sendo vigiada. Dali até o final da viagem convivi com a sensação de que alguém bateria na minha porta a qualquer momento.

Ao longo da viagem conversei com vários chineses; de coroas para quem o Facebook era um conceito bastante difuso, até adolescentes consumidores assíduos do tal VPN, que tinham acabado de criar suas contas no Instagram. Fiz tantas perguntas sobre as suas rotinas digitais que cheguei a incomodar, mas no fundo eu só queria entender as implicações de um país tão poderoso e influente construir a sua própria internet e ir contra a maior força da rede: transparência e compartilhamento. Quando isso some, o que sobra é poder e controle, mas também a emergência do lado B. A recém-criada Deep Web chinesa cresce a olhos vistos e já tem fama de abrigar bizarrices meio perturbadoras e movimentar um comércio ilegal de milhões de dólares.

Foi estranho experimentar uma internet presa em pleno 2015,  mas foi bom sair da minha bolha digital, imaginar como a vida poderia ser e entender quão precioso é ter acesso à informação sem paredes de fogo. De fato, eu nunca tinha parado para pensar no significado de viver em um país onde a web não é qualquer coisa que ela quiser ser. Prometi a mim mesma reconhecer o valor dessa liberdade todos os dias.

eu, com medo da polícia da internet ¯\_(ツ)_/¯

Aplicativos para um coração partido

(coluna do Ada na revista TPM, publicada na edição de julho/2015)

Ao contrário da história, a Internet faz um péssimo trabalho esquecendo pessoas. Na verdade, quanto mais tempo passa, mais ela lembra. Na época em que a nossa timeline cabia em um diário com cadeado, um coração partido se curava com chocolate, amigos e tempo. O tempo, esse magnânimo, levava todos os cadáveres para longe, e ali eles ficavam.

Que saudades. Hoje a Internet é um Walking Dead com 2.94 bilhões de zumbis.

Encontrar o amor na web pode ser difícil, mas se livrar de um é ainda pior. Seja você o pé ou a bunda, o tecido digital das nossas vidas faz com que seja cada vez mais difícil deixar o tempo fazer o que ele faz de melhor: esquecer. Grande parte do esforço na Ciência da Computação é descobrir formas mais rápidas, baratas e simples de automatizar processos e armazenar informações. Isso significa que cada vez mais as nossas memórias guardadas em forma de dados (e em quantidades inimagináveis) passeiam pela rede como carrinhos de bate-bate.

Você pode bloquear uma pessoa da sua rede social, mas isso não significa que ela deixou de ter vida lá dentro. Pra desespero dos nossos corações, os algoritmos (a sequência de instruções que nos levam de cá pra lá na internet) estão cada vez mais inteligentes e as conexões assustadoras. É tipo “A Volta dos Mortos-Vivos” todinha: fulano vai comparecer ao lançamento do livro do seu ex gato e inteligente, aquela periguete fez check in no restaurante hypado da sua ex-namorada, tua colega da yoga foi marcada na foto do batizado dos gêmeos do seu ex-marido… Isso sem contar os estragos que a nossa própria natureza stalker causa madrugadas adentro. Esse constante remexer em escombros é tóxico, mas é claro que a tecnologia pode ajudar.

 

DrunkMode

Antes de cair na noite você seleciona quais são os contatos que você quer proteger de você mesma ao longo da escalada alcólica. Você pode escolher o tempo do bloqueio (de até 12 horas) e se mesmo assim cair em tentação, o app só irá destravar os contatos se você resolver uma equação matemática. Outra função fofa: ele te lembra do seu trajeto na noite anterior (função “migalha-de-pão” <3) e manda alertas pros amigos quando você estiver perto demais da casa do falecido/a.

are you?

BlockYourEx

Esse é um plugin que funciona no Firefox, Google Chrome e Safari como um guardião. Você diz quais perfis sociais do seu ex você quer evitar, dá o nome completo da persona non grata e o app esconde essa vidinha digital de você. Se você tem problemas com desapego, fica tranquila: ele permite cadastrar até 5 exes.

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Cloak

Já falamos dessa belezinha por aqui; um aplicativo que usa a sua geolocalização para te avisar sobre os perigos do mundo offline. Ele cruza os dados de Foursquare e Instagram para te alertar quando aquela pessoa estiver perto demais.

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* HellisOtherPeople

Descobrimos essa depois da coluna ter ido para a gráfica: um desenvolvedor americano criou este sistema parecido com o Cloak, cuja proposta é não só notificar sobre pessoas indesejadas, como também te ajudar a fugir delas. Baseado na sua geolocalização, o app se conecta ao Foursquare para identificar onde estão os seus amigos (ou nem tanto) que andam pela região. Os pontos laranjas são os locais a evitar, mas se já for tarde demais, use as rotas de fuga em verde.

 

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As melhores ferramentas para o seu gmail

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(coluna do Ada na revista TPM, publicada na edição de junho/2015)

Quando se trata de passar vergonha na internet, as redes sociais são ótimas para o vexame quantitativo, mas em termos de “qualidade” de humilhação, nada como um bom e velho e-mail errado, na hora errada, para a pessoa errada. Uma microbomba atômica de altíssimo impacto pode te custar o emprego, o amigo e a razão. Mas, saiba, há formas de se proteger. Se você tem Gmail, há uma série de serviços que te ajudam nisso – se você não tem, esse pode ser um bom motivo para largar mão desse hotmail.

 

“Desfazer” é nosso rei e nada nos faltará

O serviço do e-mail do Google é ótimo para gente distraída. Apertou “Enviar” e depois se deu conta de que escreveu uma palavra de forma grotesca? Deixou aquele rabicho do rascunho no pé da mensagem e esqueceu de apagar? Respondeu a todos ou simplesmente esqueceu o anexo? Você escolhe quantos segundos você tem para clicar no “Desfazer” e laçar o e-mail de volta pro seu inbox. Inacreditavelmente útil, esta é uma ferramenta do próprio Gmail. Para instalar, clique em “Configurações” e siga este passo-a-passo.

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Controle total

Você trabalha com alguém do outro lado do mundo e não quer atrapalhar o seu sono? Responde e-mails de madrugada mas não quer que as pessoas saibam desse seu hábito? Não quer que ninguém se sinta livre para procurar você a qualquer horário? Ou simplesmente está muito ocupado e quer ser lembrado de um e-mail daqui a uma semana? O Boomerang te deixa agendar os seus e-mails para quando você achar melhor, devolve conversas para a caixa de entrada dependendo de condicionais (se a pessoa não recebeu, não abriu ou não clicou), agenda e-mails recorrentes e dá recibo de leitura. Mas, fique atento, depois de instalar a ferramenta, ela fica “escondidinha” no pé da página.

escolha as condicionais
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agora escolha quando você quer enviar
agora escolha quando você quer enviar

 

Double check

Se o seu chefe e o seu melhor amigo têm nomes bem parecidos, não custa nada checar o destinatário duas vezes, né? O Sendkeeper é uma extensão para o Google Chrome bem simples e prática que, antes de enviar um e-mail, te pergunta se é pra essa pessoa mesmo que você quer escrever ou para outras com nome, e-mail ou sobrenome parecidos.

 

Bola de cristal

O Crystal é outra extensão de Chrome que faz o Gmail parecer uma bola de cristal, sem brincadeira. Quando você escreve um e-mail, aparece do lado do botão “Enviar” um botão verde do Crystal. Depois que ele identifica o destinatário, o botão verde te diz como escrever o e-mail para aquela pessoa específica. Sério. Ele diz: “seja conciso”, “encurte o e-mail”, “seja criativo”. O Crystal só tem um defeito: depois de duas semanas de uso você tem que assinar o serviço mensalmente.

5 aplicativos brasileiros que vão te surpreender

Nem só de aplicativos gringos vivem os nossos smartphones. Separamos 5 apps nacionais dignos de lista (e o 99Táxis não é um deles 😉 ): de controle de finanças a plataforma de reclamações urbanas, estes são os queridinhos que a gente já não vive sem.


Organizze

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Bonito, prático e com um monte de funcionalidades, esse gestor de finanças é um dos mais legais que testamos nessa categoria. Além de acompanhar todas as suas transações financeiras, você pode criar metas para cada tipo de entradas e saídas, enxergar os gastos do mês através de gráficos lindos, sincronizar várias contas bancárias e cartões de crédito, visualizar parcelamentos e contas recorrentes. O ponto forte é a usabilidade: simples e rápido.

Para iPhoneAndroid e versão web. (GRATUITO)

 

 

Onde Parar

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Baita mão na roda: a partir da sua localização ou um endereço, o app te indica quais são os estacionamentos mais próximos. Além do preço médio de cada um deles (que você vê no próprio mapa <3), o app indica quais são os serviços adicionais, como convênio com seguradoras ou lava-rápido. Os filtros são ótimos e é facinho de usar. Também funciona para ciclistas que buscam bicicletários e para quem quiser publicar a sua garagem residencial e emprestá-la para alguém.

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Colab.re

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Já falamos dele na nossa lista de aplicativos urbanos para curtir e cuidar da sua cidade, mas este vale repetir. Nele você pode fiscalizar (inclusive através de fotos) problemas como buracos em ruas, calçadas em pésimo estado ou iluminação pública queimada. Ele também deixa propor soluções e avaliar entidades e instituições públicas. Os criadores do app se responsabilizam por enviar todas as publicações para as prefeituras e de encaminhar as respostas recebidas de volta aos usuários que alimentam o sistema. Já foi eleito o melhor aplicativo urbano do mundo. Vai Brasil \o/

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Mandic Magic

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Já mencionamos um app semelhante por aqui, o 4sqwifi, mas o Mandic é brasileiro e igualmente bom. Sabe aquele momento em que você precisa desesperamente de um wifi? Pois bem, tá aqui a salvação. Você se loga com a sua conta de Facebook, então o app identifica a sua localização e te indica cafés, bares, restaurantes, livrarias, padarias e vários outros tipos de estabelecimento com wifi. Ah sim, te dá a senha de todos. A única parte chata são os anúncios.

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WakeApp

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Este é um alarme despertador perfeito pra quem curte dormir mais 5 minutinhos nos dias de chuva. Você pode programá-lo para te acordar (ou não) dependendo de duas informações: as atividades que você agendou para a manhã seguinte e o clima que estará lá fora. Se amanhã for o seu dia de corrida no parque e estiver caindo um pé d’água, ele vai te deixar dormir um pouco mais. Se o sábado amanhecer lindo com céu azul, ele tomará a liberdade de te acordar meia horinha antes para fazer o dia render. Simpático, não?

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Você curte algum outro app brasileiro que não está nessa lista? Conta pra gente no nosso Facebook ou Instagram 😉

 

Jean Jullien: o #sincerão da Internet

Jean Jullien é um designer gráfico francês bem-humorado e viciado em Internet. As suas ilustrações são leves e satíricas, de uma simplicidade incrível. Ele retrata os nossos excessos, manias e obsessões digitais de um jeito interessante. Ficamos com aquela inevitável sensação de “quem nunca“. E vocês?

Spylight: o Shazam da moda

Você já usou o Shazam ou o SoundHound alguma vez? São aplicativos que identificam o som que está rolando em um ambiente. Você abre o app, toca o botão “ouvir” e ele ativa o seu microfone. É tão eficiente que até um assobio bem feito eles são capazes de reconhecer. Nessa pegada, também recomendamos o TrackID TV, que tem a mesma lógica, mas que serve para identificar qual é a série ou filme que está passando na TV. Mesmo esquema: abra o aplicativo e ele fará a sua mágica.

Já o Spylight, aplicativo recém-lançado nos Estados Unidos, identifica o look que um personagem de TV está usando, te diz onde comprá-lo e de quebra ainda te mostra opções mais econômicas. Por enquanto o esquema ainda é bastante manual: a empresa desenvolvedora fez parcerias com os grandes estúdios, que passam as fichas técnicas dos figurinos. Pense nos looks fofos que você já viu em Girls, Mad Men, How I met your Mother, New Girl, Big Bang Theory. Tem até os vestidos matadores da Claire Underwood, essa deusa loira do Netflix.

 

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No site, você consegue procurar por séries de TV e filmes, e então escolhe o personagem que quer stalkear ou o episódio onde viu aquela saia que não sai da sua cabeça. Ainda não é tão mágico e preciso quanto a gente gostaria (alguns ítens são apenas “similares”), mas mesmo assim piramos nos looks da Peggy Olson, de Mad Men e da Daenerys Targaryen, de Game of Thrones. Tem até as chinelas estilo-Raider do Mark Zuckeberg no filme “A Rede Social”.

 

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(Aliás, através do app descobrimos todo um nicho de vendedores no eBay que reproduzem os vestidos da Khaleesi. <3)

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Por enquanto só funciona em iOS (iPhone) e ainda não funciona no Brasil, mas deixe a Rede Globo botar a mão nisso: vão ter que cadastrar milhares de camelôs 😉

As mulheres do Vale do Silício

O Vale do Silício é o grande celeiro de oportunidades em tecnologia, mas não é um dos lugares mais receptivos para mulheres. Já falamos por aqui sobre os exemplos negativos, como o “Esposas do Silício” e casos de discriminação e assédio velados, mas nós do Ada continuaremos batendo nesta tecla: mulheres precisam de exemplos para se sentirem capazes de ter ambição.

 

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Lea Coligado estuda Ciência da Computação na Universidade de Stanford. Durante uma de suas férias de verão, ela fez um estágio no Facebook, desenvolvendo um aplicativo para iOS. Na volta às aulas, durante um papo entre colegas sobre o que tinham feito nas férias, um de seus amigos contou que tinha estagiado no Facebook, ao que outro respondeu de queixo caído “Uau! Sério?! Não sabia que você era tão inteligente!” Quando perguntaram a Lea e ela deu a mesma resposta, a reação foi totalmente diferente: “Ah, eu deveria ter me inscrito, então.” Lea ficou furiosa. Ela tinha passado pelos mesmos processos seletivos, cumprido o mesmo programa e entregue os mesmos resultados que o seu colega. Porque com ela era diferente?

Inspirada pelo minimalismo de Humans of New York, um projeto que usa a internet para mostrar fragmentos da vida de pessoas comuns, Lea criou Women of Silicon Valley. Um espaço para contar histórias de mulheres que resistem às dificuldades desse mercado, celebrar os seus exemplos e criar novas narrativas. Ao longo dos anos, Lea conheceu e ouviu a história de mulheres talentosas, resilientes e geniais. Porque então ela nunca tinha ouvido falar sobre elas na mídia?

 

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Ao site da revista Fortune ela admitiu que, até começar a sentir na pele a desigualdade de gênero, pensava que grande parte do que ela ouvia a respeito era “folclore da mídia“. Quem dera. Durante sua breve experiência profissional Lea percebeu que a sua predileção por vestidos e o tom mais agudo da sua voz incomodavam e chamavam a atenção de muitos marmanjos ao mesmo tempo. “Levei tanta cantada ruim que passei a evitar passar departamentos inteiros da firma”, diz.

Felizmente, mesmo dentro dessa jornada tortuosa há quem pense diferente. O seu próprio chefe no Facebook a encorajava a arriscar em suas decisões quando ela sequer se sentia segura sobre o seu jeito de vestir. “Uma ex-chefe me disse para cortar a erva daninha e regar as plantas do caminho,” e é exatamente o que Lea tem feito.

Como a pauta da igualdade de gênero tem se tornado um assunto obrigatório dentro das grandes empresas de tecnologia, o desinteresse masculino se transformou em desprezo por um suposto sistema de cotas. Fato é que, gostando ou não, grandes mulheres estão entrando goela abaixo da indústria. O caminho ainda é bem longo, mas pelo menos já temos para onde olhar.

(Imagens: Reprodução Women of Silicon Valley/Lea Coligado)

Como a internet lida com a morte?

Na Internet, tudo parece efêmero e novo o tempo todo, mas a verdade é que não percebemos as pegadas digitais que deixamos bit a bit, feito migalhas de pão. Sites e serviços armazenam as nossa criações musicais e visuais, opiniões, dados pessoais, produção intelectual e milhares de gigas em dados. Aos poucos, nos tornamos acumuladores digitais desenfreados. Mas o que acontece quando morremos já que, na rede, tudo permanece?

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Já é comum ver perfis em redes sociais sobreviverem à morte de seus donos. Eles se tornaram parte do processo de luto da sociedade contemporânea, e chegam a durar anos sendo alimentados por familiares e amigos saudosos em datas especiais. O Youtube, Twitter, Facebook e Dropbox desenvolveram políticas e ferramentas para ajudar as famílias dos que morreram, mas ainda assim a legislação ainda é um pouco vaga sobre o que pode ou não ser feito com esses dados. Em setembro do ano passado, por exemplo, o Instagram cometeu uma gafe pesada ao soltar um post agendado, pago pela Apple, no perfil da atriz Joan Rivers, falecida havia 15 dias.

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Esses sustos digitais rolam com frequência e, vez ou outra, fantasmas de Facebook sapecam por aí curtindo páginas de marcas que postam em seu nome. Mas há quem deseje permanecer “vivo” e pague por isso: com toda a informação que deixamos disponível, start-ups experimentais conseguem reproduzir padrões de postagem, check ins, curtidas e até interações com amigos, como o projeto LifeNaut. O serviço DeadSoci.al, por exemplo, permite arquivar mensagens (de video, foto, áudio e texto) que são enviadas gradativamente após a morte para as suas pessoas preferidas e ensina a lidar com a morte em várias redes diferentes.

First Message with icon - DeadSocial
“Olá mundo, esta é a primeira mensagem desde que eu morri (…) as próximas mensagens serão enviadas nos meus perfis sociais pelos prórimos 50 anos.”

O aplicativo Vuture te incentiva a guardar momentos especiais enquanto eles acontecem para serem compartilhados depois da sua morte, e o Remembered cobra apenas US$9,95 para manter uma página em sua memória para sempre. Mas se há o risco de ninguém saber quem avisar, o Death Switch ajuda: se você passar mais de 2 meses sem responder suas notificações, o sistema presume que você morreu, avisa geral e passa as suas informações para alguém de sua confiança. Nos Estados Unidos, especialistas em vestígios digitais começaram campanhas de conscientização a respeito da importância de cuidar desse legado.

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No Japão, um país de muitos velhinhos e uma indústria de morte estabelecida com naturalidade, esse planejamento é rotineiro. O Yahoo! Ending, por exemplo, ajuda a organizar funerais previamente contratados, dá instruções do que fazer com o seu histórico na internet, apaga perfis e contas, ensina a escrever testamentos, cancela débitos automáticos e manda até mensagens de despedida para pessoas escolhidas. Mão na roda para quem fica, segurança para quem vai.

As Minas da Web: Janie Paula, Buxixo de Mães

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Janie foi mãe do Nicholas aos 16. Uma cesariana. Quando engravidou de Maia aos 28 questionou algumas escolhas pela falta de preparação da sua primeira maternidade. Sentiu que precisava de informação para poder escolher melhor, mesmo que optasse pelas mesmas coisas.

Com incentivo de uma amiga e grande ajuda da internet, descobriu um universo que se transformaria no seu modelo de vida e negócio. Janie continuou na publicidade até a última semana de gravidez, mas usava o seu “tempo de tela” para estudar. Depois do parto de Maia tudo mudou. Hoje ela encabeça um movimento multiplataforma que traz informação e diálogo a milhares de mulheres sobre parto natural, amamentação, educação com respeito e maternidade ativa. No seu escasso tempo livre, ela faz a mediação de mais de 1.600 mães no projeto Buxixo de Mães, é doula (sua principal fonte de renda), tem um blog, 2 perfis de instagram, 3 páginas no Facebook e 4 sites e usa a internet para promover encontros virtuais e presenciais.

 

Não pergunte ao Google

No pós-parto de seu primeiro filho, Janie se viu sozinha. Os seus amigos adolescentes sumiram e ela não tinha ninguém com quem falar sobre todas aquelas mudanças. No final da segunda gravidez ela teve medo de passar pelo mesmo. A maternidade era o seu principal (se não único) tema de conversação: “Ninguém mais dava conta da minha demanda, eu só falava sobre bebês e maternidade. É injusto cobrar esse interesse do outro” ela conta. A lista de discussão da parteira Ana Cristina Duarte no Yahoo foi a sua salvação. Lá ela se informou a partir de exemplos reais e compartilhou momentos íntimos com desconhecidas. “Quando você busca artigos na internet sobre o assunto, tipo usar ou não chupeta, tem um monte de informação contraditória. Todo mundo tem um manual de como criar um bebê e todos querem dar sua opinião na internet. As trocas em forums são mais humanas.“, conta.

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Por conta dessa lista, Janie pensou que seria legal criar um grupo menor só com as mães que ela foi conhecendo ao longo da gravidez. O Buxixo de Mães nasceu junto com Maia, em dezembro de 2012. O grupo começou no Facebook com 40 mulheres que precisavam falar abertamente, sem verdades absolutas. Elas usavam a rede para tirar dúvidas, desabafar e marcar encontros com os pequenos em livrarias, salões de festa e parques. A hashtag #buxixodemaes começou a bombar no Facebook e logo outras mulheres se interessaram. Para atender a demanda, Janie criou um segundo grupo, onde passou a receber mães do Brasil inteiro. Nos 3 primeiros dias 600 mulheres se inscreveram.

 

Big data, big love

A admissão acontece a partir de um formulário. Uma vez aprovadas, são adicionadas no “Mapa das Vizinhas”. Janie geo-localiza todas elas no Google Maps para que saibam quem mora por perto e incentivar encontros reais. O grupo já promoveu encontros até na Austrália. Desse convívio surgem muitas melhores amigas, parcerias profissionais e até sociedades.

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Na internet rola de tudo nos grupos ativistas, o povo é muito pé na porta. Escrevem para impor valores sem se colocar no lugar do outro. O Buxixo era diferente, a gente só não queria se sentir sozinha.” diz. Claro que já houveram barracos, e pelo volume/velocidade de informação que trafega pelo grupo (40 posts por dia, alguns com mais de 1.000 comentários) nem sempre é fácil mediar. De qualquer forma: lá dentro elas partilham valores. A sua parceira e amiga Yara Tropea entrou para a força-tarefa e hoje é fundamental no Buxixo.

Com o tempo Janie notou que listas fechadas tem uma grande força nesse universo e passam mais confiança: “Você parte do princípio que aquele conteúdo é real e curado, como uma indicação de uma amiga“, diz. O Buxixo também organiza bazares virtuais de troca e venda e seções como “Eu Faço”, onde a mulherada divulga os seus talentos e negócios sem flodar o feed.

 

Modo avião

Os smartphones diminuem muito a solidão do pós-parto, faz com que essas mães se sintam conectadas com o mundo.“, diz. Ao mesmo tempo Janie as incentiva a largar o celular nos momentos importantes, para que olhem os filhos sem a mediação de telas. “A internet é fundamental na minha vida, mas hoje tenho menos tempo para ela. A gente acaba fazendo tudo no tempo materno, sem pressão“, conta.

Mesmo assim Janie criou o Te Vi Nascer, um blog que reúne relatos de parto e o Enquanto eu Amamento, um perfil de insta que compartilha fotos lindas de mães alimentando os seus bebês. Ao todo, são 7.000 mulheres conectadas sob a sua tutela e mais 600 na lista de espera do Buxixo.

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Quando perguntei qual era o seu modelo de negócio, ela foi clara: “Sucesso pra mim não é medido por dinheiro.” Hoje ela não quer focar na necessidade do crescimento e pretende ter paciência para deixá-lo crescer naturalmente, sem metas e sem pressa. Ela confessa ter passado (e ainda passar) por muitos questionamentos sobre o que o Buxixo poderia virar. Um livro? Um curso? Um lugar físico para encontros? “O grupo é uma premissa de valores que pode usar qualquer ferramenta para fazer o que ele se propõe a fazer. Ele nunca vai ser uma coisa só“, garante.

Mas como o seu próprio uso da Internet reflete nos seus filhos? Janie levou um susto quando, aos 11 anos, Nicholas não sabia o que era um selo de carta, mas também não sabia o que era Facebook. Para ela, é necessário acompanhar de perto todo este amadurecimento digital para empurrá-lo em outras direções além do feed, além de restringir o tempo de acesso. “Hoje ele tem 15, então se depender dele é só Whatsapp. Nem email ele usa.” Ela consegue segurar os excessos do filho adolescente, mas confessa lidar com dificuldade com o seu próprio consumo. “Eu tenho orientá-lo o máximo possível pra que ele faça um bom uso da web, aprenda a pesquisar direito, a achar coisas legais… mas às vezes ele mesmo pede para eu sair do celular.

* créditos das imagens na ordem de aparição: Luciano Bergamashi, Lela Beltrão e Stephanie Salateo.