Realidade virtual faça-você-mesma

*Por Natasha Madov

(Matéria publicada no UOL Tecnologia em 01/0/2015)

Se alguém te disesse que um pedaço de papelão pode transformar o seu smartphone em um visor de realidade virtual, você acreditaria? Pois é, o Google Cardboard faz exatamente isso.

google cardboard

 

O visor vai custar US$ 30 (cerca de R$ 101) e as vendas estão previstas para começar no início do ano escolar americano, em setembro, mas algumas lojas não-oficiais já começaram a vender. A parte mais legal, na verdade, é que você nem precisa comprar o produto. O Google disponibilizou um layout com as dimensões certinhas para cortar, dobrar e montar o visor. É “só” colar sobre um papelão firme e seguir as instruções.

 

 

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É claro que não é uma experiência super imersiva como o Oculus Rift, mas com um bom par de fones de ouvido e usando os aplicativos disponíveis no Google Play ou na Apple Store (busque por Cardboard) dá para ter um gostinho de como a  realidade virtual pode fazer parte do no nosso dia-a-dia. Baixe o app da montanha-russa e experimente voar pela sua sala, ou simplesmente fique sentadinho no piano do Paul McCartney enquanto ele toca Wings. Sim, ter que segurar o aparato não ajuda a manter o realismo, mas o Google não pretende te vender algo perfeito, e sim uma porta de entrada para um outro tipo de entretenimento: barato, divertido e democrático.

Um público que a plataforma está dando atenção especial é o infantil com o Expeditions. Trata-se de um aplicativo educacional disponível para tablets Android que transmite imagens em 360 graus de vários locais diferentes a smartphones acoplados a visores Cardboard — é como se fosse uma excursão sem sair da sala de aula.

Além de imagens geradas pelo Street View, o Google montou parcerias com museus como o Smithsonian, Planetary Society e o Museu Americano de História Natural para criar “viagens” pelas ilhas de Galápagos, Parque Yosemite, muralha da China e até mesmo Marte <3

Outro produto ligado à plataforma é o Jump, focado nos criadores. É um suporte para 16 câmeras (a GoPro já é parceira oficial) e um software de edição de vídeo que junta as imagens captadas pelas câmeras e as transformam em uma sequência em 360 graus. E finalmente, vídeos captados pelo Jump estarão disponíveis via Youtube, sem a necessidade de um app especial.

Créditos das imagens: Divulgação Google.

Buddy, o robô fofinho que quer morar na sua casa

Robô Buddy
A campanha para financiar o Buddy já arrecadou quase quatro vezes a meta inicial

*Por Claudia Tozetto

Já pensou em poder dormir aqueles cinco minutinhos a mais enquanto alguém vai acordar seus filhos para ir à escola? E poder verificar, à distância, se você esqueceu o fogão ligado ao sair de casa? Um novo robô chamado Buddy, que será lançado pela Blue Frog Robotics no ano que vem, será capaz de fazer todas essas tarefas. Mais do que um assistente doméstico, porém, ele quer se tornar parte da sua família. “Nós criamos o Buddy para ser o primeiro robô de companhia a entrar em nossas casas. Ele vai mudar nossas vidas”, diz Rodolphe Hasselvander, cofundador e CEO da Blue Frog.

O pequeno robô branco tem 54 centímetros de altura e um tablet posicionado no lugar da cabeça. A tela apresenta um rosto animado — com direito a olhos, nariz, boca e até sobrancelhas –, que muda de expressão conforme a conversa com os moradores da casa. O Buddy não tem braços ou pernas, mas traz uma câmera na cabeça e cinco sensores no corpo, o suficiente para desviar dos móveis pelo caminho. Ele entende comandos por voz e até fala com seus donos em diversos idiomas, inclusive em português.

Veja o vídeo em inglês:

A inspiração para o visual do Buddy veio não só dos filmes de ficção científica, como Star Wars, mas também dos robôs que aparecem em animações para crianças. Por ser usado dentro de casa, uma das preocupações da equipe era de criar algo que não intimidasse os moradores. “O Buddy tem um ‘cabeção’ e olhos expressivos. Ele é uma mistura entre um cachorro, um iPad, o Wall-E e a Eva”, diz Hasselvander, citando os dois personagens principais do filme Wall-E, lançado em 2008 pela Pixar.

O Buddy é resultado de um trabalho de 15 anos de pesquisa de Hasselvander. Desde 2007, ele é gerente do Centro de Robótica Integrada da França (CRIIF, na sigla em francês) e criou a Blue Frog para levar a tecnologia da universidade para o mercado na forma de robôs amigáveis e baratos, que possam ser usados por qualquer pessoa. “Já desenvolvi diferentes robôs para atender vários tipos de usuários, como famílias, crianças e idosos, e aprendi quais funções são realmente úteis”, diz Hasselvander.

Para chegar ao mercado, porém, o Buddy ainda tem um longo caminho pela frente. A startup francesa começou, há um mês, uma campanha no site Indiegogo para levar fundos para iniciar a produção do robô. A seis dias do fim da campanha, o Buddy já levantou mais de 350 mil dólares, quase quatro vezes superior à meta inicial, que era de 100 mil dólares. Até o momento, 550 pessoas contribuíram para o projeto. O dinheiro extra será usado no desenvolvimento de novos recursos e acessórios para o Buddy.

Buddy também ajuda no cuidado com idosos
Buddy também ajuda no cuidado com idosos

A versatilidade do robozinho é o motivo principal para atrair tanta gente para a campanha. O Buddy será programado para executar múltiplas tarefas relacionadas à vida doméstica. Ele pode manter a casa segura, já que vigia o ambiente e notifica o dono em caso de movimentações suspeitas ou se detectar fumaça ou vazamento. Ele também reconhece os moradores e pode ajudar cada um deles a lembrar de seus compromissos, além de tocar música, fotografar, filmar e ler suas receitas favoritas. No caso dos idosos, o Buddy pode detectar quedas e falta de atividade – e enviar um alerta para o smartphone do parente ou cuidador mais próximo.

Outros recursos devem chegar ao Buddy em breve, já que seu sistema operacional é baseado no Android, do Google. Isso vai permitir que desenvolvedores independentes criem novas funções e acessórios. “Temos o grande sonho de democratizar o campo da robótica”, dizem os executivos da empresa, no Indiegogo. Entre os acessórios que já foram desenvolvidos pela Blue Frog e que estarão disponíveis no ano que vem está uma estação para carregar a bateria do robô e um braço-projetor. Com ele, os donos do robô poderão exibir seu filme favorito em qualquer superfície.

O Buddy vai custar a partir de 759 dólares quando chegar às lojas, no final de 2016. Os Estados Unidos, além de países na Ásia e na Europa, estarão entre os primeiros a receberem o produto. Ainda não há previsão de lançamento do Buddy no Brasil.

Fotos: Divulgação

A mulher que quis botar ordem no Reddit

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Por Karla Lopez*

Já ouviu falar do Reddit? É uma salada de bobagens divertidas, como vídeos de gatinhos, misturada com links sérios, como matérias sobre a corrida presidencial americana. Você pode nunca ter entrado no site na vida, mas o conteúdo dele já apareceu no seu Facebook, no seu site preferido, na TV…

Essa fonte inesgotável de entretenimento é o que faz do Reddit um dos sites mais populares da web, acima do Netflix e do Pinterest. Com mais de 170 milhões de usuários (os Redditors), o site conta com milhares de seções (os SubReddits) que dividem o conteúdo em temas que vão desde de “Tatuagem” até “Coisas que pensei no chuveiro”.

O ingrediente mágico do Reddit é uma comunidade forte e ativa, que vota para dar visibilidade aos artigos que eles acham merecer ganhar a primeira página e gera em torno de sete bilhões de visualizações de páginas por mês. Só que lá todo mundo é anônimo. Essa é a grande força do Reddit: enquanto o Facebook tem buscado cada vez mais reforçar a identidade real dos usuários, o Reddit está no lado oposto — lá todo mundo pode fazer e dizer o que bem entender.

Por causa disso, há seções como “Ódio as mulheres”. “Batendo em nerds”, “Racismo”, “Abuso de animais”, entre outros ainda piores e com nomes menos óbvios. Nessas seções você encontra fotos, vídeos e relatos. Dá vontade de vomitar.

A desculpa dos fundadores é a boa e velha “Seres humanos serão humanos”, associada ao direito da liberdade de expressão.

Tudo bem, mas o Reddit é um meio com influência: o que aparece lá vira post em blogs, que vira hashtag no Twitter, que depois é falado e repetido incessantemente na TV, na mesa do bar, no escritório… Quanto mais lixo flutua por lá, mais gente é exposta não só a esse discurso de ódio, mas a coisas ilegais como pornografia infantil e incitação à violência.

Até que Ellen Pao veio para botar ordem na casa.

A executiva ficou famosa no Vale do Silício ao processar um famoso fundo de investimento de risco por discriminação por gênero, pedindo 100 milhões de dólares de indenização. O valor foi calculado com base em salários, promoções e bônus que ela alega ter perdido para colegas homens e brancos com a mesma posição, mas com performance abaixo da dela.

Ellen é formada em engenharia elétrica em Princeton e fez Direito e MBA em Harvard. Mas nada disso a protegeu das mesmas baboseiras que você ou uma amiga já deve ter ouvido no escritório.

No julgamento, Ellen disse ter sofrido assédio sexual e moral como retaliação por terminar um relacionamento com um colega de trabalho casado.

Segundo ela, a equipe costumava dizer que “mulher corta o barato” no trabalho. (Confesso que já ouvi essa várias vezes).

A firma, claro, contou uma versão diferente: disse que ela era não era boa no que fazia, que ela achava ser mais do que realmente entregava e que não sabia trabalhar em equipe. Agora imagina trabalhar em equipe com um time que fica dizendo que você “corta o barato” porque é mulher? E ser produtiva em um trabalho em que um chefe quer te punir por não ser mais amante do amigo dele? Difícil.

O julgamento contou com seis mulheres e seis homens e eles decidiram em favor do empregador, o que eu achei super triste, mas pelo menos o circo todo acendeu várias discussões sobre sexismo no Vale.

Ellen começou a trabalhar no Reddit em 2013 e virou CEO interina em 2014. Ela tomou decisões muito legais, como acabar com negociação de salário na contratação dos empregados, baseada em alguns estudos que dizem que mulheres sempre saem perdendo nesse tipo de situação.

Depois de oito meses na função, ela começou a expandir a audiência do site além do jovem americano branco, que é o público mais clássico do site. Isso gerou revolta nos usuários, que começaram uma campanha de insultos baseados em sexo e raça, além de comparações com Hittler e uma petição com mais de 200 mil assinaturas exigindo sua demissão.

O Reddit é uma mídia online como qualquer outra, vive de publicidade. A intenção dos executivos e investidores é lucrar, mas como vender publicidade pra esse tipo de conteúdo? Quem vai querer anunciar na seção “Odeio Preto” ou “Mulher é tudo vagabunda”? Além de ser imoral e ilegal, é ruim para os negócios, e $$$ é uma língua o Vale do Silício entende muito bem.

Com essa diretriz no começo do ano Ellen liderou o fechamento de algumas seções controversas, como o subreddit “Transfag” (que insultava transsexuals) e “fatpeoplehate” (que insultava pessoas gordas). No começo de julho Victoria Taylor, diretora de comunicações responsável pela seção de perguntas e respostas (uma das mais populares do site) foi demitida de forma muito estranha, e com isso os protestos ficaram ainda inflamados, pintando uma imagem de que sob o comando de Ellen, o Reddit não se preocupava mais com a comunidade de usuários. Os Redditors chegaram a fechar partes populares do site, em protesto à demissão de Victoria, e a culpa toda, segundo eles, foi de Ellen.

Ninguém pode dizer que os ataques foram surpresa. O Reddit é famoso por dar tração a campanhas para desmoralizar mulheres, como a feita contra a crítica de videogames Anita Sarkeesian e a desenvolvedora Zoe Quinn, que recebeu o nome de “Gamergate”.

Vamos combinar que um board que permite que uma empresa vire um viveiro de racismo e sexismo não ia ser capaz de proteger uma CEO mulher e oriental da pressão dos usuários, né? Foi o que aconteceu. Ela foi demitida.

Nesse momento está a maior confusão. Yishan Wong, ex-CEO, acusa um dos fundadores te ter demitido a diretora de comunicações Victoria Taylor e se esconder atrás de Ellen Pao, para que ela levasse a culpa. E onde ele postou essa e outras acusações contra a empresa? No próprio Reddit. E a imprensa também está perdidinha no meio do fogo cruzado.

A pergunta que fica é: será que ela foi queimada em praça pública por fazer o que nenhum homem antes dela teve colhões, que era colocar freios nos trolls do Reddit?

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*Karla Lopez é paulistana, corintiana e vive andando. Queria ser programadora, mas virou radialista. Parte teimosia, parte acaso, acabou co-fundadora de uma empresa de impressão 3d. Está no Vale do Silício há alguns anos mas ainda não entende nada.

Foto: Christopher Michel/Flickr

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#comofaz: cinco passos para perder o medo de tecnologia

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Fotomontagem: Mike Licht/Flickr

Um dos motivos da existência do Ada é a quantidade de mulheres que nós, Diana e Natasha, conhecemos que apesar de usarem computadores o dia inteiro (algumas com softwares bastante complexos, como o Autocad), terem smartphones, tablets e serem loucas por uma rede social,  relutavam em se considerarem aficionadas em tecnologia. “Ai, imagina, não entendo quase nada,” elas nos diziam, para em seguida discorrerem apaixonadamente sobre aplicativos preferidos e porque preferem esse sistema operacional a aquele, truques que aprenderam e debater novos gadgets.

Está na hora de todas nós sairmos desse auto-imposto armário e nos entendermos melhor com essas ferramentas que fazem tanta diferença na nossa vida.

Por isso, resolvemos comemorar esse dia 8 de março, tão perto do primeiro aniversário do Ada, com alguns passos para você assumir a tecnologia de vez na sua vida. YES YOU CAN!

Adaptamos as dicas da jornalista americana Arikia Millikan, que escreve sobre tecnologia no Refinery29. Para ler o texto original dela, clique aqui. Com a palavra, Arika:

“Várias pessoas se consideram “boas com tecnologia”, como se isso fosse um dom com o qual se nasce ou não (e com o qual as mulheres não costumam ser agraciadas), mas eu estou aqui para provar o contrário. Ter uma inclinação tecnológica é uma habilidade aprendida, assim como saber espanhol ou fazer baliza. Ainda assim, não foi uma habilidade que eu adquiri de forma direta.

Sou filha única de mãe solteira, então eu só tive duas opções para alcançar as minhas metas: ou eu aprendia sozinha ou eu teria que abrir mão de todos os benefícios gloriosos do uso da tecnologia – como as horas que gastei jogando Super Nintendo ou navegando pela edição da Enciclopédia Britânica que instalei no meu primeiro computador. Lá em casa isso se aplicava a tudo que exigisse uma certa mão-na-massa: montar móveis, arrumar eletrônicos e até mudar as velas de ignição do meu carro. A vida pode não vir com um manual de instruções, mas quase tudo que usamos nela tem; então não há razão para os homens serem os únicos a usá-lo.”

Segundo Arika, não se sinta desencorajada se você nunca se considerou “tecnológica” – dá para começar a qualquer idade. Mas se você é alguém que tende a desistir facilmente quando o computador trava ou o celular dá pau, aqui estão alguns passos para mudar essa mentalidade:

1 – Não peça para alguém consertar o problema para você. Pelo menos não antes de tentar por uma boa meia hora. O primeiro passo para resolver um problema de gadget ou um pau de computador  é entender exatamente o que está errado, então se você conseguir além do “socorro, deu pau” e analisar o que aconteceu e quais as mensagens de erro, fica mais fácil saber qual a solução que você precisa. Um mantra: quando em dúvida, reinicie a máquina;

2 – O problema não é você. Se você empacar, não se martirize achando que é burra ou “não entende disso.” A verdade é que a maior parte dos gadgets e plataformas foram desenvolvidas por pessoas bem diferentes de você, e que existe um abismo bem grande entre estes desenvolvedores e o público-alvo dos seus produtos, em termos de língua, cultura e educação. Sim, eles deveriam ter feito seus produtos o mais intuitivos e simples possíveis, mas nem sempre é o que acontece;

 3 – Use a força da Internet. Uma vez que você entendeu qual exatamente foi o problema, tipo “o aplicativo trava quando eu abro a foto xis” ou “o Firefox não abre uma página com vídeo”, você pode fazer uma busca no Google por soluções usando o termo “Como ____” e descobrir centenas de páginas e fóruns online que podem te ajudar. Qualquer que seja o seu problema, certeza que você não é a primeira a passar por isso. Busque por descrições que descrevam a sua situação e pesquise as soluções que outros encontraram. E se seu problema for realmente inédito, não se acanhe de se inscrever em um fórum adequado e descrever o que aconteceu. O que nos leva a…

 4 – Peça ajuda, mas não favor. Se você realmente precisa convocar alguém que entenda mais que você, faça o seguinte: em vez do especialista resolver para você, peça para te explicarem o passo a passo de como consertar sozinha. Assim, se acontecer de novo, você já sabe o que fazer sem pedir a ninguém;

5 – Não tenha medo de falhar, e bastante. Você provavelmente não acertou a primeira vez que tentou fazer baliza. Mas isso não quer dizer que seu destino era ser má motorista e sim que você ainda estava aprendendo a dirigir. Mesma coisa com tecnologia: vá tentando várias vezes até acertar e saiba que ninguém nasce sabe sabendo construir e usar toda as modernidades atuais. Elas podem parecer simples, mas nem sempre são.

Tecnologia intimida à primeira vista, mas aprender a usá-la vai te ajudar a economizar tempo, dinheiro e diminuir sua dependência dos outros. Feliz 8 de março para todas nós.

Gif via Giphy.

#testamos: o foursquare da maconha

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Clássico na internet é aquele post engraçadinho do seu amigo hippie/descolado às 4:20 da tarde. Para quem não sabe, o número 420 faz referência à maconha e a cultura do seu consumo. Uma espécie de código secreto (#sqn) que identifica fumantes ou entusiastas da cannabis.

O brasileiro João Paulo Costa também acha que maconheiros gostam de deixar rastros de seus hábitos internet afora, por isso criou o Who is Happy, uma espécie de FourSquare para maconha. Nele o usuário faz check in no lugar onde está fumando o seu baseado e compartilha anonimamente com a sua rede (ou posta nos seus perfis públicos autorizados). Obviamente o app não marca a sua posição exata, mas a cada check-in uma nuvem de fumaça verde se espalha pelo Google Maps. Muito amor.

Além do mapa permitir ver os bairros mais “felizes” da sua cidade, ele te mostra um ranking dos países que mais participam da brincadeira.

 

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Testamos por aqui e ele ainda está um pouco atrapalhado: a tela inicial travou três vezes seguidas, o mapa não se mexia e a lista dos países não carregou de primeira, mas nada que uma atualização para limpar os bugs não resolva.

Em entrevista à Folha de São Paulo, João contou que usa a cannabis e os seus derivados para combater os sintomas da sua epilepsia. Por enquanto o modelo de negócio ainda não está definido, mas ele já sabe que pretende focar a sua busca por investimento fora do Brasil. Ainda segundo a Folha, fundos de investimento nos Estados Unidos injetaram mais de US$90 mi em 29 empresas de ferramentas tecnológicas ligadas ao assunto em 2014, por conta da gradual legalização da droga no país. João quer pegar esse vento a favor, o foco agora é conseguir usuários. #táfácil

(para iPhone e Android, gratuito)

 

(imagens: reprodução do aplicativo Who is Happy)

Respire fundo: 6 aplicativos de meditação

* Por Cora Poumayrac Nieto e Diana Assennato

 

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Ok, a gente sabe: a resolução campeã de começo de ano é o combo entrar na academia, fazer dieta, perder uns quilos.

Mas você já ouviu a expressão em latim mens sana in corpore sano (uma mente sã em um corpo são)? Pois é. Para abrir 2015, a gente vai te ajudar a ganhar mais paz de espírito e clareza de mente, com nossa lista de aplicativos que ensinam a meditar. Escolha o seu, respire fundo e comece seu ano com mais leveza.

 

1) 5 minutos – Eu medito 

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A campanha “5′ Minutos, Eu Medito” é desenvolvida pela ONG Mãos Sem Fronteiras em mais de 35 países com o objetivo de desmistificar e difundir a prática da meditação. É bem simples de usar e está disponível em várias línguas, inclusive em português. As funções são básicas: medidor de tempo meditado e lembretes para as próximas pausas. Os gráficos são fofos e te ajudam a entrar no mood da meditação com mini-aulas de preparação.

(para iPhone e Android, gratuito)

 

2) Buddhify²

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Perfeito para quem não sabe por onde começar. O app tem design colorido e muitas escolhas de programas, focados em diferentes situações e estados de espírito. Uma roda de arco-íris pergunta o que você está fazendo, e te oferece algumas opções de relaxamento para aquela situação específica. São mais de 11 horas gravadas e você consegue acompanhar suas estatísticas de performance.

(para iPhone e Android, US$2.99)

 

3) Headspace

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Esta é uma excelente escolha para quem procura meditação guiada (apenas em inglês) para começar sem dor. Antes de iniciar qualquer atividade, o app te convida a assistir três vídeos que resumem de forma muito prática os princípios básicos da meditação e como ela atua na mente. É bem focado no dia-a-dia de quem está começando. O criador do app, Andy Puddicombe era monge budista e se tornou empreendedor milionário e palestrante do TED graças à usabilidade impecável do app (e ao seu sotaque britânico que conduz a meditação <3). Você aprende o básico em 10 sessões de 10 minutos, ganha pontos por regularidade e pode salvar gravações para usar quando estiver offline. É o preferido das celebridades inglesas.

(para iPhone e Android, gratuito para as primeiras dez sessões)

 

4) Calm 

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Lindo! Minimalista e meticuloso, o aplicativo começa ensinando os 7 passos da calma (postura, respiração, etc.) e se propõe a ser a sua válvula de escape quando a pressão estiver forte demais. Além de calma, os programas também tratam de foco, perdão, gratidão, força e paz interior, motivação, aceitação e sono. A gravação é uma voz feminina sexy e às vezes divertida, que lembra um a voz da Samantha do filme Ela, só que um pouco mais coxinha. A versão grátis oferece 10 meditações para diferentes situações, e a compra da versão Pro, por US$4,99 para três meses, traz mais séries e mais músicas. Tem também para a web.

(para iPhone e Android, gratuito)

 

5) Smiling Minds

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Desenvolvido na Austrália, este é voltado principalmente para crianças e jovens. Divide-se em três faixas etárias de sete a 22 anos, e mais uma para adultos. O objetivo deste projeto (sem fins lucrativos), é promover a meditação como forma de explorar o momento presente, focando sua atenção e consciência de maneira específica. “Queremos dar ferramentas para ajudar a criar jovens felizes, saudáveis e com compaixão”, diz a empresa. Também tem versão web.

(para iPhone e Android, gratuito)

 

6) Breathe2Relax

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Não é bonito e mais parece um site em flash dos idos 00s, mas este app é focado em desenvolver habilidades respiratórias para usá-las no relaxamento do corpo e da mente. Ele basicamente começa ensinando o que é a respiração diafragmática e os seus benefícios, detalha os efeitos do estresse e ensina diferentes exercícios para levar o corpo a um estado mais relaxado, para reduzir a ansiedade e estabilizar o humor.

(para iPhone e Android, gratuito)

(Imagens: Divulgação)

 

A mulher que alguns gamers amam odiar

*Por Renata Honorato

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Anita Sarkeesian causa emoções fortes. No dia 13 de outubro, a Universidade Estadual de Utah, nos Estados Unidos, recebeu um email afirmando que a instituição seria palco do maior massacre da história do país caso ela fizesse sua palestra no centro estudantil. Ela buscou proteção da polícia, que disse não poder evitar a entrada de pessoas com armas na universidade, por conta de uma lei local. Diante de uma possível tragédia, Anita desistiu do evento.

O que Anita fez para receber esse tipo de ódio? Ela defende a igualdade de gênero nos videogames.

Ela é a responsável pelo canal de Youtube Feminist FrequencySua série de vídeos “Tropes vs. Women in Video Games” discute a imagem da mulher nos jogos eletrônicos e faz perguntas como: é correto que figuras femininas sejam representadas frequentemente como uma princesa em busca de resgate ou como uma garota de programa que deve ser espancada pelo protagonista? O debate alimentado por Anita anda irritando alguns “entusiastas”, que escondidos sob o anonimato usam a Internet para expor o seu ódio e fazer ameaças de morte, que estão sendo investigadas pelo FBI.

O episódio de Utah não é isolado. Em março, Anita recebeu um prêmio durante o Game Developers Choice Awards, considerado o Oscar dos videogames, pela sua contribuição à indústria e pela importante discussão que levanta a partir de seus vídeos e palestras. Na ocasião, os organizadores do evento receberam um e-mail dizendo que uma bomba seria detonada durante a premiação. Em agosto, Anita fugiu de sua própria casa depois que seu endereço foi divulgado no Twitter por um usuário que prometeu matá-la. Isso sem falar nos incontáveis jogos online nos quais a ativista aparece sendo estuprada e violentada em simulações absurdas. 

Leia também:
Discriminação e assédio na tecnologia: uma história de falsas exceções

17 mulheres que fizeram da Internet o que ela é hoje

Quando a firma paga para você ser mãe mais tarde

Ela não é a única mulher a desagradar parte da comunidade gamer. A desenvolvedora de games Zoe Quinn viu sua vida se transformar em um inferno por causa de um boato que dizia que ela teria transado com jornalistas especializados em games para receber boas avaliações para o seu jogo. A fofoca foi o gatilho para que “justiceiros” se movimentassem na rede e orquestrassem uma onda de ataques surreais e absurdos contra ela. Fizeram piadas sobre estupro no Twitter e a ofenderam de forma totalmente irresponsável em fóruns e redes sociais.

Anita pode ter cancelado sua palestra em Utah, mas ela deixou claro que não pretende parar. Em seu Twitter, ela escreveu: “Vou continuar meu trabalho. Vou continuar a falar. Toda a indústria de games tem que se posicionar contra o assédio contra mulheres.”

Os games, como qualquer outra manifestação cultural de arte, expressam os valores de seus criadores. E isso é realmente algo preocupante. Os mais otimistas, contudo, acreditam em mudança e até afirmam que os jogos caminharão na mesma direção do cinema, que também enfrentou, décadas atrás, os mesmos dilemas da igualdade de gênero. Eu torço para que eles estejam certos. E você?


renatahonorato*Renata Honorato – Jornalista, cobriu por uma década o mercado de games. Depois de ouvir inúmeras vezes a frase “vai lavar louça”, pensou bem, comprou um máquina de lavar a dita-cuja e continuou escrevendo sobre “joguinhos”, agora com mais tempo, para pagar as contas.

Foto: Divulgação Feminist Frequency

Privacidade: o que você e George Clooney têm em comum?

*Por Julia Costa Teles

Aconteceu o que parecia impossível: George Clooney se casou. O ator de Hollywood monopolizou os holofotes no fim de semana ao oficializar sua união com Amal Alamuddin, uma advogada britânica de origem libanesa, em  um evento de três dias em Veneza, na Itália. Mas fora o cenário cinematográfico, os convidados famosos e o vestido Oscar de La Renta da noiva, o casamento de Clooney chamou atenção pela sua política de segurança da informação. Sim, você leu certo, segurança da informação.

Uma regra foi imposta ao convidados: deixar seus celulares no hotel ou em um quiosque na festa. Mas não é que fosse proibido fotografar: todos ganharam um celular descartável e uma máquina de fotográfica com códigos de rastreamento embutidos. Se alguém publicasse uma foto nas redes sociais ou, pior, vendesse a imagem, o casal saberia quem foi o responsável. Assim, Clooney e Amal conseguiram manter o controle sobre o que era divulgado a respeito de seu casamento, já que as fotos oficiais tinham sido prometidas a revistas de celebridades.

Leia também:
Como você pode proteger suas fotos íntimas

Secret, privacidade e web profunda

Esse recente episódio reforça algo que muitas de nós já percebemos. Para evitar que aquela foto íntima apareça em lugares indesejados, é preciso estar no comando. E, no caso das celebridades, traçar verdadeiros planos de guerra como o de Clooney. Este exemplo, somado aos casos cada vez mais frequentes de pornografia de vingança e de cyberstalking, um novo tipo de crime cibernético que consiste no uso de ferramentas tecnológicas para perseguir uma pessoa devido à exposição de conteúdo privado, prova que não somos tão diferentes assim das celebridades. Um estudo recente da empresa de software de segurança McAfee mostrou que nós, reles mortais brasileiras, não estamos mais seguras que os famosos no nosso anonimato.

A pesquisa foi feita no início do ano no país e diz respeito à nossa forma de se relacionar em tempos de internet. Segundo o estudo, feito com 500 pessoas, 62% enviam ou recebem conteúdo privado, incluindo vídeos, fotos, e-mails e mensagens em seus celulares, enquanto 65% dos que recebem afirmaram armazenar esse conteúdo em seus aparelhos. Além disso, 54% dos entrevistados disseram utilizar seus telefones para compartilhar ou dividir mensagens de texto, e-mails ou fotos íntimas de conteúdo sexual, e 22% afirma ter feito vídeos de conteúdo sexual com seus dispositivos móveis.

Dos entrevistados pela McAfee, 82% disseram proteger seus smartphones com senha ou código de acesso, o que é ótimo. No entanto, 43% também assumiram que compartilham as senhas com seus parceiros ou parceiras e 49% usam a mesma senha em vários dispositivos, o que não é recomendado pelos especialistas em segurança da informação. Além de senhas, 60% dividem com os parceiros o conteúdo do smartphone e 63% compartilham também as contas de e-mail.

A pesquisa diz mais: entre aqueles que assumem enviar conteúdo íntimo, 76% mandam para parceiros, enquanto 17% compartilham com desconhecidos. Mesmo assim, 91% das pessoas diz confiar que seus parceiros não enviarão conteúdo íntimo ou informações privadas para outras pessoas. Porém, 75% diz que pede para o/a parceiro/a apagar os dados quando terminam um relacionamento.

Segundo o estudo, a faixa etária entre 18 a 24 anos é a mais preocupada em acompanhar o que o/a parceiro/a faz na internet: 79% dos entrevistados olham o celular do outro para ver o conteúdo armazenado nele, incluindo mensagens e fotos. As pessoas que assumem entrar na conta do Facebook do/a companheiro/a pelo menos uma vez por dia somam 27%, enquanto 39% dos entrevistados admitiram bisbilhotar o/a ex nas redes sociais.

Ou seja, enquanto os vazamentos de fotos estiverem restritos às celebridades, você pode se sentir segura sem estar de fato. Porém, já que agir como George Clooney é praticamente impossível se você não é um todo-poderoso de Hollywood, o melhor mesmo é refletir sobre seu próprio comportamento na web e aprender a se proteger.

Veja o infográfico completo da McAfee:

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Como você pode proteger suas fotos íntimas

Jennifer Lawrence foi uma das atrizes que tiveram suas fotos íntimas expostas na Web
Jennifer Lawrence foi uma das atrizes que tiveram suas fotos íntimas expostas na Web

Por Bruno Cardoso*

Trinta e um de Agosto de dois mil e quatorze entrará para a história como o dia do “The Fappening” (em português, algo como “Dia da Punhetação”). O termo ridículo ganhou notoriedade após uma série de fotos mulheres famosas como Jennifer Lawrence, Kate Upton, Aubrey Plaza e Selena Gomez terem sido publicadas no que muitos consideram um dos locais mais desagradáveis da Internet: o fórum 4chan. Basta dizer que, ao navegar no submundo do 4chan, as suas chances de se ofender beiram 100%, mas isso não vem ao caso. O que vem ao caso é que alguém (ou mais de um alguém, de acordo com o que sugere a evidência disponível até o momento) obteve acesso a fotos íntimas de atrizes, atletas, modelos e demais pessoas famosas (sim, eu estou explicitamente evitando o uso da palavra “celebridade”) e publicou tais fotos para todo mundo ver.

É possível que uma falha do iCloud da Apple tenha contribuido para esse fiasco, mas não há nenhuma prova conclusiva sobre isso, portanto não vou entrar nesse mérito. Vou apenas dizer que sim, havia um problema no iCloud que permitia que pessoas tentassem diversas senhas para um determinado usuário sem que a conta fosse bloqueada por tentativas inválidas, mas isso já foi corrigido e é pouco provável que tenha sido essa a causa de todo o bafáfá.

Entenda mais sobre segurança de dados e criptografia no nosso artigo sobre o Heartbleed

De toda forma, aconteceu o que aconteceu e a Internet ficou de pernas pro ar com reações entre o “quem mandou tirar foto pelada?” e o “hã?”. Para a primeira eu respondo: ninguém mandou, mas todo mundo nesse planeta tem o direito de tirar quantas fotos quiser, pelado(a) ou não, sem que alguém venha e roube ditas fotos. Para a segunda reação eu digo: “Exato”. No frigir dos ovos, foi isso o que aconteceu: alguém roubou fotos íntimas de pessoas famosas e publicou na Internet para todo mundo ver. Não é a primeira vez que isso acontece e nem será a última. E isso não é exclusividade de pessoas famosas, diga-se. Temos casos e mais casos de não-famosos que “caíram na net”. Não sou qualificado para dissertar sobre as implicações sociológicas desse fenômeno, mas posso oferecer algumas dicas para que você ao menos evite que isso aconteça com você.

Antes de mais nada, deixe-me deixar absolutamente claro que eu não acho que as pessoas não deveriam tirar fotos comprometedoras. O corpo é seu e você tira quantas fotos você quiser e compartilha com quem bem entender. Porém, suas fotos comprometedoras (por qualquer definição que você tenha para a palavra) estarão tão seguras quanto a pessoa que recebe tal material quiser que elas estejam. Se você resolveu enviar qualquer tipo de foto/vídeo/SMS/WhatsApp/SnapChat para terceiros, saiba que esse material saiu do seu controle e não há absolutamente nada que você possa fazer sobre isso.

Pausa para falar sobre serviços que prometem anonimato. Não confie em SnapChat Secret/Tinder/Grindr e afins. Não são tão anônimos assim.

Certo! Mas e se eu quiser tirar umas fotos picantes (de acordo com a sua definição de picante, claro) com o meu namorado(a) / marido(a) / companheira(o) sem compartilhar com ninguém? Antes de mais nada, certifique-se que essas fotos não serão enviadas para “a nuvem” sem que você tenha conhecimento. Se você possui um iPhone, certifique-se que suas fotos não estão sendo enviadas automaticamente para o iCloud. No iPhone, vá em Ajustes > iCloud > Fotos e desmarque a opção “Meu Compartilhamento de Fotos”:

Se você tem o Dropbox no seu telefone, verifique se suas fotos não estão sendo automaticamente enviadas. Abra o aplicativo, vá em “Settings”  (“Configurações” em português) e desmarque a opção Camera Upload:

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A idéia é a mesma para Android / Windows Phone e para qualquer outro serviço de backup na “nuvem” do tipo Google Drive e Microsoft One Drive.

Se você já tem coisas no seu computador que você não quer compartilhar – intencionalmente ou não – com terceiros, considere criptografar seus arquivos. Para os usuários de Mac, um software como o Knox é uma boa opção. O Knox cria uma espécie de disco virtual que requer uma senha para ser acessado. Uma vez que o disco virtual está ativo, basta jogar seus arquivos confidenciais para dentro dele como se fosse um pendrive e pronto.

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Para Windows, recomendo o Gpg4win. Basta baixar, instalar e clicar com o botão direito na pasta ou arquivo que você quer proteger:

gpg4win

Além disso tudo, é sempre bom seguir as regras de ouro da Internet:

  • Não utilize a mesma senha em mais de um lugar. Use um gerenciador de senhas (1Password para Mac / KeePass para Windows, por exemplo) e crie senhas únicas e fortes para cada conta.
  • Use autenticação em duas etapas em todos os lugares possíveis. Google, Facebook, Twitter, Dropbox, Yahoo, Outlook.com, LinkedIn e muitos outros serviços oferecem essa funcionalidade. Ela exige um outro método de autenticação além da sua senha, portanto mesmo que alguém obtenha a sua senha, esse alguém não conseguiria ter acesso à sua conta.
  • Lembre-se que na Internet tudo é pra sempre. Uma vez lá, não tem como voltar atrás.

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brunoc*Bruno Cardoso é flamenguista, pai da Ollie e consultor de Segurança da Informação há dez anos.

 

 

Crédito das fotos: Gage Skidmore/Flickr/Reprodução/Arquivo Pessoal

Secret, privacidade e a web profunda

Por Eden Cardim*

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crédito da foto: Nuno Martins

Já vivemos na segunda geração de redes sociais e temos uma certa familiaridade com elas. A principal característica dos usuários dessas redes é a construção de uma espécie de personagem digital que conversa com um público específico. Quase todos fazem isso em algum nível, alguns mais, outros menos. A boa construção do personagem é o que determina o seu sucesso na rede, inclusive, os de maior sucesso são fictícios e até certo ponto anônimos, tais como “OCriador e a “Dilma Bolada“.

Essa semana, descobri e instalei o aplicativo Secret no meu Android e fiquei instantaneamente maravilhado. A premissa é simples, trata-se de uma rede social, como outra qualquer, exceto pelo fato de que todos os usuários são anônimos. A única informação divulgada a seu respeito é se você pertence ao meu grupo de amigos de facebook, se é um amigo de amigo e a sua proximidade. O anonimato tem mostrado um efeito radical no conteúdo publicado pelos usuários, que eu atribuo ao fato de que a construção do personagem simplesmente não existe. Se o grande diferencial do twitter é que ele obriga as pessoas a serem concisas e objetivas com suas publicações, agora é possível recriar o personagem inteiro a cada publicação, ele nasce e morre ali mesmo, junto com o post. Segundo o co-fundador David Mark Byttow, ex-funcionário do Google, o fato de você saber que são amigos falando coisas que eles nunca te contariam caso fossem identificados, é o grande diferencial do Secret. As pessoas têm usado o app com diversos propósitos: como confissionário, como lugar para fazer perguntas e dar respostas a questões controversas, e é claro, para publicar, falar e curtir conteúdo adulto. Afinal de contas há um ditado popular no mundo digital que diz que tudo na Internet tem um único propósito: sexo.

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Moralismos à parte, o anonimato cria uma realidade completamente nova para os usuários de Internet e a popularização do aplicativo deixa claro que o poder de se comunicar irrestritamente é uma necessidade humana que ainda tem muito espaço para ser preenchida. Com tão pouco tempo de vida, o aplicativo está gerando debates acalorados sobre privacidade e  liberdade civil na Internet. Inclusive já existem várias denúncias de difamação  girando em torno de publicações que expõem adolescentes, principalmente meninas, como alvo de um tipo de bullying muito mais agressivo e destruidor por ser anônimo. Além disso, não é difícil cruzar com posts que fazem apologia à homofobia, racismo, pedofilia e tráfico de drogas. As brigas judiciais envolvendo o app podem inaugurar a aplicação das leis de privacidade do Marco Civil no Brasil.

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Apesar dessa febre por aplicativos que nos tornam “invisíveis”, a tendência ao anonimato  é bastante antiga. A informação na Internet é, na verdade, parecida com um iceberg; a ponta é o conteúdo comum a qual todos tem acesso no dia-a-dia, chamada de WWW (World-Wide Web), mas o grande volume de informação que trafega na Internet está escondida sob a superfície e se chama “Deep Web” (web profunda). Estima-se que a Deep Web é cerca de 500 vezes maior que a WWW em volume de dados, que não são indexáveis pelos mecanismos de busca tradicionais como Google, Bing e Yahoo. Boa parte da informação está distribuida em redes par-a-par (peer-to-peer ou P2P), que basicamente criptografa e replica os dados entre vários computadores de forma que nenhum indivíduo específico seja o único responsável pelo armazenamento e distribuição de informação.

Hoje em dia a forma mais segura de navegar pela Internet anonimamente é usando o TOR, um browser que permite que você acesse qualquer website sem que ninguém saiba de onde vem o acesso. Trata-se de um browser, similar ao Google Chrome ou Safari, porém ele implementa uma tecnologia adicional que permite seu uso como intermediário para outras pessoas. Sempre que você acessa um website, a informação é dividida e criptografada, trafegando por diversas máquinas de outras pessoas que também estejam usando o browser do TOR. O caminho que a informação percorre é escolhido aleatoriamente a cada acesso e a cada clique, por isso o site reconhece o seu acesso como se tivesse vindo de um lugar diferente. O mesmo se aplica ao caminho inverso: você pode abrir um website anônimo que só será acessível dentro do TOR e ninguém saberá onde ele está hospedado. O anonimato fornecida pelo TOR é tão eficiente que um dos websites da web profunda mais poderosos, chamado “Silk Road“, ficou conhecido como o “Amazon das drogas ilícitas”. O FBI levou 3 anos para encontrá-lo. Durante esse período o serviço arrecadou $1,2 milhão por mês e só foi encontrado porque seu dono entrou por acidente numa rede comum fora do TOR.

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Dessa forma, informações que seriam geralmente controversas podem ser consultadas sem o constrangimento que as pessoas normalmente sentiriam. É possível criar pseudônimos em fóruns de discussão pública tendo a certeza de que ninguém jamais conseguirá rastrear o originador das publicações.  O potencial é enorme, já que as pessoas podem pesquisar a respeito de assuntos considerados tabu sem serem discriminadas, tal como sexualidade, drogas, doenças e podem até formar grupos de recuperação de anônimos online. Mesmo em casos mais simples, o anonimato também é útil quando se usa Internet em locais públicos, para garantir que sua informação não será monitorada ou usada para outros propósitos.

A sensação de liberdade obtida pelo anonimato muda completamente a perspectiva da busca por informação. Como ainda estamos compreendendo as implicações desse tipo de comunicação, existe um debate acirrado a respeito do uso dessas tecnologias, elas podem ser usadas de maneira perfeitamente inócua e também de maneira ilícita. Cabe a você definir os limites de até onde vai sua própria moralidade e sempre fazer bom uso da tecnologia como entender melhor.

 

eden cardim*Eden Cardim é formado em ciência da computação, especialista em engenharia de software, entusiasta de software livre, misturador de tecnologia com arte e criador de felinos. Foto: Arquivo pessoal.