18 dez 2017

Agora no Brasil: o que o Raspberry Pi é capaz de fazer?

por Dimítria Coutinho

5 min. de leitura
Agora no Brasil: o que o Raspberry Pi é capaz de fazer?

Um computador do tamanho de um cartão de crédito, capaz de fazer diversas coisas. Esse é o Raspberry Pi que, desde o último mês, já pode ser encontrado à venda no Brasil. Desenvolvido pela Fundação Raspberry Pi, uma organização sem fins lucrativos do Reino Unido, esse computador de placa única tem como principal objetivo o ensino de programação e criação digital, sobretudo para crianças. Eles próprios se descrevem dizendo que ajudam pessoas a criar coisas com tecnologia digital.   

As vendas não são realizadas diretamente pela Fundação, mas sim através de revendedores. No Brasil, por enquanto, o único revendedor aprovado é o FilipeFlop, e o preço do Raspberry Pi 3 é de R$199,90 – no Reino Unido, o valor gira em torno de 30 euros, o equivalente a cerca de R$115,00. A versão brasileira ganhou um diferencial: a cor azul.

O modelo brasileiro tem um diferencial: vem na cor azul. Crédito: Fundação Raspberry Pi

Quando conectado a uma tela, um teclado e um mouse, o Raspberry Pi é capaz de executar diversas funções que um computador padrão executa, como planilhas, processamento de texto, navegação na internet e jogos. O diferencial é que, devido ao seu tamanho reduzido, baixo custo, conectabilidade e, sobretudo, sua programabilidade, esse “mini computador” pode ajudar – e muito – na hora de aprender ou ensinar programação.

E, para isso, existem diversas possibilidades, desde a criação de um robô para diversão, até a invenção de dispositivos que podem mudar vidas. A própria Fundação oferece alguns cursos gratuitos, a fim de orientar professores nesse tipo de atividade. Mas não são só crianças que vêm se beneficiando do Raspberry Pi. Muita gente já tem inventado coisas bem legais para serem feitas a partir dele. Que conhecer algumas?

O que pode ser feito com o Raspberry Pi?

Skate elétrico

Matthew em seu skate elétrico. Crédito: frame de vídeo no youtube.

Matthew Timmons-Brown, um estudante de Cambridge de 18 anos, desenvolveu um skate elétrico a partir de um Raspberry Pi. Aliás, The Raspberry Pi Guy (ou “o cara do Raspberry Pi”) é como ele ficou conhecido. Para realizar essa invenção, Matthew usou um skate, um motor, uma bateria, um controle de nintendo wii e o Raspberry Pi.
Com a programação desenvolvida por ele, o controle passou a ser capaz de monitorar a velocidade e a aceleração do skate via bluetooth. Em cima da sua criação, Matthew conseguiu alcançar os 30 km/h. Mas, como você deve imaginar, não foi nada fácil fazer tudo isso. Confira o vídeo explicando a produção no canal do cara do Raspberry Pi!

Almofada de pegadinha

Almofada Whoopee. Crédito: Sandra Fauconnier – Flickr.

Lembra daquela almofada que era usada para pregar uma peça nos amigos? Sim, aquela que fazia parecer que quem havia sentado nela tinha acabado de soltar um pum. Pois bem, dá para fazer uma reprodução dessa almofada usando o Raspberry Pi.

O vídeo ensinando o processo pode ser encontrado no próprio youtube da Fundação Raspberry Pi. Para realizar o brinquedo, serão necessários papel alumínio, cola, fios, pratos de papel, prendedores e esponja. Além, é claro, do Raspberry Pi.  

Luzes de Natal sincronizadas

Luzes de Natal já são bem legais sozinhas, mas se elas puderem dançar junto com a música fica ainda mais divertido. E é exatamente isso que Chivalry Timbers ensina a fazer em seu blog.

O desenvolvimento dessa decoração não é nada simples, e inclui diversos materiais além do Raspberry Pi, como fios, tomadas, caixas elétricas e amplificador. Mas o resultado com certeza vale a pena. Confere aí!

Modernizando o telefone de brinquedo

A engenhoca de Grant. Crédito: frame de vídeo no youtube

Dessa vez, a criação é de Grant Gibson, que, em 2014, tentou deixar o brinquedo um pouco mais atraente para seu filho. Depois de Toy Story 3, a Fisher Price re-lançou um novo modelo do antigo telefone-carrinho. O filho de Grant, porém, não gostou tanto assim do brinquedo, mas o pai não desistiu.

O brinquedo, que antes só reproduzia falas, agora é mais interativo. Com várias opções, o telefone tem menu que pode levar à previsão do tempo, rádio e lista de filmes, além de poder emitir alertas. Realmente, o telefone de brinquedo acabou se tornando quase um smartphone. Se quiser conhecer mais sobre o que esse dispositivo é capaz de fazer, o vídeo produzido por Grant mostra tudo, e a produção completa pode ser lida neste texto.

Ensino de braille

Sanskriti Dawle e Aman Srivastav mostrando o dispositivo para Kate e William. Crédito: Projeto Mudra.

Criado pelos indianos Sanskriti Dawle e Aman Srivastav, o projeto Mudra visa ensinar Braille. Funciona assim: a invenção que eles desenvolveram utilizando o Raspberry Pi – chamada de Annie, a professora de braille –  é um dispositivo áudio-tátil que indica, através de uma espécie de teclado, qual é a forma da letra reproduzida sonoramente.

O objetivo é possibilitar o auto-aprendizado, para que os alunos com deficiência visual possam ler, escrever e digitar, a partir de módulos complementares no dispositivo.

Pâncreas artificial

Esquema do pâncreas artificial. Crédito: Dana Lewis

Dana Lewis tem diabetes tipo 1, e isso faz com que ela tenha que manter um monitor contínuo de glicose embaixo da pele, a fim de poder calcular a dose de insulina que deve aplicar. O problema é que, durante a noite, Dana não conseguia ouvir o alarme do monitor e continuava dormindo, o que pode ser bastante perigoso.

Ela e seu marido, então, resolveram utilizar o Raspberry Pi para tornar esse alarme mais alto. Mas eles não pararam por aí, e acabaram desenvolvendo um pâncreas artificial. O Raspberry Pi recebe os dados do monitor de glicose, controla um algoritmo de aprendizagem e emite os comandos para a bomba de insulina de Dana. Depois de observar Dana controlando a bomba de insulina, o algoritmo aprendeu esse hábitos, e agora acerta a dose 100% das vezes – inclusive quando Dana está dormindo.