20 nov 2017

Como aplicativos gratuitos ganham dinheiro?

por Dimítria Coutinho

5 min. de leitura
Como aplicativos gratuitos ganham dinheiro?

Talvez você nunca tenha parado para pensar, mas quantos aplicativos estão instalados no seu smartphone? Dessa quantidade, quantos precisaram ser comprados para que você efetuasse o download? Provavelmente, uma parcela bem pequena, certo? Mas afinal, como esses aplicativos ganham dinheiro?

Para entender isso, é preciso entender, primeiro, que cada aplicativo tem uma função e um objetivo, e que isso influencia no modelo de negócio da empresa — o que interfere diretamente na forma encontrada para que o negócio seja rentável. Nem sempre os aplicativos são criados para serem rentáveis; Rudah Galli, Business Development & Growth Manager da desenvolvedora de aplicativos AppSimples, explica um pouco sobre essa questão. “Aplicativos podem ser criados com diferentes objetivos, nem sempre para serem rentáveis como fim. Muitas vezes grandes empresas entendem que seus processos podem ser mais eficazes e eficientes com apps, como no caso de aplicativos para a gestão de uma equipe de vendas, agentes de campo, e isso vale tanto para indústrias quanto para consultorias que devem fazer coletas e registros em campo, por exemplo”.

A estratégia, a concorrência, o tamanho do mercado e o público-alvo também são fatores que fazem parte dessa conta. Leandro Neves, Business Manager da desenvolvedora de aplicativos Ilhasoft, exemplifica: “Se for fazer um app para uso profissional, por exemplo, posso cobrar pelo mesmo. Com relação ao tamanho de mercado e público-alvo, em alguns mercados como Brasil as pessoas pagam menos por aplicativo que nos EUA, por exemplo. Usuários de iPhone pagam mais do que usuários de Android por aplicativo”.

Emerson Frossard, da desenvolvedora de aplicativos Mobilevel, dá alguns exemplos de aplicativos que não têm, por finalidade em si, a rentabilidade. “A intenção pode ser somente se comunicar melhor com seus seguidores. Por exemplo cantores, DJs, advogados e grandes eventos. Nós já fizemos aplicativos nesse modelo para várias pessoas e empresas, como Preta Gil, Maria Bethânia, Bienal do Livro 2011, Professor Humberto Dalla e Professor Leandro Velloso”, exemplifica.

Mas quando o assunto é, de fato, os aplicativos que visam o lucro, existem diversas maneiras de fazer isso acontecer. Segundo Rudah, isso depende muito mais do modelo de negócio da empresa do que, de fato, da tecnologia. “Muitas das principais empresas que vemos hoje no mercado são inovações em modelos de negócio utilizados, e não necessariamente inovações tecnológicas”. Esse modelos podem ser, ainda, combinados, gerando mais possibilidades de rentabilidade.

E o primeiro modelo que podemos citar é aquele em que o aplicativo é apenas uma plataforma que garante o funcionamento de uma empresa. Nesse caso, “o app sozinho não faz nada. Ele é somente uma ferramenta, mas é essencial para o funcionamento de um negócio”, como explica Emerson. É o caso de empresas como Uber, AirBnb, iFood, Cabify, e por aí vai.

Cabify e iFood são exemplos de aplicativos que funcionam como ferramenta de um modelo de negócio. Imagens: captura de tela.

Outra forma de lucro é a assinatura de serviços prestados pelo app. É o caso, por exemplo, da Netflix, Spotify e Stoodi. Esses aplicativos podem ser baixados gratuitamente mas, sem pagar assinaturas, a experiência com o serviço fica comprometida.

Além desses modelos em que um serviço prestado é, de certa forma, externo ao aplicativo em si, há uma série de outras formas de rentabilizar um negócio que vive por meio de um aplicativo. 

Freemium, o que é?

A forma mais comum de rentabilizar um aplicativo, apontada tanto por Emerson quanto por Rudah, é um modelo chamado Freemium – fusão das palavras Free e Premium. Nele, o aplicativo é gratuito, mas possui versões pagas mais completas. O usuário fica o tempo que quiser na versão gratuita, mas pode utilizar a versão paga, geralmente chamada de premium, para liberar mais funções, realizar um upgrade, remover publicidade ou, até mesmo, adquirir um bem virtual, como é o caso de compra de vidas ou avatares dentro de jogos.

A publicidade é um dos meios. Para Leandro, a importância desse fator é grande. “A publicidade é parte importante do ecossistema da monetização dos aplicativos. Seja utilizando grandes redes de anunciante, ou fazendo campanhas focadas em agências, a publicidade é uma fonte de renda que pode viabilizar um projeto móvel”, explica. Rudah compartilha da opinião, e explica que “muitos aplicativos são viabilizados somente pela venda de publicidade dentro do aplicativo, e a vantagem desse modelo, tanto para o comprador quanto para o vendedor, é atingir um nicho bastante específico, focado no público que utiliza aquele aplicativo”.

De acordo com Leandro, essa implementação é, além de bastante fácil, muito aceita pelo público. Emerson mostra que existem algumas formas de utilizar publicidade: “se o modelo adotado for usar os anúncios do Google, a receita é bem pequena. Mas nada impede que esse espaço seja vendido a empresas que queiram associar sua marca a aquele app”.

Uma outra maneira bastante comum é a coleta e venda de dados dos usuários. Rudah explica que existem diversas possibilidades, mas que a mais conhecida é associar com a publicidade. É a mesma coisa que Facebook e Google fazem, por exemplo: entender os usuários e suas preferências, a fim de adequar publicidades para esses consumidores. Dentro de um aplicativo, Rudah explica que isso pode ser utilizado para atender mercados específicos, como saúde e entretenimento.

“Um exemplo de possibilidade em saúde é um aplicativo gratuito para o usuário, que auxilia ele a perder peso e manter uma vida saudável, com a inserção de seus dados de alimentação e exercícios físicos. Esses dados de utilização podem ser bastante úteis para empresas de seguro, operadoras de saúde e farmacêuticas, por exemplo”. Rudah faz uma ressalva, explicando que, nesses casos, “é importante lembrar da proteção a dados particulares do usuário, sempre com políticas específicas de acordo com as intenções de utilização, ou da utilização dos dados de forma consolidada, protegendo o usuário”. Na dúvida, sempre leia os Termos e Condições de Serviços dos aplicativos que você mais usa.

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