19 out 2017

Amazon começa a vender eletrônicos no Brasil

por Dimítria Coutinho

4 min. de leitura
Amazon começa a vender eletrônicos no Brasil

Parece que ainda não dá para encomendar gato pela Amazon. Ainda. Foto: Wikimedia Common

 


Te cuida, pinguim. A Amazon iniciou ontem (18/10) a venda de eletrônicos no Brasil. Mais de 110.000 produtos eletrônicos já estão disponíveis, como smartphones e acessórios, TVs, notebooks e videogames.

Mas não foi aquilo que todos esperavam. A Amazon não é a vendedora, mas sim a intermediadora da venda. Os eletrônicos não serão vendidos pela própria empresa, mas por  um “marketplace”: uma plataforma em que pessoas físicas e empresas de qualquer porte anunciam seus produtos no site da Amazon (inclusive usados), e os compradores efetuam a compra pelo sistema da gigante do e-commerce.

A empresa garante que todas as transações realizadas no marketplace terão o nível de segurança da Amazon. “As transações serão feitas em um ambiente online seguro, com proteção contra fraudes e sistema simples de comunicação entre o vendedor e seus clientes”, afirmou a empresa em um comunicado à imprensa.

Kabum! e Girafa, dois e-commerces já bem estabelecidos no território brasileiro, estão entre as empresas que passarão a vender através do Marketplace da Amazon. “Por sua relevância no e-commerce na América Latina, o KaBuM! sempre foi muito procurado por diversos marketplaces. No entanto, a Amazon foi a única companhia com a qual identificamos uma enorme sinergia, principalmente pelo foco na experiência do cliente”, comentou Leandro Ramos, CEO do KaBuM!, no mesmo comunicado. A Amazon não divulgou quantas empresas já estão cadastradas no Marketplace. 

A Amazon chegou ao Brasil em 2012 oferecendo apenas livros digitais. Aos poucos, começou a vender Kindles, seu leitor de livros eletrônicos, e livros físicos.  Estes continuarão à venda pela própria Amazon.

Amazon EUA: o que falta para chegarmos até lá

No território norte americano, a Amazon foi uma das primeiras companhias relevantes a realizar vendas pela internet, lançada em 1994. Lá, a linha de produtos vendidos é enorme, e inclui várias mídias (livros, DVDs, CDs e software), vestuário, produtos para bebês, produtos eletrônicos, produtos de beleza, artigos de cozinha, joias e por aí vai.

Nos EUA, a Amazon conta com o e-commerce e com o Marketplace, como aqui. A diferença é que lá a oferta de produtos vendidos diretamente pela Amazon é muito maior. Eletrônicos, por exemplo, são oferecidos diretamente pela gigante, e não só pelos vendedores que usam o espaço do Marketplace, como acontece no cenário brasileiro.

Além disso, nos EUA, a Amazon possui o plano Amazon Prime, que oferece frete grátis em até 48h em todo o território americano, mediante assinatura anual. No Brasil, o site oferece o Prime, mas apenas como uma assinatura de seu catálogo de vídeos e séries (que normalmente já é inclusa no Prime americano).

A Amazon não confirma se vai estender o Prime completo para o Brasil ou quando ela pretende aumentar a oferta de produtos pelo seu próprio e-commerce.

Apesar do passo que a Amazon deu no Brasil hoje, ainda falta bastante para que o nível norte-americano seja atingido. “Sabemos o quanto os brasileiros amam tecnologia, por isso estamos muito felizes com o lançamento do marketplace de eletrônicos. Desde a nossa chegada ao Brasil, seguimos constantemente obcecados em proporcionar a melhor experiência para nossos clientes”, disse Alex Szapiro, country manager da empresa no Brasil, no mesmo comunicado à imprensa.

A reação veio a cavalo

Não demorou para a concorrência se mexer. A B2W, dona das marcas Americanas.com, Submarino, Shoptime e Sou Barato, anunciou três mudanças nesta quarta-feira (18/10), de acordo com o InfoMoney

Uma delas é a expansão do serviço de fidelidade Submarino Prime: a partir de agora, todas as cidades de Sul e Sudeste serão atendidas (antes, eram apenas algumas capitais). A segunda é o lançamento do Americanas Prime, a partir de novembro. Além dessas novidades, o grupo anunciou, ainda, que lançará um sistema de vendas de produtos usados entre pessoas físicas.

No âmbito geral, as mudanças na Amazon Brasil acabaram beneficiando a concorrência. As ações das principais concorrentes no Brasil haviam sofrido com os boatos de que a Amazon começaria a vender eletrônicos.

Após o lançamento, porém, os usuários começaram a comparar e não encontraram grandes vantagens na “nova Amazon”, nem nos preços, nem no frete ou nas condições de pagamento. E o cenário se inverteu: as ações das concorrentes subiram. A B2W subiu 7,9%; a Via Varejo, 7,96%; o Magazine Luiza, 9,48%; e o Mercado Livre, 3,25% na Nasdaq.

Veja a repercussão no Twitter: