10 out 2017

eSports: o quase-esporte que tem levado milhares às arquibancadas

por Dimítria Coutinho

2 min. de leitura
eSports: o quase-esporte que tem levado milhares às arquibancadas

Noventa mil pessoas num estádio assistindo a um jogo de futebol. Quarenta e cinco mil pessoas torcendo por uma luta de UFC. Vinte e três mil pessoas vendo uma partida de vôlei. Até aqui, tudo normal. Mas e quinze mil pessoas acompanhando uma partida de “Counter-Strike: Global Offensive”?

Isso pode até soar inusitado, mas é um cenário cada vez mais comum. Os eSports, como são chamadas as competições de jogos eletrônicos profissionais, estão progressivamente mais populares. Esse tipo de competição, envolvendo games, porém, não é novidade.

A primeira delas data de 1972, e aconteceu em uma Universidade nos Estados Unidos. De lá para cá, ligas foram criadas, novas competições surgiram, recordes foram registrados, canais de TV passaram a transmitir as competições e os jogadores se profissionalizaram. Naquela primeira competição, o prêmio foi um ano de assinatura da revista Rolling Stone. Hoje, só 45 anos depois, os prêmios batem na casa das dezenas de milhões: a maior premiação, até hoje, aconteceu em 2015, na competição The International 17, de DotA 2: mais de R$ 70 milhões.

Mesmo existindo há tanto tempo, as competições envolvendo games estão se popularizando no Brasil agora. Na virada do milênio, o boom das lan houses ajudou a propagar os eSports entre os jovens que, com o passar do tempo, foram se profissionalizando. O que começou como pequenas competições em todo o Brasil, acabou exigindo um maior entendimento sobre o assunto quando seletivas mundias passaram a ocorrer por aqui. Patrocinadores e investidores foram chegando, e gaming houses foram ganhando espaço. Gaming houses são, como o nome sugere, lugares dedicados inteiramente ao treinamento dos jogadores. Sim, treinamento.

Hoje, os eSports são considerados, por muitos, um esporte. Assim como uma atleta, os jogadores têm treinamentos pesados, técnico, empresário e até espaço na televisão, com direito a narradores especializados. No Brasil, canais esportivos como Bandsports, Esporte Interativo, ESPN e SporTV já dão espaço para essa modalidade. Outras pessoas, porém, são contra a classificação dos eSports como esporte. O argumento é o de que não há atividade física em si, além da falta de uma organização que faça a gestão de todas as competições.

Esporte ou não, essa polêmica já vem tomando conta do cenário olímpico. A inclusão dos eSports nos Jogos Olímpicos de Paris, em 2024, está sendo estudada.
De qualquer forma, a força que os jogos eletrônicos têm ganhado é muito expressiva: um grande espaço tanto no mercado eletrônico como no universo das competições populares entre o público jovem; muito dinheiro girando e muita gente acompanhando. E isso são poucos os esportes que conseguem alcançar.