22 abr 2015

As mulheres do Vale do Silício

por Diana Assennato

2 min. de leitura
As mulheres do Vale do Silício

O Vale do Silício é o grande celeiro de oportunidades em tecnologia, mas não é um dos lugares mais receptivos para mulheres. Já falamos por aqui sobre os exemplos negativos, como o “Esposas do Silício” e casos de discriminação e assédio velados, mas nós do Ada continuaremos batendo nesta tecla: mulheres precisam de exemplos para se sentirem capazes de ter ambição.

 

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Lea Coligado estuda Ciência da Computação na Universidade de Stanford. Durante uma de suas férias de verão, ela fez um estágio no Facebook, desenvolvendo um aplicativo para iOS. Na volta às aulas, durante um papo entre colegas sobre o que tinham feito nas férias, um de seus amigos contou que tinha estagiado no Facebook, ao que outro respondeu de queixo caído “Uau! Sério?! Não sabia que você era tão inteligente!” Quando perguntaram a Lea e ela deu a mesma resposta, a reação foi totalmente diferente: “Ah, eu deveria ter me inscrito, então.” Lea ficou furiosa. Ela tinha passado pelos mesmos processos seletivos, cumprido o mesmo programa e entregue os mesmos resultados que o seu colega. Porque com ela era diferente?

Inspirada pelo minimalismo de Humans of New York, um projeto que usa a internet para mostrar fragmentos da vida de pessoas comuns, Lea criou Women of Silicon Valley. Um espaço para contar histórias de mulheres que resistem às dificuldades desse mercado, celebrar os seus exemplos e criar novas narrativas. Ao longo dos anos, Lea conheceu e ouviu a história de mulheres talentosas, resilientes e geniais. Porque então ela nunca tinha ouvido falar sobre elas na mídia?

 

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Ao site da revista Fortune ela admitiu que, até começar a sentir na pele a desigualdade de gênero, pensava que grande parte do que ela ouvia a respeito era “folclore da mídia“. Quem dera. Durante sua breve experiência profissional Lea percebeu que a sua predileção por vestidos e o tom mais agudo da sua voz incomodavam e chamavam a atenção de muitos marmanjos ao mesmo tempo. “Levei tanta cantada ruim que passei a evitar passar departamentos inteiros da firma”, diz.

Felizmente, mesmo dentro dessa jornada tortuosa há quem pense diferente. O seu próprio chefe no Facebook a encorajava a arriscar em suas decisões quando ela sequer se sentia segura sobre o seu jeito de vestir. “Uma ex-chefe me disse para cortar a erva daninha e regar as plantas do caminho,” e é exatamente o que Lea tem feito.

Como a pauta da igualdade de gênero tem se tornado um assunto obrigatório dentro das grandes empresas de tecnologia, o desinteresse masculino se transformou em desprezo por um suposto sistema de cotas. Fato é que, gostando ou não, grandes mulheres estão entrando goela abaixo da indústria. O caminho ainda é bem longo, mas pelo menos já temos para onde olhar.

(Imagens: Reprodução Women of Silicon Valley/Lea Coligado)