12 jul 2014

De onde saem os doodles do Google da Copa do Mundo?

por Ada

3 min. de leitura
De onde saem os doodles do Google da Copa do Mundo?

*Por Julia Costa Teles

Do alto do número 3477 da Avenida Faria Lima, em São Paulo, um grupo de quatro designers passa seus últimos dias no Brasil. Da sala transformada em laboratório de criação saíram os mais de 60 diferentes logotipos do Google (chamados de doodles) que celebraram a Copa do Mundo. E alguns mais estão por vir até a final, no domingo 13 de julho.

Essa foi a primeira vez na história do Google que os doodlers – como são chamados o grupo de 20 funcionários responsáveis por recriar os logotipos da empresa – trabalharam fora do quartel-general da empresa, em Mountain View, na Califórnia. No Brasil, eles estão representados por Matthew Cruickshank, Leon Hong, Sophie Diao e Ryan Germik.

O primeiro doodle nasceu em 1998, quando os fundadores do Google, Larry Page e Sergey Brin resolveram modificar o logotipo da empresa para avisar seus clientes de que estariam fora do escritório participando do festival Burning Man. Dois anos mais tarde, um doodle comemorando o Dia da Bastilha foi tão bem recebido que a empresa resolveu criar um departamento dedicado a celebrar eventos e datas comemorativas.

Segundo Cruickshank, o objetivo da experiência da Copa do Mundo era aproximar os doodlers da cultura e do povo brasileiro. Com isso, a rotina dos quatro mudou por completo. Eles, que em geral fazem seus desenhos com três meses de antecedência e trabalham em cima de lista pré-planejada de efemérides, passaram a criar doodles freneticamente de um dia para outro, às vezes mais de um por dia, para acompanhar o ritmo dos jogos. Além disso, o grupo assumiu o compromisso de representar todas as 32 seleções pelo menos uma vez.

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A inspiração vem da própria competição, das referências locais e das redes sociais. No quartel-general montado pela equipe do Google Brasil, eles têm acesso, em três televisões, ao Google Trends – site de monitoramento de tendências da internet -, às redes sociais dos jogadores, aos jogos quando eles acontecem e ao noticiário no resto do tempo. Além disso, pela hashtag #GoogleDoodles eles recebem sugestões dos fãs. Veja na galeria:

Espalhadas pelo local estão bandeiras de vários países, tabelas da Copa, o álbum de figurinhas oficial da Fifa, um toca-discos com vinis de MPB, camisetas, chuteiras, troféus, rascunhos e mais rascunhos de doodles e um quadro branco. Mas é no computador que as homenagens ganham vida. A grande maioria é feita em Flash, e todo mundo contribui um pouco com as habilidades que possui.

O Google, diferente de outras marcas, optou por apenas retratar a parte boa da Copa. Por isso ninguém viu um doodle sobre a mordida de Suárez, o lance que deixou Neymar de fora ou o 7X1 na semifinal entre Alemanha e Brasil. Cruickshank reconhece que o episódio da mordida daria um doodle engraçado, mas que o objetivo não é polemizar, e sim festejar.

Os mais de 60 doodles feitos para a Copa do Mundo enaltecem o Brasil como país sede, brincaram com as situações do cotidiano – trabalhar quando chefe está por perto e ver o jogo quando ele não está – e relembraram Copas passadas como a de 2010 com Polvo Paul, o maior vidente da história da competição.

Sobre a final, ele lamenta não ter um Brasil e Argentina para desenhar: “Nós esperávamos ver o Brasil e a Argentina na final porque queríamos ver entusiasmo e a paixão pelo futebol, mas acho que as partidas foram justas e todos os times jogaram muito bem. Estamos muito animados para ver quem irá ganhar.” E a respeito do doodle que vai representar a final do torneio, ele adianta algumas ideias: “Podemos mostrar destaques de todo o mês ou talvez fazer algo completamente diferente sobre os times. Independente do que fizermos, esperamos que todos os fãs de futebol ao redor do mundo se divirtam”, afirma o doodler.

Até domingo, alguns doodles mais vão surgir. Se você perdeu algum, saiba que Google fez o favor de reunir todos em uma só página.

Crédito das fotos: Julia Costa Teles