24 abr 2014

#testamos: Amazon FireTV

por Ada

5 min. de leitura
#testamos: Amazon FireTV

*por Arthur Soares

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Foi em 2004 que começou o meu cuidado meticuloso com a minha biblioteca de músicas do iTunes; prometi a mim mesmo que aquilo seria uma herança para os meus filhos. Dava um trabalho absurdo manter a coleção organizada: baixar os discos, organizar os arquivos, achar as capas, colocar a ordem certa das faixas, gênero, artista… um trampo! Tudo isso mudou quando conheci o Spotify, um sistema de streaming de música com uma biblioteca gigante e super fácil de usar. A minha relação com música – e principalmente com a minha coleção de música – mudou totalmente. Parei de gastar tempo buscando, organizando e catalogando tudo, e comecei a focar a maior parte do tempo em realmente degustar e escutar o que queria. Fiquei bastante empolgado quando a Amazon anunciou o lançamento da FireTV, porque senti que finalmente um dispositivo poderia ser capaz de oferecer esse tipo de experiência para filmes e séries.

Há alguns anos eu optei por não ter mais TV a cabo e me virar apenas com downloads e sistemas de vídeo sob demanda como o Netflix, por exemplo. Nesses últimos anos, já brinquei com várias opções para deixar tudo mais simples de usar, como a AppleTV, aplicativos das TVs inteligentes da Samsung e até um computador Mac Mini (aquele pequeno da Apple) ligado diretamente na minha televisão. Sou geek e vivo sempre na busca incessável para achar a solução perfeita, por isso achei incrível a simplicidade da FireTV.

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Mas o que é a Amazon FireTV? Um dispositivo (na categoria dos set top boxes) que você pluga na sua TV, conecta no Wi-Fi da sua casa e te oferece tudo o que há de disponível na plataforma de conteúdo da Amazon, chamada AmazonPrime, por enquanto indisponível para o Brasil. Essencialmente, não é tão diferente assim da AppleTV, mas foi pensada para melhorar três pontos importantes: velocidade, busca e acessibilidade. O preço de venda é similar aos concorrentes, mas é o primeiro que consegue ter a melhor experiência. Vamos por partes.

A experiência Amazon

Uma das coisas que mais tem me chamado atenção à respeito dos últimos lançamentos da Amazon, é a atenção que eles têm dado aos novos usuários. O tio, a mãe, a avó; aqueles que não dominam a tecnologia mas gostariam de fazer uso dela têm pouquíssimas barreiras de entrada. Isso acontece desde o Kindle e se repete com o FireTV: compramos o aparelho pelo site da Amazon e ele milagrosamente já vem configurado com a sua conta, sem precisar conectar nada com nada : )

Outro exemplo incrível é o tablet FireHDX, lançada em setembro do ano passado, que vem com uma função chamada “Mayday”. É um botão que, ao apertá-lo, te conecta com um funcionário da Amazon (uma pessoa, mesmo) em menos de 15 segundos. Funciona 24 horas por dia, 365 dias por ano (!).  Nesse sentido, uma das funções mais úteis da FireTV é a busca por voz disponível no controle remoto do aparelho. Pode parecer pouco significante, mas lembre-se como a busca naqueles controlinhos pode ser incrivelmente frustrante.

Primeiras impressões

Foi tudo muito fácil: liguei o cabo de força na tomada e o cabo HDMI na TV (aquele mesmo que você usa para ligar a televisão LCD direto no seu computador). A primeira coisa que a FireTV me pediu foi para identificar a rede Wi-Fi. Não preciso comentar sobre a apresentação e design, estão extremamente bem resolvidos. Ao iniciar, um tutorial em vídeo ensinando a utilizá-la começou a tocar. Foi ótimo, em menos de dois minutos já possuía uma noção geral de todas as funções. A interface é simples, separada em duas colunas. O dispositivo é incrivelmente rápido. Muito mais rápido que AppleTV ou qualquer outro que já mexi.

Conteúdo

Da mesma forma que a Amazon lançou o Kindle para vender livros eletrônicos, ela também lançou a FireTV para vender o Amazon Prime, a plataforma de vídeo deles. A velocidade de tudo é alta: do final do tutorial até começar um filme, foram menos de cinco segundos. Sabe por que? Porque a FireTV já veio configurada com a minha conta, não me pediu senha nem nada. Inclusive já veio com os dados do cartão de crédito do meu One-Click payment, aquela função perigosa da Amazon que te permite comprar livros e um monte de coisas com um só clique.

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Um ponto interessante é a abordagem esperta a games. Conseguiram chamar a atenção do jogador meio-termo, aquela pessoa que curte jogar no seu smartphone e tablet, e até sente falta de algo numa TV maior, mas não tem vontade de investir U$ 300-500 em um console exclusivo e mais U$ 30-50 por jogo. A grande sacada: por mais U$ 39,99 você pode comprar o Game Controller, um joypad muito similar ao do Xbox ou PS4. Nele você pode rodar os jogos mais legais de Android.

A busca de voz funciona apenas para conteúdo de dentro do AmazonPrime. Encontrei uma exceção estranha, buscas por clipes de música te jogam para o Vevo e Hulu, que são aplicativos de terceiros. O mesmo não ocorreu com Netflix. Talvez haja alguma parceria específica.

Alguns dias depois

Já estou com a FireTV há alguns dias e posso dar uma opinião mais concreta. Acredito que tem um potencial incrível para demonstrar como será o futuro da TV e Set-top boxes. Para o Brasil, ainda não é uma solução pronta, já que é preciso trazer o aparelho dos Estados Unidos e para conseguir acessar o conteúdo (apps, jogos e filmes da plataforma Amazon Prime) é preciso realizar uma série de gambiarras.

O conceito de aplicativos para televisão não é novo. SmartTVs já fazem isso e a Apple oferecia marginalmente com o AirPlay na AppleTV. Acredito que a FireTV seja a primeira implementação com uma boa perspectiva de como o futuro será.

A FireTV é, sem dúvidas, um grande passo pro que teremos de novidades para as TVs em breve. Vamos esperar e ver o que Google e Apple farão.

 

arthur * Arthur Soares é consultor de tecnologia e design. Compartilha suas obsessões em http://artsoar.es

Foto: arquivo pessoal